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Guardando-se dos Falsos Mestres

Jovens - 4º Trimestre

Estudo da Lição

A pessoa que mais desviou gente da fé nunca subiu num púlpito dizendo "eu vim enganar vocês". Subiu dizendo exatamente o que a plateia queria ouvir. E o homem que carregava a bolsa do ministério de Jesus — que ouviu cada sermão de perto e viu cada milagre — foi o mesmo que O entregou. Esta lição trata de um assunto que quase ninguém gosta de encarar: existe gente má dentro de casa.

Antes de tudo, uma pergunta honesta: quando você ouve uma pregação, você confere o que foi dito ou confere o que gostou?

Paulo escreve Filipenses preso, sem saber se sairia vivo, a uma igreja que ele amava. É a carta da alegria, e o capítulo 3 começa nela: "Finalmente, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós." (Fp 3.1). Repetir o alerta não é falta de assunto; é proteção. Tem verdade que precisa ser dita de novo justamente porque o engano também se repete. E então, numa linha só, o tom muda: "Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da cortadura;" (Fp 3.2). Não é bronca de quem está com raiva. É aviso de quem sabe que tem pouco tempo.

A leitura em classe é Filipenses 3.1-11, e a revista segue um caminho em três passos: os maus obreiros são uma realidade que sempre existiu; quem eram os inimigos do evangelho que Paulo tinha em vista; e como a falsa doutrina funciona por dentro. Vale dizer logo o que esta lição não é: não é uma lista de quem evitar, nem autorização para fiscalizar o seu pastor. É treino de ouvido. Quem trabalha no caixa aprende a reconhecer a nota falsa estudando a verdadeira, não decorando as falsas. Guarde a frase da aula, porque ela volta no fim: falsa doutrina não chega gritando; chega agradando.

I — Maus Obreiros: uma Realidade Inquestionável

A revista começa pela parte desconfortável. Paulo escreveu a Timóteo: "Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra." (2 Tm 2.20). A conclusão é direta: dificilmente uma igreja se verá livre, por completo, dos maus obreiros. Em maior ou menor número, aqui ou ali, eles aparecem. Isso não é pessimismo; é realismo bíblico. E tem um efeito prático imediato: quem procura uma igreja sem nenhum defeito vai passar a vida procurando — e, se achar, ela deixa de ser perfeita no dia em que essa pessoa entrar.

Antes de seguir, é preciso definir de quem estamos falando, porque essa palavra é fácil de atirar em qualquer um. Para a revista, mau obreiro é quem deliberada e conscientemente engana, mente e manipula; quem ama as coisas e usa as pessoas; quem vive "Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (2 Tm 3.5) e usa essa aparência como disfarce. Grife as duas palavras: deliberada e conscientemente. Elas deixam de fora o irmão que errou, o pregador que se enganou de boa-fé e o líder que ainda está aprendendo. Discordar de alguém não faz de você um discernidor, nem faz do outro um falso mestre. E o contrário também vale: dizer-se perseguido não transforma ninguém em profeta. Oposição, sozinha, não prova nada.

No Antigo Testamento

O problema é tão antigo quanto o sacerdócio. Logo na inauguração do serviço sacerdotal, dois filhos de Arão — sobrinhos de Moisés — erraram no lugar mais santo: "E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que não lhes ordenara." (Lv 10.1). Repare num detalhe que dói: eles não estavam ausentes do culto. Estavam no altar, com o incensário na mão. O problema não foi a ausência; foi o fogo que levaram.

Depois vieram os filhos de Eli: "Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial; não conheciam ao Senhor." (1 Sm 2.12). Serviam no santuário e tratavam a oferta de Deus como coisa deles: "Era, pois, muito grande o pecado destes moços perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam a oferta do Senhor." (1 Sm 2.17). E o caso mais duro é o de Samuel. Ele cresceu na casa de Eli, viu o estrago de perto, foi fiel a Deus a vida inteira — e mesmo assim: "Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele, antes se inclinaram à avareza, e aceitaram suborno, e perverteram o direito." (1 Sm 8.3).

Vale dizer o que esses casos não significam. Não significam que filho de pastor tende a se perder, nem dão a ninguém o direito de olhar torto para alguém por causa do sobrenome. Significam outra coisa: posição herdada não transmite fé. E ninguém está imune só porque viu o erro dos outros. Em todos esses casos, a infidelidade não veio de fora; veio de dentro da liderança espiritual.

No ministério de Jesus

Jesus também advertiu: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores." (Mt 7.15). Repare na imagem: não é parecer ovelha; é vir vestido de ovelha. Roupa é escolha. Alguém se vestiu assim de propósito. E logo em seguida Jesus dá o critério: "Por seus frutos os conhecereis." (Mt 7.16).

Aos escribas e fariseus Ele disse: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia." (Mt 23.27) — e chegou a chamá-los de "raça de víboras" (Mt 23.33). Houve ainda Anás e Caifás, que fizeram do sumo sacerdócio um instrumento de poder e conduziram a condenação de Jesus.

🏛 Curiosidade — por que caiar um túmulo. Pela lei, quem tocasse numa sepultura ficava cerimonialmente impuro por sete dias (Nm 19.16). Por isso havia o costume de pintar os túmulos de branco com cal, para que ninguém encostasse neles sem perceber. O branco existia para avisar: aqui dentro há morte. Jesus usa a imagem ao contrário — gente bonita por fora, que esconde a morte em vez de avisar dela.

E houve Judas. A revista o chama de a maior estrela decadente dessa lista. Era um dos doze, ouviu cada ensino de perto, viu cada milagre, foi enviado a pregar — e cuidava do dinheiro do grupo. João conta o que havia por trás: "Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava." (Jo 12.6). E há um detalhe assustador. Quando Jesus anunciou que um deles o trairia, ninguém apontou para Judas: "E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor?" (Mt 26.22). Judas era indistinguível no meio deles. Por isso a primeira pergunta do discípulo diante de um aviso como este não é "quem será?", e sim "porventura sou eu?".

Na Igreja Primitiva

A Igreja Primitiva também conheceu os seus. "Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras." (2 Tm 4.14). E houve Demas, que tinha sido companheiro de Paulo: "Porque Demas me desamparou, amando o presente século" (2 Tm 4.10).

Paulo tinha avisado os presbíteros de Éfeso: "Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si." (At 20.29,30). Repare: de entre vós mesmos. Paulo não falava dos de fora. Falava de quem estava sentado naquela reunião. E não falava com frieza: "Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós." (At 20.31). O aviso vinha com lágrimas.

A revista observa ainda que os maus obreiros aparecem principalmente quando a obra de Deus prospera — e as cartas de Paulo, escritas para igrejas em pleno crescimento, estão cheias de alertas. Onde há colheita, aparece quem quer colher sem ter plantado. O próprio Espírito tinha avisado: "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;" (1 Tm 4.1).

🕊 A nossa leitura — o motivo torto e o evangelho trocado. Filipenses fala de dois tipos de obreiros problemáticos, e Paulo reage a eles de modo diferente. No capítulo 1 há quem pregue "a Cristo por inveja e contenda" (Fp 1.15) — e Paulo responde: "Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda." (Fp 1.18). No capítulo 3, ele diz três vezes "guardai-vos". A diferença: no capítulo 1 o motivo era torto, mas o evangelho era o mesmo; no capítulo 3 o evangelho tinha sido trocado. Discernimento bíblico não é caçar defeito de caráter em todo pregador — quem julga os motivos é Deus. É perceber quando a mensagem deixa de ser Cristo. E a revista lembra que maus obreiros podem ser achados em qualquer denominação, inclusive na nossa. O critério não é a placa da igreja; é o evangelho. "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia." (1 Co 10.12).

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