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Cuidado com o Ego e Suas Ambições

Juvenis - 3º Trimestre

Estudo da Lição

Existe uma dor específica que quase todo mundo já sentiu e quase ninguém comenta: você fez alguma coisa boa e outra pessoa levou o crédito.

Você organizou o trabalho, mas quem apresentou foi outro. Você arrumou a casa inteira e a sua mãe agradeceu ao seu irmão. Você teve a ideia, e a ideia virou "a ideia dele". Repare no que incomoda de verdade nessas horas. Muitas vezes não é o prejuízo — é o fato de ninguém saber que foi você.

Essa sensação tem nome, e o nome é bem antigo: ego.

A lição de hoje pega uma carta minúscula, quase um bilhete, para tratar disso. Ela é tão curta quanto a carta que estudamos no domingo passado — as duas cabem num cartão. E dentro dela existem dois retratos que a gente reconhece na hora: um homem que vivia para servir e um homem que vivia para ser servido.

Antes de continuar, um aviso sobre o jeito de ler esta lição, porque ela é fácil de usar errado. O espelho aqui é para você. Não é uma lista de sintomas para você sair identificando quem na sua igreja é o vilão da história. Se você terminar esta aula com um nome na cabeça que não seja o seu, a lição não funcionou.

Nesta aula a gente vai conhecer os três nomes que aparecem nessa carta, separar ambição legítima de ego — que não são a mesma coisa — e chegar no único lugar onde essa conversa pode terminar: em Cristo.

1. Uma carta de dois nomes

Quem escreve é o apóstolo João, por volta do ano 90 d.C., de Éfeso, já velho, já líder experiente. E, diferente de quase todas as cartas do Novo Testamento, esta não é endereçada a uma igreja: é endereçada a uma pessoa. "O presbítero ao amado Gaio, a quem em verdade eu amo" (3 Jo 1).

O propósito da carta é duplo, e os dois lados aparecem lado a lado. De um lado, João escreve para elogiar Gaio pela hospitalidade e pelo apoio aos missionários que passavam por ali. Do outro, escreve para advertir a respeito de um homem chamado Diótrefes, que estava causando divisão naquela igreja. E ainda aparece um terceiro nome no fim, quase de passagem: Demétrio, o homem de quem todos davam bom testemunho.

Três nomes, três retratos: Gaio, exemplo de fidelidade. Diótrefes, exemplo de orgulho. Demétrio, exemplo de bom testemunho.

O texto áureo é a frase com que João abre o elogio: "Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade" (3 Jo 3). E logo depois ele diz uma coisa que vale parar para ler duas vezes: "Não tenho maior gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade" (3 Jo 4).

Repare de onde vinha a notícia. Não foi Gaio que contou. Foram outras pessoas que chegaram até João e falaram dele. Guarde esse detalhe, porque ele vai voltar mais para a frente.

🏛 Curiosidade — o que era "receber os irmãos". No primeiro século não existia templo cristão, nem hotel confiável, nem rede de igrejas organizada. Os missionários viajavam de cidade em cidade e dependiam inteiramente da hospitalidade de quem já era cristão: cama, comida e a casa para reunir a congregação. Por isso João escreve que eles saíram "pelo seu Nome", "nada tomando dos gentios" (3 Jo 7) — ou seja, não cobravam de quem estava fora, não faziam da pregação um negócio. E conclui: "Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade" (3 Jo 8). Quem hospedava não era coadjuvante da missão. Era cooperador dela. Abrir a casa era, literalmente, participar da obra.

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3 º Trimestre