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O Espírito Atuante em Cristo

Juvenis - 4º Trimestre

Estudo da Lição

Jesus tinha trinta anos e nunca tinha feito um milagre. Nenhum. Trinta anos de casa, de oficina, de sinagoga no sábado, e nada que a gente costuma associar a Ele: sem multidão, sem sermão, sem cego vendo. Aí o céu se abre no Jordão, o Espírito Santo desce sobre Ele, o Pai fala lá de cima... e a primeira coisa que acontece depois não é um milagre. É um deserto.

Antes de seguir, responda com sinceridade: quando a sua vida aperta, você conclui que Deus se afastou? Guarde essa pergunta. A lição de hoje vira essa conta do avesso. Ela mostra uma coisa em que a maioria dos crentes nunca parou para pensar: o Espírito Santo estava presente em cada momento da vida de Jesus, do ventre de Maria até a ressurreição. Inclusive nos lugares difíceis.

A leitura em classe são duas passagens, e a revista manda ler as duas: Mateus 1.18-21, sobre o começo da vida de Jesus, e Lucas 4.16-22, sobre o começo do ministério dele em Nazaré. Repare no que elas têm em comum, porque não é óbvio: nas duas, quem aparece agindo é o Espírito Santo. O texto áureo é a profecia que Jesus leu naquela sinagoga: "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos" (Is 61.1).

Isso toca na doutrina central da nossa fé, a Trindade. Pai, Filho e Espírito Santo são três Pessoas distintas, unidas desde a eternidade, e um só Deus. Não são três deuses, e também não é um Deus que troca de roupa conforme a ocasião. Na obra da salvação, nunca foi uma Pessoa trabalhando enquanto as outras duas assistiam: cada uma age na sua função, e as três agem juntas. E uma coisa precisa ficar clara antes de andar: o Espírito Santo é Pessoa, não energia. Ele fala, conduz, se entristece (Ef 4.30) e intercede (Rm 8.26). Quem trata o Espírito como força acaba tratando-o como recurso: liga quando precisa, desliga quando não precisa. Ninguém trata assim uma pessoa com quem tem relacionamento.

O caminho tem quatro passos, acompanhando a vida de Jesus na ordem da revista: o Espírito no nascimento, no início do ministério, capacitando Jesus durante o ministério e capacitando-o para concluir o plano divino, na cruz e na ressurreição. E uma frase vai voltar várias vezes até o fim: o Espírito não poupou Cristo do deserto. Ele foi com Ele.

I — O Espírito Santo e o nascimento de Jesus

Mateus não diz apenas que Maria engravidou e que aquilo foi um milagre. Ele diz de quem veio: "Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo" (Mt 1.18). Repare na palavra achou-se. Não foi anunciado antes para José. Ele descobriu. Imagine o tamanho daquele dia na vida daquele homem.

🏛 Curiosidade — desposada já era compromisso sério. No costume judeu da época, o desposório não era um namoro que se terminava com uma mensagem. Era a primeira etapa do casamento, já com valor de compromisso público, antes de o casal passar a morar junto. Por isso o texto chama José de "seu marido" e Maria de "tua mulher" (Mt 1.19,20) antes mesmo do casamento se completar. Desfazer aquilo não era simples, e expor Maria podia arruinar a vida dela.

E aqui entra José, a figura mais esquecida dessa história e talvez a mais parecida com você. "Então José, seu marido, sendo justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente" (Mt 1.19). Ele estava tomando a decisão mais decente possível com a informação que tinha. E a informação dele estava incompleta. José não era mau; era justo e não queria expor ninguém. Só não sabia ainda o que Deus estava fazendo.

Então Deus fala: "E, pensando ele nisto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo" (Mt 1.20). Repare que a Bíblia insiste: diz duas vezes, em dois versículos próximos, de quem era aquela criança. O texto não deixa isso no ar como um mistério bonito, nem diz apenas "por milagre" ou "por poder divino". Ele dá nome: Espírito Santo. Lucas conta a mesma coisa do lado de Maria: "Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lc 1.35).

❤ Para a sua vida. Você tem quinze, dezesseis anos e está decidindo coisas importantes com metade da informação: curso, amizade, namoro, o que fazer com um problema em casa. José também decidiu com metade da informação, e Deus não o tratou como inimigo por isso. Deus o encontrou no meio da decisão e mostrou o resto. Quando você não entende ainda, ore, espere, peça conselho a alguém maduro na fé. Deus não te trata como inimigo por você ainda não entender.

A concepção pelo Espírito é a garantia de duas verdades ao mesmo tempo. Jesus nasceu verdadeiramente homem, de uma mulher, com carne, sangue e fome. E nasceu santo, sem pecado: "o Santo, que de ti há de nascer" (Lc 1.35). Mas cuidado com um engano. Ser concebido em Maria não quer dizer que o Filho de Deus começou a existir em Belém. Ele já existia: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1). O que começou no ventre de Maria foi a vida humana do Filho eterno: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós" (Jo 1.14). O Espírito não criou um Filho novo. Ele formou a humanidade do Filho que sempre foi.

Agora olhe o nome que o anjo manda dar: "E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1.21). O nome já era a missão. E Mateus acrescenta outro nome, tirado de Isaías: "chamarão seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco" (Mt 1.23). Guarde esse "conosco"; ele vai voltar no deserto. E fecha o raciocínio: se o Espírito agiu para que Jesus viesse ao mundo, então a salvação não foi ideia de um só. Foi obra das três Pessoas, cada uma na sua função. O Pai enviou, o Filho veio, o Espírito gerou. A revista insiste nisso: no propósito de Deus nada aconteceu por acaso nem foi improviso de última hora. Tudo veio no tempo que Ele tinha determinado.

Tem ainda um detalhe que liga o começo do Novo Testamento ao começo da Bíblia. Na primeira página, antes de existir qualquer coisa organizada, "a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gn 1.2). Em Nazaré, o mesmo Espírito aparece de novo gerando vida, agora dentro de uma jovem. Mesma assinatura, mesmo Espírito, mesma obra: onde não havia nada, passa a haver vida.

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