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A Convivência em Família

Adolescentes - 4º Trimestre

Estudo da Lição

Você já reparou que consegue conversar por horas com um amigo que mora a mil quilômetros e não consegue conversar cinco minutos com quem dorme no quarto ao lado? E que a pessoa que mais cuida de você talvez tenha sido justamente a que ouviu as suas respostas mais atravessadas esta semana?

Não é falta de amor. É que em casa não tem plateia. Com estranho, a gentileza é fácil: o encontro dura cinco minutos e todo mundo quer causar boa impressão. Em casa não tem edição, não tem filtro, e ninguém está impressionado com você. É ali que a gente mostra quem é.

A leitura de hoje é Efésios 6.1-4. Paulo escreve a uma igreja inteira e, no meio da carta, para e fala direto com os filhos. Logo em seguida, fala direto com os pais. Não é texto de mão única. E o texto áureo vem de Deuteronômio, o mandamento que Deus repetiu a Israel antes de o povo entrar na terra prometida:

"Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR teu Deus" (Dt 5.16).

Três coisas com todas as letras, antes de começar. Primeiro: não existe família perfeita. O que existe são famílias ajustadas, gente imperfeita aprendendo a se amar. Segundo: esta aula é para todo tipo de casa. Tem quem more com o pai e a mãe, quem more com um dos dois, quem foi criado pela avó ou pela tia, quem foi adotado, quem perdeu o pai ou a mãe, quem vive num abrigo, quem é o único crente da casa. Nenhuma dessas casas é família de segunda categoria. Terceiro: honrar pai e mãe é mandamento de Deus, e é sério. Mas honrar nunca quer dizer obedecer a uma ordem de pecar, nem aguentar calado agressão ou abuso. Vamos falar disso com calma no tópico III.

E guarde uma frase, porque a aula volta nela até o fim: dá para discordar sem desonrar.

I — A Origem da Família

Para entender para que serve uma coisa, ajuda saber quem a inventou. A família não foi invenção da cultura, nem costume que alguém resolveu seguir. Foi ideia de Deus, e Ele mesmo explicou o motivo.

No primeiro capítulo de Gênesis, a cada etapa da criação, Deus vê que o que fez é bom. Então, no capítulo 2, com o mundo ainda sem pecado, aparece pela primeira vez uma coisa que não estava boa:

"E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele" (Gn 2.18).

Repare no tamanho disso. O problema não era o pecado, que ainda nem tinha entrado no mundo. O problema era a solidão. E não foi Adão quem reclamou de estar sozinho: foi Deus quem viu primeiro. Então Ele formou a mulher, trouxe-a ao homem e instituiu o casamento:

"Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24).

Desse casal nasceram filhos (Gn 4.1,2,25), e a história da humanidade começou com uma família. Séculos depois, quando quiseram discutir casamento com Jesus, Ele não citou costume nem tradição. Voltou ao começo:

"Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, E serão os dois uma carne; e assim já não serão dois, mas uma carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc 10.6-9).

Quando a Bíblia quer falar de família, ela volta ao projeto original, não à moda do momento. A família e o casamento são criação de Deus, e por isso merecem ser valorizados, honrados e protegidos.

Cada um é único, e ninguém escolhe onde nasce

A sua família é formada por pessoas diferentes. Cada uma tem uma história, um temperamento, medos, memórias e sonhos. Não existe no mundo inteiro outra combinação igual à da sua casa, porque cada ser humano é obra única de Deus:

"Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem" (Sl 139.14).

E ninguém escolhe a família em que nasce. A revista tem uma frase para guardar: a família é a escola onde Deus nos matriculou para aprendermos a amar. Escola, não férias. Tem prova, tem matéria difícil e tem dia que você não quer ir. Mas é ali que se aprende.

Se a sua casa não se parece com o retrato

Agora, um cuidado que precisa ficar registrado. Reconhecer o projeto original não é dizer que a sua casa está errada por não se parecer com ele. Tem adolescente que ouviu a vida inteira que "família de verdade é pai, mãe e filhos", olhou para a própria casa e concluiu que ali não era família de verdade. Não é isso que a Bíblia diz.

A Bíblia está cheia de casas fora do padrão. Moisés foi criado por uma mãe adotiva, que nem era do povo dele: a filha de Faraó "o adotou; e chamou o seu nome Moisés" (Êx 2.10). Ester perdeu o pai e a mãe e foi criada pelo primo: "morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha" (Et 2.7). Timóteo aprendeu a fé com a avó e com a mãe, "a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice" (2 Tm 1.5), e o pai dele, que era grego, não aparece ensinando a fé (At 16.1). Deus trabalhou em todas essas casas.

Então guarde duas coisas, porque uma não anula a outra: a família é ideia de Deus. E a sua família, do jeito que ela é hoje, está ao alcance de Deus.

❤ Para a sua vida. Se você mora com a avó, com um tio, com um só dos pais, numa família que te adotou ou num abrigo, ou se perdeu alguém que amava, ouça isto: você não é menos filho de Deus por isso, e a sua casa não é de segunda categoria. "Deus faz que o solitário viva em família" (Sl 68.6a). E a promessa é pessoal: "Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me recolherá" (Sl 27.10).

🏛 Curiosidade — a adoção não é plano B. Quando Paulo quis explicar o que Deus faz com quem crê em Jesus, escolheu justamente a palavra adoção: "recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai" (Rm 8.15). Se a adoção fosse um arranjo de segunda categoria, Deus não teria escolhido esse nome para explicar a salvação. Quem adota, escolhe.

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