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Os Amigos e Cooperadores de Paulo

Adolescentes - 3º Trimestre

Estudo da Lição

Existe um jeito muito específico de se sentir sozinho: estar no meio de gente.

No intervalo, cercado. No grupo da turma, com duzentas mensagens não lidas. Trezentos seguidores. E, mesmo assim, a sensação de que se você sumisse por uma semana ninguém ia perguntar onde você foi.

Não é frescura e não é coisa da sua cabeça. É uma das coisas mais comuns da sua idade — e quase ninguém fala em voz alta, porque parece que admitir isso é admitir que tem algo errado com você.

Não tem.

Na lição passada a gente deixou Paulo preso, acusado sem prova, falando de esperança diante de um rei. Hoje a gente abre uma parte das cartas dele que quase todo mundo pula: a lista de nomes do fim.

Romanos 16 tem quase trinta nomes seguidos. Parece lista de chamada. Mas leia devagar e você vai ver o que é aquilo: é um homem que atravessou perseguição, prisão, açoite e naufrágio fazendo questão de escrever, um por um, o nome de quem ficou com ele.

Porque ninguém cumpre sozinho uma missão que Deus planejou para ser vivida em comunhão.

I — Os homens que ficaram

A Bíblia cita vários irmãos que trabalharam com Paulo e o seguraram nos momentos difíceis. Olha só quem eram.

Lucas era médico e não era judeu. Escreveu o livro de Atos, e o nome dele não aparece uma vez sequer na história — mas ele está lá. Em certos trechos a narração muda de "eles" para "nós", e é assim que a gente descobre que o autor estava dentro do barco (At 16.10). Anos depois, na última carta de Paulo, tem uma frase de três palavras que dói: "Só Lucas está comigo" (2 Tm 4.11). O amigo que ficou até o fim é o mesmo que escreveu tudo, sem colocar o próprio nome em lugar nenhum. Na saudação aos colossenses, Paulo o chama de "o médico amado" (Cl 4.14).

Barnabé foi quem apostou em Paulo quando ninguém queria chegar perto dele. Era judeu, de Chipre, e Lucas o descreve como homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé (At 11.24). Foi ele que foi até Tarso buscar Paulo para levá-lo a Antioquia (At 11.25,26) — ou seja, alguém teve que ir atrás. E foi ele que quis dar uma segunda chance a João Marcos, que tinha desistido no meio de uma viagem. Paulo não quis. E aconteceu o que a Bíblia não esconde: "tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro" (At 15.39).

Guarde isso, porque volta no fim da lição.

Silas entrou no lugar de Barnabé na segunda viagem. E provou o que valia em Filipos: foi preso e açoitado junto com Paulo, os dois com os pés no tronco. Por volta da meia-noite, machucados, oravam e cantavam hinos a Deus — e os outros presos escutavam (At 16.23-25). Amizade que canta na cadeia não é a que combina de sair no sábado. É outra categoria.

Timóteo era um adolescente crescido de Listra, filho de mãe judia e pai grego (At 16.1). Paulo o encontrou na segunda viagem e o rapaz virou o discípulo mais próximo que ele teve. Muitos anos depois, escrevendo aos filipenses, Paulo diz dele uma coisa impressionante: "Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado" (Fp 2.20). Traduzindo: não tem mais ninguém que se importe com vocês do jeito que ele se importa.

Tito era grego, não aparece em Atos, só nas cartas — e mesmo assim recebeu uma das tarefas mais pesadas: organizar as igrejas em Creta (Tt 1.5). Filemom era o dono da casa onde a igreja de Colossos provavelmente se reunia, e foi ele quem recebeu de Paulo o pedido mais delicado da Bíblia: perdoar Onésimo, o escravo que tinha fugido dele e voltava agora como irmão em Cristo. Tíquico é apresentado como "irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor" (Cl 4.7) — ele era quem levava as cartas. Não existia correio. Alguém tinha que atravessar o mar e a estrada com o papel na mão, sem aplauso nenhum, e chegar.

E tem um nome que estraga o final feliz.

Demas. Ele aparece na saudação de Colossenses (Cl 4.14), do lado de Lucas, como parte do time. Na última carta, aparece assim: "Porque Demas me desamparou, amando o presente século" (2 Tm 4.10).

Paulo escreveu o nome. Não disfarçou, não fingiu que não aconteceu, e também não passou a carta inteira falando disso. Escreveu, doeu, e seguiu.

🕊 A nossa leitura. Repare no que aparece três vezes nessa lista. Barnabé apostou em Paulo quando ninguém apostava. Silas apanhou junto. Lucas ficou quando todo mundo já tinha ido embora. Amizade cristã, na Bíblia, não se mede pela diversão que dá — se mede pelo que ela aguenta. E é bom dizer com todas as letras: isso não é sobre ter muitos amigos. Paulo tinha uma lista imensa e escreveu, sobre o dia mais assustador da vida dele, que não apareceu ninguém (2 Tm 4.16). Quem está contando amigos está fazendo a conta errada. A pergunta certa não é "quantos?", é "para quem eu tenho sido esse tipo de pessoa?".

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