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O Primeiro Diário de Viagem

Adolescentes - 3º Trimestre

Estudo da Lição

Todo mundo que faz uma viagem grande volta com histórias. Tem a foto do lugar bonito, mas tem também o perrengue: o ônibus que quebrou, a chuva que pegou, a pessoa estranha que apareceu no caminho. Se você juntar tudo num caderninho, dá um diário de viagem. O livro de Atos guarda exatamente isso: o diário da primeira grande viagem missionária do apóstolo Paulo.

Na lição passada vimos a rota dessa viagem no mapa. Agora vamos abrir o caderno e ler o que aconteceu nas paradas. Tem governador que se converte, tem mágico que tenta atrapalhar, tem gente que ouve o sermão mais longo de Paulo em Atos e tem cidade que expulsa os missionários a pedradas. No meio de tudo, uma coisa não muda: Paulo anuncia Jesus a partir das Escrituras, para judeus e não judeus, e não desiste diante da resistência. Este é o começo da história de como o Evangelho saiu de Israel e foi correndo o mundo — até chegar em você.

I — A parada em Pafos, diante do governador

Depois dos primeiros passos de Paulo no ministério, a viagem começou com ele, Barnabé e João Marcos sendo enviados pelo Espírito Santo (At 13.4). A primeira parada foi Chipre, ilha natal de Barnabé. O barco chegou a Salamina, e logo eles começaram a falar de Jesus nas sinagogas (At 13.5). Depois atravessaram a ilha inteira até Pafos, do outro lado, sempre pregando.

Em Pafos aconteceu o primeiro grande embate. Ali estava Sérgio Paulo, o governador romano da região — homem prudente, que quis ouvir a Palavra de Deus. Mas junto dele havia um mágico e falso profeta chamado Barjesus, ou Elimas, que fazia de tudo para atrapalhar, "procurando apartar da fé o procônsul" (At 13.8). Não dava para ficar em cima do muro. Paulo, cheio do Espírito Santo, encarou o feiticeiro e o repreendeu: "Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?" (At 13.10). Na hora, Elimas ficou cego. E o governador, vendo aquilo, creu, "maravilhado da doutrina do Senhor" (At 13.12).

Repare no contraste. Duas pessoas ouviram o mesmo Evangelho e reagiram de formas opostas: uma se abriu para Deus, a outra se fechou e ainda tentou fechar a porta do amigo. Elimas não só rejeitou a salvação — quis impedir que outra pessoa a recebesse. Isso deixa uma pergunta bem direta para a nossa vida: que tipo de amigo eu sou? Do tipo que aproxima as pessoas de Deus, ou do tipo que, com piada, pressão ou zombaria, afasta os outros do caminho?

בר No original — aramaico. Barjesus (Bar-Yeshua) significa "Filho da Salvação". A ironia é dura: o cara que se chamava "Filho da Salvação" estava usando magia para bloquear a salvação de outra pessoa. Um nome bonito não garante coração certo. Já o apelido Elimas ligava-se à ideia de "mágico, encantador" — a fachada espiritual de um homem que servia às trevas.

🏛 Arqueologia — Sérgio Paulo existiu mesmo. Esse governador não é personagem de ficção. Uma inscrição achada em Soloi, no norte de Chipre, menciona um "procônsul Paulus" atuando na ilha exatamente no período de Atos, e o escritor romano Plínio, o Velho, citou um Sérgio Paulo como autoridade consultada sobre Chipre. A Bíblia acerta até no cargo: Chipre era província do Senado, por isso governada por um procônsul — e não por um prefeito do imperador. Detalhe pequeno, precisão enorme.

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