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A Igreja e a Época do Apóstolo Paulo

Lição 1 · 3º Trimestre 2026 · 21/06/2026 · 9 min de leitura

Por Equipe Marcas Editora

TEXTO ÁUREO

E ele nos ordenou que pregássemos ao povo e testificássemos que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. (At 10.42)

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu e a Igreja nasceu com poder. Esta lição mostra o cumprimento da promessa do Batismo no Espírito, as marcas de uma igreja transformada (doutrina, comunhão e testemunho) e como as estradas, a paz e o idioma do Império Romano prepararam o mundo em que o apóstolo Paulo pregaria o Evangelho.

Você já viu uma notícia "viralizar"? Em questão de horas, uma mesma mensagem atravessa cidades, países e continentes, passando de celular em celular. Hoje isso acontece pela internet. Mas a maior notícia da história — a de que Jesus morreu, ressuscitou e é o Salvador — começou a se espalhar quase dois mil anos antes do primeiro smartphone. E ela correu o mundo mesmo assim.

Como? Tudo começou num único dia, numa única cidade, com um punhado de pessoas assustadas trancadas numa casa. Até que o Espírito Santo desceu com poder — e aquele grupo pequeno virou a Igreja de Jesus Cristo. Neste trimestre vamos estudar a vida do apóstolo Paulo, o grande missionário do livro de Atos. Mas antes de acompanhar suas viagens, precisamos entender o cenário: como a Igreja nasceu e como era o mundo em que Paulo viveu e pregou.

I - O Pentecostes e a Igreja de Cristo

Enquanto esteve na terra, o Filho de Deus se fez homem e habitou entre nós (Jo 1.14). Multidões o seguiam, testemunhando seus milagres e ouvindo seus ensinos (Jo 6.2). Depois de morrer e ressuscitar, Jesus passou quarenta dias com os discípulos, orientando-os sobre como continuar a caminhada. E deixou uma ordem clara: que ficassem em Jerusalém aguardando o cumprimento da promessa do Pai — o Batismo no Espírito Santo (At 1.4,5).

Essa promessa se cumpriu no Dia de Pentecostes. Reunidos para a festa, os discípulos ouviram, de repente, o som de um vento forte encher toda a casa. Era a manifestação do Espírito Santo: eles foram cheios e começaram a falar em outras línguas (At 2.2-4). Diante da multidão espantada, Pedro se levantou e explicou que aquilo era exatamente o que o profeta Joel havia anunciado séculos antes — o derramamento do Espírito sobre toda a carne (Jl 2.28,29; At 2.14-18). Naquele momento, a jornada histórica da Igreja de Jesus Cristo teve início.

🏛 Curiosidade. Pentecostes (do grego pentēkostē, "quinquagésimo") era a festa das colheitas, celebrada 50 dias depois da Páscoa. Para quem mora na cidade pode parecer estranho comemorar uma colheita, mas naquela época a produção da terra significava garantia de alimento para os meses seguintes — motivo de sobra para festejar. Deus escolheu justamente a festa da colheita para dar início à maior colheita de todas: a de vidas para o Reino.

🕊 A nossa leitura. Aqui está um ponto central da fé pentecostal: a atualidade do Batismo no Espírito Santo. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus ensina que esse batismo é "um revestimento de poder do alto" (Lc 24.49), uma promessa divina aos salvos (At 2.18), acompanhada da evidência física inicial de falar em outras línguas (At 2.4). O falar em línguas é a evidência inicial; a evidência contínua é o fruto do Espírito (Gl 5.22) e a manifestação dos dons. E a promessa não venceu com o tempo: "é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe" (At 2.39). É para você também.

II - As características da Igreja

Nos dias seguintes, os apóstolos pregaram com ousadia — a judeus e não judeus — a mensagem de Jesus Cristo, mostrando como as profecias do Antigo Testamento sobre o Messias se cumpriram nEle. Milagres e maravilhas acompanhavam essa pregação (At 2.43; 3.6-9), e o número dos que criam aumentava a cada dia. A Igreja crescia.

Mas o crescimento não era só de números. Lucas, autor de Atos, registra que aqueles primeiros crentes tinham marcas bem definidas (At 2.42-47):

a) Perseveravam na doutrina. Eles não seguiam qualquer ideia — seguiam o ensino dos apóstolos, firmados na Palavra. Fé cristã não é sentimento solto; tem conteúdo, tem verdade a ser aprendida.

b) Viviam em comunhão. Estavam unidos e repartiam o que tinham para atender às necessidades do próximo. Não havia falta de alimento, porque ele era compartilhado. O amor deixou de ser palavra bonita e virou atitude concreta.

c) Adoravam e oravam juntos. Reuniam-se constantemente para cultuar a Deus, partir o pão e orar. A vida deles girava em torno da presença de Deus.

Quando o Espírito Santo passa a habitar em alguém, há transformação de atitudes: o amor se torna o guia do comportamento, a avareza e o egoísmo dão lugar à bondade (1 Jo 4.20,21). Essa mesma transformação está disponível hoje.

❤ Para a sua vida. Repare que a Igreja não cresceu porque tinha estrutura, dinheiro ou fama — cresceu porque as pessoas eram diferentes. Um adolescente cheio do Espírito Santo também é notado: pela forma como trata os colegas, pela paciência em casa, pela coragem de falar de Jesus. Você tem buscado essa presença? Já foi batizado no Espírito Santo? Se ainda não, peça: "Senhor Jesus, batiza-me no teu Espírito e enche-me da tua presença" (At 2.38,39). Ele quer fazer isso em você.

🏛 Curiosidade. A palavra grega que Lucas usa para "comunhão" é koinonia. Ela significa muito mais do que estar no mesmo lugar ou ir à mesma reunião: envolvia compartilhar bens, fazer refeições juntos e orar juntos. E o "partir do pão" apontava para os cultos em memória de Jesus, instituídos a partir da Última Ceia (Mt 26.26-29). A igreja primitiva não era um clube de encontros — era uma família de fé.

III - O mundo romano na época do Pentecostes

A encarnação de Jesus, a descida do Espírito e o início da caminhada da Igreja aconteceram no primeiro século da Era Cristã. Nesse período, o Império Romano era a potência mundial, com território abrangendo a Europa, a Ásia Menor (atual Turquia) e o Norte da África. Havia certa estabilidade: os romanos não estavam em guerra constante por territórios, o que gerava um período de relativa paz.

Deus, em sua sabedoria, preparou o cenário. Três elementos do mundo romano colaboraram diretamente com a expansão do Evangelho:

a) A comunicação. Hoje usamos aplicativos de mensagem; naquela época, o meio era a carta, ou epístola. As cartas do Novo Testamento foram escritas em grego koiné, a língua internacional da época — o "inglês" daquele mundo. Em Israel, o povo conversava em aramaico e cultuava em hebraico, mas muitos judeus também sabiam grego, porque negociavam em outras cidades do Império. Por isso todo o Novo Testamento foi escrito em grego, e podia ser lido de ponta a ponta do mapa.

b) As estradas. No livro de Atos, lemos que os apóstolos viajavam muito. A rede de estradas romanas tinha milhares de quilômetros, somada a vias fluviais e rotas marítimas. As mesmas estradas que serviam ao exército romano nas conquistas serviram aos apóstolos na pregação e à circulação dos escritos cristãos.

c) A paz. Sem guerras constantes bloqueando os caminhos, os seguidores de Jesus podiam ir de cidade em cidade com relativa segurança, aproveitando toda aquela estrutura para anunciar as Boas-Novas.

🏛 Curiosidade. Os romanos eram engenheiros impressionantes. Suas principais estradas eram pavimentadas com pedras grandes e lisas, tinham cerca de seis metros de largura e uma leve inclinação para as beiradas — exatamente como as rodovias de hoje — para escoar a água da chuva. A cada mil passos colocavam um marco, para o viajante saber a distância percorrida. A mais famosa era a Via Ápia, que conduzia a Roma; ainda hoje é possível ver trechos dela perto da cidade. Foi por estradas como essa que Paulo caminhou — e por uma delas ele chegaria, preso, à própria capital do Império.

Cristo na lição

É fácil ler esta lição e se impressionar com o Espírito Santo, com a Igreja ou com o Império Romano — e esquecer o centro de tudo. Mas repare no texto áureo: Pedro diz que Jesus é "o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos" (At 10.42). O conteúdo daquela pregação que correu o mundo não era um conselho de vida nem uma religião a mais — era uma Pessoa: Jesus Cristo, o Senhor.

O Espírito Santo que desceu em Pentecostes não veio para falar de si mesmo; veio para dar poder às testemunhas de Jesus (At 1.8). As estradas romanas não existiam para o turismo; Deus as usou para levar o nome de Jesus. E a Igreja não nasceu para ser um grupo de amigos religiosos, mas o Corpo de Cristo no mundo. Tudo aponta para Ele. O maior milagre daquele dia não foi o vento nem as línguas de fogo — foi que pecadores comuns passaram a anunciar, com coragem, que o Crucificado ressuscitou e reina. Esse anúncio chegou até você. Agora a pergunta é: você vai passá-lo adiante?

Aplicação

Busque a promessa. O Batismo no Espírito Santo não é relíquia do passado — é para hoje, e é para você. Não fique satisfeito só com o "conhecer sobre" Deus; busque a experiência de ser cheio do Espírito. Ore por isso com fé.

Viva as marcas da Igreja. Doutrina, comunhão e oração não são só coisa de adulto. Perseverar na Palavra é levar a Bíblia a sério na sua idade. Comunhão é não ser um cristão isolado — é fazer parte da família da fé, servir, repartir, cuidar. Comece na sua própria classe de EBD.

Aproveite as suas "estradas". Deus usou a estrutura da época de Paulo para espalhar o Evangelho. Você também tem suas "estradas": o grupo da escola, as redes sociais, o time, a vizinhança. São caminhos por onde a mensagem de Jesus pode viajar. A pergunta é se você está usando o que tem em mãos para testemunhar.

Oração Final

Senhor Jesus, obrigado por não teres deixado tua Igreja órfã, mas teres enviado o Espírito Santo com poder no Dia de Pentecostes. Reconhecemos que essa mesma promessa vale para nós, hoje. Batiza-nos e enche-nos do teu Espírito, para que sejamos testemunhas ousadas em toda parte. Ensina-nos a viver como a tua primeira Igreja: firmes na tua Palavra, unidos em amor e constantes na oração. E, assim como usaste as estradas do Império para espalhar o Evangelho, usa a nossa geração e os caminhos que temos para anunciar que tu és o Salvador e o Juiz de todos. Em teu nome, amém.

Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.

Perguntas Frequentes

O que foi o dia de Pentecostes na Bíblia?+

Pentecostes era uma festa judaica das colheitas, celebrada 50 dias depois da Páscoa. Foi nesse dia que a promessa de Jesus se cumpriu: o Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos em Jerusalém, encheu-os de poder e eles começaram a falar em outras línguas (At 2.1-4). Esse evento marca o nascimento da Igreja de Cristo.

O Batismo no Espírito Santo é para os cristãos de hoje?+

Sim. A doutrina pentecostal e a Declaração de Fé das Assembleias de Deus ensinam que o Batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder do alto, uma promessa para todos os salvos, com a evidência física inicial de falar em outras línguas (At 2.4). A promessa 'é para vós e para vossos filhos' (At 2.39) — portanto, também para a nossa geração.

Quais eram as marcas da Igreja primitiva em Atos 2?+

Lucas descreve quatro marcas: os primeiros crentes perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão (koinonia), no partir do pão e nas orações (At 2.42). Havia amor prático — eles repartiam bens para socorrer os necessitados — e um testemunho tão forte que o número de convertidos crescia a cada dia.

Como o Império Romano ajudou na expansão do Evangelho?+

A estrutura do mundo romano preparou o terreno: havia paz relativa (Pax Romana), milhares de quilômetros de estradas pavimentadas ligando as cidades, e o grego koiné como língua comum. Paulo e os primeiros cristãos aproveitaram essas estradas, rotas marítimas e o idioma internacional para viajar e anunciar Jesus de cidade em cidade.

Qual é o tema do trimestre para a turma de Adolescentes?+

O trimestre estuda a vida do apóstolo Paulo conforme o livro de Atos dos Apóstolos — suas viagens missionárias, sua interação com as pessoas e como Deus agiu por meio do Espírito Santo salvando e transformando vidas. Esta primeira lição apresenta o cenário: o nascimento da Igreja e o mundo em que Paulo viveu.

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