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O Primeiro Diário de Viagem

Lição 5 · 3º Trimestre 2026 · 19/07/2026 · 9 min de leitura

Por Equipe Marcas Editora

TEXTO ÁUREO

Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra. (At 13.47)

Na primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé cruzam Chipre e a Ásia Menor pregando Jesus a partir das Escrituras. Do governador convertido em Pafos ao longo sermão em Antioquia e à perseguição em Listra, a lição mostra um Evangelho que anda de cidade em cidade e não recua diante da resistência.

Todo mundo que faz uma viagem grande volta com histórias. Tem a foto do lugar bonito, mas tem também o perrengue: o ônibus que quebrou, a chuva que pegou, a pessoa estranha que apareceu no caminho. Se você juntar tudo num caderninho, dá um diário de viagem. O livro de Atos guarda exatamente isso: o diário da primeira grande viagem missionária do apóstolo Paulo.

Na lição passada vimos a rota dessa viagem no mapa. Agora vamos abrir o caderno e ler o que aconteceu nas paradas. Tem governador que se converte, tem mágico que tenta atrapalhar, tem gente que ouve o sermão mais longo de Paulo em Atos e tem cidade que expulsa os missionários a pedradas. No meio de tudo, uma coisa não muda: Paulo anuncia Jesus a partir das Escrituras, para judeus e não judeus, e não desiste diante da resistência. Este é o começo da história de como o Evangelho saiu de Israel e foi correndo o mundo — até chegar em você.

I — A parada em Pafos, diante do governador

Depois dos primeiros passos de Paulo no ministério, a viagem começou com ele, Barnabé e João Marcos sendo enviados pelo Espírito Santo (At 13.4). A primeira parada foi Chipre, ilha natal de Barnabé. O barco chegou a Salamina, e logo eles começaram a falar de Jesus nas sinagogas (At 13.5). Depois atravessaram a ilha inteira até Pafos, do outro lado, sempre pregando.

Em Pafos aconteceu o primeiro grande embate. Ali estava Sérgio Paulo, o governador romano da região — homem prudente, que quis ouvir a Palavra de Deus. Mas junto dele havia um mágico e falso profeta chamado Barjesus, ou Elimas, que fazia de tudo para atrapalhar, "procurando apartar da fé o procônsul" (At 13.8). Não dava para ficar em cima do muro. Paulo, cheio do Espírito Santo, encarou o feiticeiro e o repreendeu: "Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?" (At 13.10). Na hora, Elimas ficou cego. E o governador, vendo aquilo, creu, "maravilhado da doutrina do Senhor" (At 13.12).

Repare no contraste. Duas pessoas ouviram o mesmo Evangelho e reagiram de formas opostas: uma se abriu para Deus, a outra se fechou e ainda tentou fechar a porta do amigo. Elimas não só rejeitou a salvação — quis impedir que outra pessoa a recebesse. Isso deixa uma pergunta bem direta para a nossa vida: que tipo de amigo eu sou? Do tipo que aproxima as pessoas de Deus, ou do tipo que, com piada, pressão ou zombaria, afasta os outros do caminho?

בר No original — aramaico. Barjesus (Bar-Yeshua) significa "Filho da Salvação". A ironia é dura: o cara que se chamava "Filho da Salvação" estava usando magia para bloquear a salvação de outra pessoa. Um nome bonito não garante coração certo. Já o apelido Elimas ligava-se à ideia de "mágico, encantador" — a fachada espiritual de um homem que servia às trevas.

🏛 Arqueologia — Sérgio Paulo existiu mesmo. Esse governador não é personagem de ficção. Uma inscrição achada em Soloi, no norte de Chipre, menciona um "procônsul Paulus" atuando na ilha exatamente no período de Atos, e o escritor romano Plínio, o Velho, citou um Sérgio Paulo como autoridade consultada sobre Chipre. A Bíblia acerta até no cargo: Chipre era província do Senado, por isso governada por um procônsul — e não por um prefeito do imperador. Detalhe pequeno, precisão enorme.

II — A parada em Antioquia, para explicar as Escrituras

De Chipre, os missionários navegaram para a Ásia Menor e chegaram a Perge, na Panfília. Ali João Marcos decidiu voltar para Jerusalém, e Paulo e Barnabé seguiram sozinhos, subindo o caminho perigoso até Antioquia da Pisídia (At 13.13,14). Foi lá, na sinagoga, que Paulo fez a pregação mais longa dele registrada em Atos (At 13.16-41).

E olha como ele pregou. Na mesma linha do discurso de Pedro no Pentecostes e de Estêvão no julgamento, Paulo usou o Antigo Testamento para falar de Jesus. Ele recontou a história de Israel desde a saída do Egito (At 13.17,18), mostrou que Jesus era o descendente prometido do rei Davi (At 13.22,23) e provou, pelos Salmos e Profetas, o sentido da morte e ressurreição do Messias para o perdão dos pecados (At 13.32-37). O fecho é uma frase que resume o Evangelho inteiro: "por ele é justificado todo aquele que crê" (At 13.39). A Lei mostrava o pecado, mas não tinha poder de apagá-lo; só a fé em Cristo justifica.

Muitos judeus e prosélitos aceitaram a mensagem e pediram para ouvir mais no sábado seguinte, quando quase a cidade inteira apareceu. Mas o sucesso incomodou. Os líderes ficaram cheios de inveja ao ver aquela multidão e começaram a contradizer Paulo. Foi aí que ele tomou uma decisão histórica: já que os judeus rejeitavam a Palavra, o Evangelho iria para os gentios (At 13.46) — cumprindo Isaías, citado no nosso texto áureo (At 13.47). Houve conflito e expulsão, mas os novos convertidos ficaram "cheios de alegria e do Espírito Santo" (At 13.52).

A viagem continuou. Em Icônio, a mesma oposição. Em Listra, um paralítico foi curado, e o povo, impressionado, chegou a confundir Barnabé com o "deus Júpiter" e Paulo com "Mercúrio", querendo oferecer sacrifícios a eles. Os apóstolos rasgaram a ideia na hora: aqueles "deuses" não servem para nada; é preciso se voltar para o Deus vivo, "que fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto neles há" (At 14.15). Como aquela gente não conhecia a história de Israel, Paulo mudou o ponto de partida — começou pela criação, pelo Deus que dá vida e alegria a todos. Mesmo assim, foi difícil conter o povo. Ensinar Jesus nem sempre é fácil; mas a dificuldade não é motivo para parar.

🏛 Curiosidade — a estrada dos assaltantes. Para chegar a Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé subiram mais de mil metros de altitude pela Via Sebaste, uma estrada militar romana, atravessando os montes Tauro — região famosa por desfiladeiros perigosos, cheias repentinas e bandidos. Anos depois, Paulo lembraria desses "perigos de rios" e "perigos de salteadores" (2 Co 11.26). O conforto não fazia parte do pacote missionário.

🕊 A nossa leitura. Atos 13.48 diz que creram os que "estavam ordenados para a vida eterna". Alguns usam esse verso para dizer que Deus já teria escolhido de antemão quem seria salvo e quem não. Mas leia junto com o versículo 46: os judeus "se julgaram indignos" e rejeitaram de propósito; os gentios se dispuseram e não resistiram. A leitura pentecostal, na tradição das Assembleias de Deus, entende que o texto não fala de um decreto eterno, e sim da graça agindo naquele momento sobre corações que se abriram. A salvação é oferecida de verdade a todo aquele que crê (At 13.39). Deus chama; a resposta é sua.

III — A última fase da viagem

O diário ainda tinha uma página pesada. Os judeus de Antioquia e Icônio, que não engoliam Paulo, foram atrás dele até Listra, agitaram a multidão e apedrejaram o apóstolo, deixando-o como morto (At 14.19) — o antigo perseguidor tinha virado perseguido. Parece o fim, mas não foi. Paulo se levantou e, com Barnabé, seguiu para Derbe.

Eles desanimaram com a perseguição? De jeito nenhum. Fizeram o caminho de volta passando de novo pelas cidades onde já tinham pregado — Listra, Icônio, Antioquia — para fortalecer os novos convertidos e animar os irmãos a permanecerem na fé (At 14.22). Depois voltaram ao ponto de partida, Antioquia da Síria, e reuniram a igreja para contar tudo o que Deus havia feito em cada lugar (At 14.27). O primeiro diário de viagem terminou virando relatório de gratidão.

Essa última fase ensina algo que a gente precisa muito ouvir: a força para não desistir não vinha da coragem natural de Paulo, e sim do Espírito Santo. Perseguição, pedrada, expulsão — nada disso apagou a missão. Onde parecia derrota, nascia igreja.

Cristo na lição

É fácil ler este capítulo e guardar só as aventuras: o mágico cego, a pedrada, a confusão com os deuses gregos. Mas o diário inteiro tem um único centro, e o nome dele é Jesus.

Em Pafos, foi o nome de Jesus, pelo poder do Espírito, que calou a magia de Elimas — o Evangelho é maior que qualquer feitiço, ideologia ou influência das trevas. Em Antioquia, Paulo mostrou que toda a Bíblia aponta para Cristo: Ele é o herdeiro legítimo do trono de Davi, aquele que morreu, mas cujo corpo não apodreceu, porque ressuscitou (At 13.35-37). E o coração do sermão é que o perdão não vem de esforço religioso, e sim da fé nEle: "por ele é justificado todo aquele que crê" (At 13.39). O texto áureo fecha o quadro — Jesus é a luz dos gentios, a salvação até os confins da terra (At 13.47). A viagem toda existe por causa dEle e aponta para Ele.

Aplicação Prática

Escolha que tipo de amigo você é. Elimas afastou; Barnabé aproximou. Na sua turma, no grupo, na família, você empurra as pessoas para Jesus ou para longe dEle? Um comentário, um convite, um exemplo — tudo isso pode ser placa apontando o caminho certo.

Não recue diante da zombaria. Paulo foi contrariado, ridicularizado e até apedrejado, e continuou. Quando debocharem da sua fé na escola ou nas redes, lembre: a força para seguir não é sua, é do Espírito Santo. Peça ousadia a Ele.

Alegre-se com o crescimento dos outros. A inveja cegou os líderes de Antioquia. No reino de Deus não há competição, há cooperação. Se um irmão do grupo de jovens ganha destaque num dom que você queria ter, comemore em vez de rivalizar.

Fale de Jesus a partir da Palavra. Paulo não inventava argumentos; abria as Escrituras. Você não precisa ter resposta para tudo — precisa conhecer a Bíblia e apontar para Cristo. Comece lendo, para ter o que compartilhar.

Oração Final

Senhor Jesus, obrigado porque o teu Evangelho não parou em Israel, mas foi correndo o mundo até chegar a nós. Assim como enviaste Paulo e Barnabé com poder do Espírito Santo, enche-nos também de coragem para falar de ti sem medo da zombaria. Livra-nos de ser "Elimas" na vida de alguém; faze de nós placas que apontam para o Caminho. E quando a pressão vier, dá-nos a mesma firmeza que levantou Paulo depois da pedrada. Tu és a luz dos gentios, a nossa salvação. Em teu nome, amém.

Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.

Perguntas Frequentes

Qual foi a primeira viagem missionária do apóstolo Paulo?+

Foi a jornada relatada em Atos 13 e 14. Enviados pelo Espírito Santo a partir de Antioquia da Síria, Paulo e Barnabé (com João Marcos) passaram pela ilha de Chipre e por cidades da Ásia Menor — Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe — pregando Jesus, começando pelas sinagogas e depois alcançando os não judeus.

Quem foi Sérgio Paulo em Atos 13?+

Sérgio Paulo era o procônsul (governador romano) da ilha de Chipre, com sede em Pafos. Ele quis ouvir a Palavra de Deus, mas o mágico Elimas tentou afastá-lo da fé. Depois de ver a cegueira que caiu sobre Elimas, o governador creu (At 13.12). Foi uma conversão de grande peso, pois ele era a maior autoridade da região.

Por que Paulo se voltou para os gentios em Atos 13.46?+

Paulo sempre pregava primeiro aos judeus, nas sinagogas. Em Antioquia da Pisídia, muitos judeus rejeitaram a mensagem por inveja das multidões que se reuniam. Paulo então declarou que, já que eles se julgavam indignos da vida eterna, o Evangelho seria levado aos gentios — cumprindo Isaías 49.6, citado no texto áureo (At 13.47).

O que Atos 13.48 ensina sobre salvação?+

O texto diz que creram os que 'estavam ordenados para a vida eterna' (At 13.48). A leitura pentecostal, ligada à tradição arminiana das Assembleias de Deus, entende isso à luz do versículo 46: os judeus se julgaram indignos e rejeitaram, enquanto os gentios se dispuseram e não resistiram à graça oferecida naquele momento. A salvação é oferecida a todo aquele que crê (At 13.39).

Por que Paulo pregava a partir do Antigo Testamento?+

Porque o próprio Jesus ensinou que as Escrituras apontavam para Ele. No sermão de Antioquia (At 13.16-41), Paulo recontou a história de Israel, mostrou que Jesus era o descendente prometido de Davi e provou, com os Salmos e os Profetas, que o Messias ressuscitaria. Pregar Cristo a partir das Escrituras era o padrão dos apóstolos.

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