TEXTO ÁUREO
“Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3.14)
A Lição 7 acompanha Paulo na pista de Filipenses 3.12-21: o apóstolo que já tinha visto o Cristo ressurreto admite que ainda não chegou, junta todas as forças numa coisa só, deixa o passado parar de decidir o próximo passo e corre olhando para quem segura o prêmio. O alvo não é uma conquista; é uma Pessoa — e quem a conhece vive o presente com coerência e espera o futuro com esperança: a cidade nos céus e o corpo transformado na volta de Cristo.
O homem que escreveu "prossigo" estava preso. Não escreveu numa fase boa, com a agenda cheia de convites e a vida resolvida. Escreveu acorrentado, sem saber se sairia vivo, para uma igreja que pagava caro por seguir Jesus numa cidade orgulhosa de ser Roma em miniatura. E o mesmo homem que tinha o melhor currículo religioso da sua geração escreveu, no mesmo capítulo, que ainda não tinha chegado.
Antes de abrir o texto, responda em silêncio, só para você: existe alguma coisa que você fez — ou que fizeram com você — que você ainda carrega e que mudou o jeito como você se vê?
Guarde a resposta. Esta lição fala com ela. A leitura em classe é Filipenses 3.12-17 e 3.20,21, e a revista segue três passos: o que é conhecer plenamente a Cristo; a atitude do corredor — "uma coisa faço" — e o que fica para trás; e o jeito de viver o presente enquanto se espera o futuro. Na lição anterior, Paulo jogou o próprio currículo na coluna da perda para ganhar a Cristo. Agora ele calça o tênis. E logo de saída é bom dizer o que esta lição não é: não é palestra de motivação, não é cultura de desempenho com versículo, não é "seja um Paulo determinado". É sobre uma corrida que não se ganha por velocidade, e sim por não parar — e sobre um alvo que não é uma conquista, mas uma Pessoa.
I — Conhecendo Plenamente a Cristo
Paulo acabou de dizer o que mais deseja: "Para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte; Para ver se de alguma maneira eu possa chegar à ressurreição dentre os mortos." (Fp 3.10,11). Repare no verbo: conhecer. Existe uma diferença enorme entre saber acerca de Cristo e conhecer a Cristo. Saber acerca é informação: onde Ele nasceu, quantos discípulos teve, o que pregou. Dá para acertar tudo num quiz sem nunca ter conversado com Ele — como quem decorou a biografia de um autor que nunca encontrou. Conhecer é convivência: saber o que O alegra, o que O entristece, como Ele reage quando você erra.
A revista traz uma frase de Myer Pearlman que resume bem: "Há uma grande diferença entre realmente conhecer a Cristo e meramente saber acerca dEle. Assim como se sabe o gosto da comida ao comê-la, assim também conhecemos a Cristo ao recebê-lo." É por isso que a Bíblia gosta tanto do verbo andar: andar com Deus, andar no Espírito, andar "em novidade de vida" (Rm 6.4). Conhecer a Cristo não é um evento; é um relacionamento diário. E é possível crescer na igreja, servir, ensinar e até montar uma teologia inteira continuando só a saber acerca dEle. Jesus resumiu a vida eterna justamente nesse verbo: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3).
E Paulo pede as duas coisas juntas: o poder da ressurreição e a comunicação das aflições. Quase todo mundo ora pelo primeiro; quase ninguém pelo segundo. Mas quem quer conhecer alguém de verdade não escolhe só a parte boa. Você conhece um amigo de um jeito completamente diferente depois de atravessar um sofrimento com ele. Isso não é gosto pelo sofrimento nem desejo de martírio. É saber que a cruz faz parte do caminho de quem segue o Crucificado — e que o mesmo poder que tirou Jesus do túmulo sustenta quem anda com Ele, pelo Espírito que habita no crente (Rm 8.11).
"Não que já a tenha alcançado"
Agora vem a frase que quase todo mundo lê errado: "Não que já a tenha alcançado, ou que já seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus." (Fp 3.12). Paulo não está se dizendo fraco, despreparado ou frustrado. Pense em quem fala: ele viu o Cristo ressurreto no caminho de Damasco, plantou igrejas, escreveu cartas que você lê até hoje. E mesmo assim diz que não chegou.
A revista explica que Paulo tem em vista o conhecimento completo de Cristo e as realidades que só se cumprirão no futuro, o alvo de Fp 3.10,11. Diante disso, ele ainda está em estado de imperfeição — e, com ele, todos nós. Esse reconhecimento era o oposto do que faziam os judaizantes, que se achavam completos. As melhores pessoas reconhecem a própria imperfeição no estado presente. E aqui vai um teste simples para a vida espiritual: quem tem a verdadeira graça deseja mais graça. Quem acha que já tem o suficiente provavelmente parou de comer há algum tempo — porque quem para de ter fome, em geral, já parou de se alimentar.
Do mais novo ao mais velho, do mais forte ao mais fraco, estamos todos na mesma pista. Isso tira de nós duas coisas de uma vez: o orgulho de quem se acha à frente e o desprezo por quem parece atrás.
🕊 A nossa leitura — "perfeito" e "ainda não perfeito". Três versículos depois, Paulo escreve: "Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará." (Fp 3.15). Ele não se contradiz. No versículo 12, "perfeito" é a linha de chegada, que ninguém cruza antes da ressurreição. No versículo 15, a palavra grega teleios descreve o crente maduro — e a marca dessa maturidade é exatamente saber que ainda não chegou e continuar correndo. A tradição wesleyana, da qual o movimento pentecostal é herdeiro, chamou isso de perfeição cristã: não um crente que não erra mais, mas um coração inteiro no amor. "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento." (Mt 22.37) — e "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mt 22.39). Isso não tem nada a ver com perfeccionismo, a cobrança ansiosa de nunca falhar. O perfeccionista vive com medo; o amor maduro vive em paz: "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor" (1 Jo 4.18).
"Prossigo"
Paulo conclui que esse futuro pertence aos que prosseguem. Como ainda não chegou, ele avança com todas as forças em direção à sua apreensão final de Cristo — um desfecho perfeito para quem tinha escrito: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Fp 1.21).
Mas repare na segunda metade do versículo 12, que é a mais bonita: ele prossegue para alcançar "aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus". Cristo o encontrou primeiro. Paulo não corre para ser aceito; corre porque já foi alcançado, chamado e capacitado. "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro." (1 Jo 4.19). Essa verdade tira o peso, mas não tira a responsabilidade. A graça chega antes e capacita; o crente responde, coopera e corre. Paulo diz o mesmo em outro lugar: "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo." (1 Co 15.10).
אב No original — grego. No versículo 12, "alcançar" e "fui preso" vêm do mesmo verbo, katalambanō: agarrar, pegar com a mão, como o perseguidor que finalmente alcança quem ele persegue. Paulo faz um jogo de palavras: "corro para agarrar aquilo para o qual eu fui agarrado". Na estrada de Damasco, o perseguidor foi alcançado por Cristo. A corrida dele, desde então, é a resposta a esse encontro.
A revista traz aqui uma frase dura e necessária: Deus pode usar quem falha, mas não usa quem desiste. E logo explica que há gente que para no meio do caminho por causa dos próprios pecados, "por querer ser mais justa que Deus", e gente que para porque se sente sem forças. Os dois estão sentados na igreja. O primeiro se olha, se acha indigno e desiste — parece humildade, mas é o contrário: é colocar o próprio julgamento acima da sentença de Deus. Se Deus perdoou e a pessoa não aceita o perdão, o critério dela passou a valer mais que o dEle. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça." (1 Jo 1.9). O segundo não é rebelde; está cansado. Desânimo, culpa, sensação de rejeição e de inferioridade são muito comuns na nossa geração. Para esse, a palavra que a revista lembra é de consolo: "Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão." (Is 40.31).
E a boa notícia completa a frase da revista: Deus não usa quem desiste, mas vai atrás de quem desistiu. Elias pediu para morrer debaixo de um zimbro: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida" (1 Rs 19.4) — e Deus lhe deu pão, descanso e uma nova missão. João Marcos abandonou a viagem missionária no meio (At 13.13), e anos depois Paulo escreveu: "Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério." (2 Tm 4.11). Pedro negou Jesus três vezes; "E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente." (Lc 22.62). Depois voltou a pescar (Jo 21.3) — e o Ressuscitado foi até a praia procurá-lo e o restaurou com três perguntas: "Simão, filho de Jonas, amas-me?" (Jo 21.17).
🕊 A nossa leitura — Pedro e Judas. Os dois andaram com Jesus, viram as mesmas maravilhas e falharam na mesma noite. A diferença entre eles não foi o tamanho da falha; foi o que fizeram depois. Pedro chorou, voltou e se deixou restaurar. Judas não voltou. A Bíblia leva a sério o risco de alguém abandonar a corrida — "nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim" (Hb 3.14) —, e por isso Paulo diz "prossigo" e não "já cheguei". Mas isso não é convite ao medo. Ninguém é eliminado da corrida cristã por chegar devagar ou por tropeçar. Sair da pista é uma decisão — e quase sempre é uma decisão lenta: ninguém sai de uma vez; a pessoa vai diminuindo o passo até parar. Quem tropeçou, levanta. A restauração está aberta, e quem permanece em Cristo descansa naquele "que é poderoso para vos guardar de tropeçar" (Jd 24).
"Não julgo que o haja alcançado"
Nos versículos 13 e 14, Paulo repete a ideia. Não é distração; é ênfase: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado". E aqui a revista aponta o terceiro grupo que para de correr — o mais difícil de ajudar: quem acha que já chegou. Essa pessoa não se sente mal pelos seus pecados nem pela sua frieza. Sente-se resolvida. Costuma saber muito e ser crente há muito tempo. E, justamente por isso, abandona as disciplinas da vida cristã: para de orar, para de ler a Palavra, para de jejuar, para de se consagrar. Quem já chegou não precisa mais correr.
Um bom atleta não abandona a corrida antes de completá-la. Paulo, depois de tudo o que viveu, continuava fazendo coro ao profeta: "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor" (Os 6.3). A pergunta, então, é para nós: será que nos acostumamos com a presença de Deus? Você ainda tem fome de oração e de Palavra, ou acha que já sabe o suficiente?
🏛 Curiosidade — para onde o corredor olhava. Nos jogos da Grécia antiga, havia no fim da pista um juiz que entregava o prêmio ao vencedor. O corredor não olhava para o chão, nem para os lados, nem para trás: olhar para trás era perder a passada, e perder a passada era perder a corrida. E o prêmio era uma coroa de folhas, que secava em poucos dias. Por isso Paulo escreve aos coríntios: "E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível." (1 Co 9.25). A nossa coroa não seca — e quem a entrega é o próprio Senhor.
II — Uma Coisa Faço
Paulo, como um atleta competente, reúne todas as suas forças no que é mais importante e resume tudo numa frase: "mas uma coisa faço" (Fp 3.13). A revista lembra que a mesma ideia aparece em dois outros lugares. Davi: "Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo." (Sl 27.4). E Jesus a Marta: "Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." (Lc 10.41,42).
Repare como as circunstâncias eram diferentes: Davi estava num palácio, Marta na cozinha da própria casa, Paulo numa prisão. O que se repete não é a situação; é a direção. Não é a circunstância que define se você consegue prosseguir; é para onde você está olhando.
E vale entender o que "uma coisa" não quer dizer. Não significa que existe uma única atividade que você vai fazer pelo resto da vida, nem que estudo, trabalho, família e descanso deixam de importar. A revista explica: essa "coisa" não era a única, mas a mais importante — aquela que, sendo feita, faz todo o restante entrar no lugar. Quando Cristo está no centro, o resto se organiza em volta dEle.
Esquecendo-se do passado
"...esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim," (Fp 3.13). Aqui é preciso separar dois passados diferentes.
O primeiro é o passado religioso. Os judaizantes estimulavam os filipenses o tempo todo a olhar para trás e a voltar às regras da Torá como condição de salvação. Esse passado não era pecado — era coisa boa que tinha ficado para trás, porque Cristo a cumpriu. Por isso mesmo era mais difícil de largar: tinha cara de fidelidade. Voltar parecia ser mais sério com Deus. É o que acontece com quem confunde rigor com maturidade. E Paulo, que tinha o currículo religioso mais impressionante da sala, já tinha dito que considerava tudo aquilo "como escória" (Fp 3.8). Entra aqui também o troféu antigo: o "eu já fui", o tempo em que você orava muito, o ministério da adolescência. Gratidão pelo que Deus fez é bom; viver disso é parar de correr.
O segundo é o passado pessoal — fatos culturais, pessoais, familiares e sociais, como diz a revista. O erro que você cometeu. O que fizeram com você. A casa de onde você veio. A fama que você tem no bairro. Muita gente fica presa a esses fatos e não consegue se libertar, e isso vai minando as forças para seguir adiante.
E aqui está a chave: Paulo nunca apagou o próprio passado. Ele se lembrava muito bem de que tinha perseguido a igreja, e falava disso: "Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." (1 Tm 1.15). Esquecer, no sentido de Fp 3.13, não é apagar a memória. É parar de deixar o passado decidir o próximo passo. Uma pessoa lembra do erro e segue andando para a frente. Outra consulta o erro antes de cada decisão — e acaba vivendo a vida inteira decidindo pequeno, para não arriscar errar de novo. Deus não nos chamou para viver pequeno por causa do medo. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Co 5.17).
❤ Para a sua vida — quando o que ficou para trás é uma ferida. Se o que você carrega é algo que fizeram com você — abuso, violência, humilhação, abandono —, ouça com cuidado: Fp 3.13 não manda você fingir que não aconteceu, não manda calar e não manda "superar logo". A culpa não é sua. Esquecer não é apagar, e prosseguir não dispensa ajuda. Contar a alguém de confiança, procurar o pastor, fazer acompanhamento com psicólogo ou médico e, quando for crime, buscar a proteção da lei não são sinais de pouca fé; podem ser exatamente o próximo passo da corrida. O Deus da lição é o mesmo que "Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas." (Sl 147.3). Cura, muitas vezes, é um caminho — e Ele caminha junto.
Avançando
O corredor de Paulo não só deixa de olhar para trás; ele se estende para a frente. E para onde ele corre? A revista é clara: o avanço é até a linha de chegada escatológica, o alvo supremo de todo cristão — ser achado nEle, algo que só se completará quando os crentes atravessarem as portas da eternidade.
E aqui a revista faz um aviso que vale ouro para a nossa geração: muitos coaches usam este texto para estimular as pessoas a chegar ao "topo" e ficar lá, mas o sentido desta Escritura está completamente no campo espiritual. Fp 3.14 não é sobre a sua melhor versão, sobre bater meta ou sobre prosperar. Paulo escreveu "prossigo" acorrentado, sem nenhuma carreira pela frente. Ter projetos — faculdade, concurso, emprego, um ministério — é legítimo, e dá para fazer tudo isso para a glória de Deus. Mas nada disso é o alvo. Se o curso trancar ou a vaga não vier, o alvo continua de pé, porque o alvo é Cristo.
🕊 A nossa leitura — sem cultura de desempenho. A imagem do atleta pode virar uma armadilha: transformar a vida cristã numa competição de produtividade espiritual, com ranking, cobrança e culpa por não render o suficiente. Não é isso. Na corrida de Paulo não há adversários para derrotar — só há uma Pessoa para alcançar. Ninguém corre para conquistar o amor de Deus; corre porque já foi alcançado por ele. O ritmo de cada um é diferente, e Paulo vai dizer isso no versículo 16. O que a corrida pede não é desempenho; é direção e constância.
Soberana vocação
"Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3.14). Quem corre com o céu em mente segue em frente com desejos santos, esforço e preparo constante, diz a revista. O céu é chamado de alvo porque resume o que todo cristão genuíno tem em vista, como o corredor que mantém os olhos fixos no objetivo. Se ele olha para os lados, perde a passada.
E qual é o prêmio? A revista responde a partir do contexto da carta: Paulo ansiava, acima de tudo, estar com Cristo, conhecê-lo completamente e ser transformado segundo a Sua imagem na ressurreição. Ele mesmo diz no capítulo 1: "tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor." (Fp 1.23). O prêmio da soberana vocação não é uma coisa que Cristo dá; é o próprio Cristo.
אב No original — grego. "Alvo" traduz skopos: a marca para onde se olha fixamente, o ponto de mira no fim da pista. "Prêmio" é brabeion, a recompensa que o juiz entregava ao vencedor. E "prossigo" é diōkō, o mesmo verbo do versículo 6, onde Paulo se descreve como "perseguidor da igreja". O homem que corria para destruir a igreja agora corre, com a mesma energia, atrás de Cristo. A graça não apagou a intensidade dele; mudou a direção.
III — O Presente e o Futuro
Depois da imagem do corredor que deixou o passado no passado e prosseguiu olhando para o alvo, Paulo fala de duas coisas: o jeito de viver agora e o que espera o fiel no fim da corrida.
"Andemos" e "sintamos"
"Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo." (Fp 3.16). Diante da imperfeição de todos nós, a exortação de Paulo se concentra em dois verbos. Andar é o comportamento externo; sentir é a disposição interior. A vida cristã exige coerência entre as duas coisas: atitudes e sentimentos moldados por Cristo, "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Fp 2.5). O que mais se vê na igreja é gente que anda certo por hábito e já não sente nada — e nem percebeu quando parou de sentir. E também há o contrário: quem sente muito no culto e anda de outro jeito na segunda-feira.
Agora repare no cuidado de Paulo: "naquilo a que já chegamos". Ele não cobra de ninguém um estágio que a pessoa ainda não alcançou. Cobra fidelidade no ponto em que ela está. Isso desmonta a comparação. Você não será avaliado pelo estágio do irmão ao lado, mas por andar de acordo com a luz que Deus já lhe deu. Para quem vive se medindo pelo feed dos outros, isso é libertador.
Paulo ainda acrescenta: "Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam." (Fp 3.17). Não é culto à personalidade. É o discipulado mais antigo que existe: aprender a correr olhando para quem corre bem — e o próprio Paulo corria olhando para Cristo. Logo em seguida ele chora pelos que andam como "inimigos da cruz de Cristo" (Fp 3.18). O chamado é andar de modo digno, "como é digno da vocação com que fostes chamados" (Ef 4.1), mesmo no meio de pressões.
"Nossa cidade está nos céus"
"Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo," (Fp 3.20). Paulo volta ao prêmio e fala de uma cidadania melhor — um assunto que tocava fundo numa cidade como Filipos, que tinha o status de colônia romana (At 16.12). A frase era um alerta para que os filipenses não fizessem do modo de vida daquele lugar o seu alvo, mas mantivessem os olhos no futuro, na glorificação, lembrando que já possuíam a cidadania celestial.
🏛 Curiosidade — Roma em miniatura. Ser colônia romana era motivo de muito orgulho. Os moradores de Filipos tinham os direitos de cidadãos romanos, a cidade era administrada como se estivesse na Itália e o latim era usado nos atos oficiais, bem no meio da Macedônia. Paulo, que era cidadão romano de nascimento, sabia o peso do que estava dizendo. E chama Jesus de Salvador e Senhor — títulos que a propaganda do império gostava de dar a César. Paulo não manda ninguém rasgar a cidadania romana; ela continuava valendo. Ele só a coloca no lugar certo: existe uma mais alta.
A revista observa que vivemos uma crise migratória sem precedentes, com gente querendo uma nova nacionalidade. Paulo deixa claro que somos "estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11.13). E o evangelho costuma tratar assim o que é bom: não destrói, reposiciona. O seu estudo, o seu trabalho, o seu talento, a sua nacionalidade continuam fazendo parte da sua história. Só deixam de ser a coisa mais importante. "Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." (Hb 13.14).
Essa cidadania ninguém consegue por sorteio, por descendência ou por investimento. Ela é dada pela graça, a quem crê em Cristo, e já é real agora. E quem a recebeu é chamado a viver como cidadão dela até o fim — Paulo escreve logo depois: "estai assim firmes no Senhor, amados." (Fp 4.1). Quando temos consciência disso, passamos a pensar, agir e escolher as nossas prioridades com vista ao céu.
"Transformará o nosso corpo abatido"
Por fim, Paulo se concentra na volta de Cristo: "Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas." (Fp 3.21). Corpo abatido é o corpo que cansa, adoece, envelhece e não faz o que queremos. Você pode estar entre os vinte e os trinta anos e achar que essa conversa não é para você. Mas ela não é só sobre velhice. É sobre a dor crônica, a limitação, o diagnóstico em que o médico disse que não há mais o que fazer. Para quem vive isso, este versículo não é poesia; é promessa concreta. O corpo não vai só melhorar: vai ser transformado, conforme o corpo glorioso do Cristo ressurreto — o mesmo que disse aos discípulos: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo" (Lc 24.39).
E o versículo diz quem fará isso: o Senhor, "segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas". O Grande Imperador do universo não era César; é Jesus Cristo. A revista diz que o capítulo se fecha com chave de ouro: o sofrimento presente não é o fim da história, Deus está no controle e Cristo está voltando.
Fique claro, porém: para esse dia não há calendário. "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai." (Mt 24.36). Quem corre precisa saber que existe chegada; não precisa saber a hora da chegada. E isso não é motivo de medo, e sim de esperança. É essa a diferença no rosto de um cristão que, mesmo cansado, aflito ou triste, continua correndo: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos." (1 Jo 3.2).
Cristo na lição
O alvo de Paulo não é uma conquista; é uma Pessoa. Ele não corre para a linha no chão, mas para quem segura o prêmio — e quem segura o prêmio é o próprio prêmio. "Para conhecê-lo" (Fp 3.10) é o começo, o meio e o fim da corrida.
E a corrida só existe porque Cristo correu primeiro. Ele não ficou olhando de longe: "Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus." (Hb 12.2). Jesus morreu na cruz no nosso lugar, pagou pelos pecados que nos prendiam ao passado e ressuscitou ao terceiro dia. Por isso a culpa perdoada não precisa mais decidir os nossos passos, e por isso o poder da ressurreição não é uma metáfora: é o poder de quem saiu vivo do túmulo e hoje, pelo Espírito Santo, sustenta quem corre.
Foi Ele quem alcançou Paulo na estrada de Damasco. Foi Ele quem foi à praia procurar Pedro. É Ele quem vai atrás de quem parou. E é Ele quem espera no fim da pista — não com uma coroa de folhas, mas com um corpo glorioso, uma cidade preparada e a Sua própria presença para sempre. "e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Ts 4.17).
Se você ainda não entregou a sua vida a Cristo, a corrida começa aí: não com um currículo, mas com as mãos vazias diante de quem morreu e ressuscitou por você. E se você já O conhece, mas está parado — por culpa, por cansaço ou porque achou que já tinha chegado —, a voz que chamou Pedro de volta ainda chama. Levante-se. O prêmio é Ele.
Aplicação Prática
Na faculdade e no trabalho: meta não é alvo. Planeje o semestre, estude para o concurso, cuide da carreira — com excelência e para a glória de Deus. Mas não confunda. Se a sua paz depende de passar, de ser promovido ou de ter sucesso, a meta virou alvo. Pergunte-se: se esse plano não der certo, Cristo ainda é o meu ganho?
Se você acha que já chegou. Repare no que foi saindo da rotina sem barulho: a oração sozinho, a leitura da Bíblia fora do culto, o jejum, a fome de Deus. Ninguém sai da pista de uma vez; vai diminuindo o passo até parar. Volte a um hábito esta semana — não para merecer nada, mas porque quem conhece alguém quer passar tempo com ele.
Se você parou por culpa ou por cansaço. A culpa que Deus já perdoou não tem mais o direito de decidir o seu próximo passo (1 Jo 1.9). E cansaço não é rebeldia. Converse com alguém maduro na fé, volte para a comunhão e lembre de Pedro: a diferença entre ele e Judas não foi o tamanho da queda, foi deixar-se restaurar.
Se o seu passado é uma ferida. Prosseguir não é fingir que não doeu. Procure ajuda — pastor, professor, psicólogo, médico. Pedir socorro é um passo da corrida, não uma saída dela.
Oração Final
Senhor Jesus, obrigado porque Tu nos alcançaste primeiro. Nós não corremos para ser aceitos; corremos porque fomos achados por Ti. Perdoa-nos quando trocamos o alvo — quando o sucesso, a comparação ou o troféu antigo tomam o Teu lugar. Tira das nossas costas a culpa que Tu já perdoaste, e cura as feridas que não escolhemos carregar. Levanta quem parou por cansaço e acorda quem achou que já tinha chegado. Dá-nos fome de Te conhecer: o poder da Tua ressurreição e a comunhão nos Teus sofrimentos. Que o nosso andar e o nosso sentir sejam um só, e que vivamos aqui como quem tem a cidade nos céus. Guarda-nos de tropeçar até o dia em que transformarás o nosso corpo abatido e estaremos para sempre contigo. Tu és o prêmio. Em Teu nome, amém.
Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.
Perguntas Frequentes
O que significa 'prossigo para o alvo' em Filipenses 3.14?+
Paulo usa a imagem das corridas dos jogos antigos. 'Prossigo' traduz o verbo grego diōkō, o mesmo que ele usou para dizer que tinha sido perseguidor da igreja (Fp 3.6): é correr atrás com todas as forças. O 'alvo' é a marca no fim da pista, para onde o corredor olha sem desviar. E o próprio contexto mostra qual é esse alvo: 'Para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição' (Fp 3.10). Não é sucesso, cargo nem meta pessoal; é conhecer a Cristo cada vez mais, até o dia em que O veremos face a face.
O que é a 'soberana vocação de Deus em Cristo Jesus'?+
É o chamado que vem do alto: Deus chama o pecador, em Cristo, para ser dEle agora e estar com Ele para sempre. 'Soberana' indica que é o chamado mais alto que existe, acima de qualquer carreira ou título. O prêmio dessa vocação não é uma coroa de folhas, como a dos atletas, mas uma 'incorruptível' (1 Co 9.25): estar com Cristo, conhecê-lo plenamente e ser transformado à Sua imagem na ressurreição (Fp 3.20,21; 1 Jo 3.2).
'Esquecendo-me das coisas que atrás ficam' significa apagar o passado?+
Não. Paulo nunca esqueceu que tinha perseguido a igreja — ele mesmo conta isso em várias cartas (1 Tm 1.15). Esquecer, aqui, é parar de deixar o passado decidir o próximo passo: nem o troféu religioso antigo, nem a culpa que Deus já perdoou (1 Jo 1.9). E quando o que ficou para trás é uma ferida — abuso, violência, luto, trauma —, esquecer não é fingir que não aconteceu, nem calar, nem dispensar tratamento. Pedir ajuda ao pastor, a um psicólogo ou a um médico faz parte do caminho de quem prossegue.
Paulo se contradiz ao dizer 'não que já seja perfeito' (v. 12) e 'todos quantos já somos perfeitos' (v. 15)?+
Não. No versículo 12, Paulo fala da linha de chegada: ninguém está completo antes da ressurreição. No versículo 15, a palavra grega teleios descreve o crente maduro — e o sinal dessa maturidade é justamente saber que ainda não chegou e continuar correndo. A tradição wesleyana, da qual o movimento pentecostal é herdeiro, chama isso de perfeição cristã: não é ausência de falhas nem perfeccionismo, é o coração inteiro no amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39).
Filipenses 3.14 é uma frase motivacional para metas e sucesso?+
Não. A própria revista avisa que muitos coaches usam esse texto para estimular as pessoas a chegar ao 'topo', mas o sentido dele é completamente espiritual. Faculdade, concurso, emprego e projetos são legítimos e podem ser feitos para a glória de Deus, mas não são o alvo de Fp 3.14. Paulo escreveu 'prossigo' preso, sem carreira nenhuma pela frente. O alvo dele era uma Pessoa: 'Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho' (Fp 1.21).
Se nem Paulo tinha alcançado, como posso ter certeza da minha salvação?+
Paulo não duvidava da sua salvação; ele sabia que ainda não tinha chegado à glória final. Quem está em Cristo tem paz hoje: 'Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus' (Rm 8.1). Ao mesmo tempo, a Bíblia trata a caminhada como algo real, que pede perseverança: 'nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim' (Hb 3.14). Não é convite ao medo: a graça sustenta quem permanece, e Deus é 'poderoso para vos guardar de tropeçar' (Jd 24).
Guia do Professor
Essência da aula
O alvo não é uma conquista, é uma Pessoa: quem foi alcançado por Cristo prossegue para conhecê-lo, sem deixar o passado decidir o próximo passo, até o dia em que O verá face a face.
Mapa da aula
| Tempo | Etapa |
|---|---|
| 0–5 min | Abertura — "prossigo" escrito na prisão; pregador ou coach? |
| 5–15 min | Ponto 1 — Conhecer a Cristo e ainda não ter chegado (revista, Tópico I) |
| 15–22 min | Dinâmica — "Biografia ou convivência?" |
| 22–32 min | Ponto 2 — Uma coisa faço: o que fica para trás e o alvo (revista, Tópico II) |
| 32–40 min | Ponto 3 — Andar e sentir agora; a cidade e o corpo glorioso (revista, Tópico III) |
| 40–45 min | Amarração + desafio da semana + oração |
Comece assim
Escreva no quadro, bem grande, a palavra PROSSIGO. Depois pergunte:
"Quando vocês ouvem 'prossiga para o alvo', quem vocês imaginam falando: um pregador ou um coach?"
Deixe responderem. Vão aparecer respostas como "coach", "palestra motivacional", "aquele post de academia", "pastor em congresso de jovens". Então conte: "O homem que escreveu essa palavra estava preso. Acorrentado, sem carreira pela frente, sem saber se sairia vivo. 'Prossigo' não é discurso de quem está numa fase boa. E ele tinha o melhor currículo religioso da geração dele — e mesmo assim escreveu que ainda não tinha chegado. Hoje vamos ver uma corrida que não se ganha por velocidade, e sim por não parar."
Em seguida, proponha a pergunta de reflexão — em silêncio, sem ninguém responder em voz alta: "Existe alguma coisa que você fez, ou que fizeram com você, que você ainda carrega e que mudou o jeito como você se vê?" Dê alguns segundos e diga apenas: "Guarde a resposta. A lição de hoje fala com ela."
Dica de preparo — o texto na revista e na Bíblia da classe. (1) O texto principal da revista (Fp 3.14) é igual ao da Almeida Corrigida Fiel; só muda a letra inicial, porque na Bíblia o versículo continua a frase do versículo 13: "Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (2) Na leitura em classe (Fp 3.12-17; 3.20,21), as pequenas diferenças entre a redação da revista e a ACF são: v. 15 "Pelo que todos quantos" × "Por isso todos quantos" e "doutra maneira" × "de outra maneira"; v. 20 "donde" × "de onde". O sentido não muda. (3) Os 6.3, citado no Tópico I, está na ACF assim: "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor". (4) A Leitura Semanal da revista traça o perfil do corredor: Seg Mt 16.25 (a vida cristã exige renúncia) · Ter Hb 12.1 (perseverança na caminhada) · Qua At 20.24 (vivendo para cumprir a missão) · Qui Fp 1.21 (Cristo é o centro) · Sex Cl 3.11 (Cristo é tudo em todos) · Sáb Hb 11.26 (olhando para a recompensa eterna). Se a classe tem grupo de mensagens, mande um por dia.
Ponto 1 — Conhecer a Cristo e ainda não ter chegado
- Na revista: Tópico I — "Conhecendo plenamente a Cristo", subitens 1 ("Não que já a tenha alcançado"), 2 ("Prossigo") e 3 ("Não julgo que o haja alcançado"), com a pergunta "Você concorda que Deus pode usar quem falha, mas não usa quem desiste?", o quadro "Ponto importante" e o quadro de apoio sobre conhecer a Cristo de modo pessoal e experiencial. Cobre o 2º Objetivo — analisar o que significa conhecer plenamente a Cristo — e começa o 1º.
- O que ensinar: saber acerca de Cristo é informação; conhecer a Cristo é convivência (Fp 3.10; Jo 17.3). Paulo, que viu o Ressuscitado, diz que ainda não chegou — e quem tem a verdadeira graça deseja mais graça. Ele corre porque foi alcançado primeiro ("preso por Cristo"), e isso tira o peso sem tirar a responsabilidade. Três tipos de pessoa param: quem se acha indigno demais, quem está sem forças e quem acha que já chegou. Deus não usa quem desiste — mas vai atrás de quem desistiu: Elias, Marcos, Pedro.
- Versículo-âncora (ACF): "Não que já a tenha alcançado, ou que já seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus." (Fp 3.12).
- Pergunta-chave: "Qual é a diferença entre saber muito sobre Jesus e conhecer Jesus? Dá para ter o primeiro sem o segundo?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "dá, tem gente que sabe tudo de Bíblia e vive longe de Deus", "conhecer é ter intimidade", "é orar, não só estudar". Aprofunde: "Paulo tinha visto o Cristo ressurreto e escrito cartas que estão na nossa Bíblia, e mesmo assim disse 'não que já a tenha alcançado'. O que isso diz sobre quem acha que já sabe o suficiente?"
- Se ninguém falar: dê o exemplo de alguém que você admira e nunca encontrou — um autor, um jogador da seleção de outra época, um cientista — e diga tudo o que sabe sobre ele. Depois pergunte: "Eu conheço essa pessoa?" A turma responde sozinha.
Ponto 2 — Uma coisa faço: o que fica para trás e o alvo
- Na revista: Tópico II — "Uma coisa faço", subitens 1 (Esquecendo-se do passado), 2 (Avançando) e 3 (Soberana vocação), com a pergunta "Por que Paulo usa a metáfora de um atleta para retratar a jornada cristã?", o quadro "Ponto importante" sobre a disciplina do atleta e o quadro de apoio sobre o prêmio. Cobre o 1º Objetivo — estimular os jovens a prosseguir no crescimento espiritual, com os olhos no Céu.
- O que ensinar: "uma coisa" não é a única coisa da vida, mas a mais importante, a que organiza o resto (Sl 27.4; Lc 10.41,42). Há dois passados: o religioso (o troféu, o "eu já fui", as regras que tinham cara de fidelidade) e o pessoal (o erro, o que fizeram com você, a família, a fama). Paulo nunca apagou o próprio passado (1 Tm 1.15); esquecer é parar de deixar o passado decidir o próximo passo. O alvo não é o "topo" dos coaches: é Cristo, e o prêmio é estar com Ele (Fp 1.23).
- Versículo-âncora (ACF): "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim," (Fp 3.13).
- Pergunta-chave: "Qual é a diferença entre lembrar de um erro e deixar esse erro decidir as suas escolhas?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "lembrar é normal, o problema é viver preso", "quem errou fica com medo de tentar de novo", "a gente vive se justificando". Aprofunde: "Paulo cita o próprio passado de perseguidor em várias cartas. Ele lembrava. O que mudou foi quem decidia o próximo passo. O que, na nossa geração, costuma decidir os passos de um jovem cristão no lugar de Cristo?"
- Se ninguém falar: faça a cena do corredor sozinho, na frente da turma: dê três passos olhando para trás e quase tropece na cadeira. Pergunte: "Que tipo de 'olhar para trás' faz a gente tropeçar na vida com Deus?" — e dê o primeiro exemplo: "viver do tempo em que eu orava muito".
Cuidado, professor — leia antes de domingo. 1. A pergunta da abertura é silenciosa. Ninguém deve contar em voz alta o que carrega. Se alguém quiser falar, ouça depois da aula, em particular. 2. "Esquecer o passado" não é ordem para vítima calar. Pode haver na sala alguém que sofreu abuso, violência ou humilhação. Diga com todas as letras: esquecer não é fingir que não aconteceu, a culpa não é da vítima, e pedir ajuda — pastor, psicólogo, médico, a lei quando for crime — faz parte de prosseguir. Se alguém abrir algo assim, acolha sem pedir detalhes na frente da turma ("obrigado por confiar; vamos conversar depois da aula") e leve à liderança pastoral no mesmo dia. 3. Nada de cultura de desempenho. A imagem do atleta não é ranking espiritual. Não compare alunos, não elogie "quem ora mais", não transforme a aula em cobrança. 4. Perseverança sem pânico. A frase da revista "Deus não usa quem desiste" precisa vir junto com a outra metade: Ele vai atrás de quem desistiu. Ninguém deve sair da aula achando que um tropeço o desclassificou. Também não ensine "uma vez salvo, salvo para sempre": o texto diz "prossigo", e Hb 3.14 fala em reter a confiança até o fim. 5. Data da volta de Cristo. Se surgir conversa sobre datas, sinais ou "previsões", feche com Mt 24.36: ninguém sabe o dia.
Ponto 3 — Andar e sentir agora; a cidade e o corpo glorioso
- Na revista: Tópico III — "O presente e o futuro", subitens 1 ("Andemos" e "sintamos"), 2 ("Nossa cidade está no Céu") e 3 ("Transformará nosso corpo abatido"), com o quadro de apoio que cita a Bíblia de Estudo Pentecostal sobre os cristãos como peregrinos, o quadro do professor com a citação de Myer Pearlman e a Conclusão. Cobre o 3º Objetivo — estudar o futuro glorioso dos que andam com Deus.
- O que ensinar: andar (comportamento) e sentir (disposição interior) precisam andar juntos (Fp 3.16; 2.5). Paulo cobra fidelidade "naquilo a que já chegamos", não o estágio do irmão ao lado — isso desmonta a comparação. Filipos se orgulhava de ser colônia romana; Paulo não destrói essa cidadania, aponta uma mais alta (Fp 3.20). E Cristo voltará e transformará o corpo que cansa, adoece e envelhece (Fp 3.21) — sem data marcada, com esperança e sem medo.
- Versículo-âncora (ACF): "Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo," (Fp 3.20).
- Pergunta-chave: "Se a nossa cidade está nos céus, o que isso muda nas escolhas de um jovem na segunda-feira?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "muda o que eu priorizo", "não me desespero se algo der errado aqui", "não vivo só para mim". Aprofunde: "Paulo não mandou os filipenses rasgarem a cidadania romana. Ele a colocou em segundo lugar. O que, na sua vida, é bom e legítimo, mas está ocupando o primeiro lugar?"
- Se ninguém falar: conte de alguém que você conheceu — sem nome — que enfrentava uma doença grave ou uma limitação e encontrou esperança em Fp 3.21. Depois pergunte: "Para essa pessoa, esse versículo é poesia ou promessa?"
Dinâmica
- Objetivo: sentir na prática a diferença entre saber acerca de alguém e conhecer alguém — o centro do Tópico I.
- Materiais: quadro (ou folha grande) e caneta. Nada precisa ser comprado.
- Passo a passo: divida o quadro em duas colunas: BIOGRAFIA e CONVIVÊNCIA. Escolha uma figura pública conhecida de todos e respeitável — um personagem da história do Brasil, um cientista, um atleta famoso — e peça que a turma diga, em voz alta, tudo o que sabe sobre ela: onde nasceu, o que fez, por que é famosa. Anote na coluna BIOGRAFIA. Em seguida, faça as perguntas da outra coluna: "O que deixa essa pessoa triste? Como ela reage quando alguém a decepciona? Qual é o jeito dela de rir?" A turma não vai saber. Agora peça que cada um pense — sem falar — em alguém com quem convive: mãe, avó, um amigo. "Vocês saberiam responder essas perguntas sobre essa pessoa?" Deixe alguns segundos. Ninguém precisa compartilhar nada pessoal.
- Amarração (volta ao texto): "Dá para encher a coluna da biografia de Jesus e deixar a da convivência vazia. Dá para acertar tudo num quiz bíblico e nunca ter conversado com Ele. Paulo sabia tudo sobre a Lei e mesmo assim chamou de 'excelência' outra coisa: 'o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor' (Fp 3.8). E disse: 'para conhecê-lo' (Fp 3.10). A pergunta de hoje é: em que coluna está o seu relacionamento com Jesus?"
Se te perguntarem isso
- Pergunta: "Se nem Paulo tinha alcançado, como eu posso ter certeza de que sou salvo? E se eu cair, perco tudo?" Resposta curta: Paulo não duvidava da salvação; dizia que ainda não tinha chegado à glória final. Quem está em Cristo tem paz hoje: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1). A Bíblia também leva a sério a perseverança: "se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim" (Hb 3.14). Mas tropeçar não é sair da corrida. Pedro caiu feio e foi restaurado. Quem cai, confessa e volta (1 Jo 1.9). E quem permanece descansa naquele que "é poderoso para vos guardar de tropeçar" (Jd 24). Fé não é viver com medo; é correr confiando.
- Pergunta: "Esquecer o passado quer dizer que eu tenho que fingir que aquilo não aconteceu? Se eu tiver fé, não preciso de terapia?" Resposta curta: Não e não. Paulo nunca apagou a memória de que perseguiu a igreja (1 Tm 1.15); ele só não deixava aquilo decidir o próximo passo. Se o que ficou para trás é algo que fizeram com você, a culpa não é sua, e esquecer não é calar. Procurar o pastor, um psicólogo ou um médico não é falta de fé — é cuidar do corpo e da alma que Deus criou. Deus "Sara os quebrantados de coração" (Sl 147.3), e muitas vezes usa pessoas nesse caminho.
- Pergunta: "Paulo diz que não é perfeito no versículo 12 e, no 15, diz 'todos quantos já somos perfeitos'. Não é contradição?" Resposta curta: No versículo 12, perfeito é ter cruzado a linha de chegada, o que só acontece na ressurreição. No 15, a palavra significa maduro: maduro é justamente quem sabe que ainda não chegou e continua correndo. Na tradição wesleyana, que a nossa fé pentecostal herdou, perfeição cristã é amor maduro — o coração inteiro voltado para Deus e para o próximo (Mt 22.37-39) —, não perfeccionismo nem um crente que nunca erra.
- Pergunta: "Então ter metas, como passar num concurso ou crescer na carreira, é errado? Isso não é coisa de coach?" Resposta curta: Ter metas não é pecado; trabalhar e estudar bem honra a Deus. O problema é quando a meta vira o alvo, e a paz e a identidade dependem dela. A própria revista avisa que coaches usam Fp 3.14 para falar de chegar ao "topo", mas o texto é espiritual. Paulo escreveu "prossigo" preso, sem carreira. O alvo dele era Cristo: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp 1.21). Se a vaga não vier, o alvo continua de pé.
Amarração + desafio da semana
- Amarração: "Começamos com a palavra PROSSIGO, escrita por um homem preso que já tinha visto o Cristo ressurreto e mesmo assim dizia: ainda não cheguei. Ele não corria para um troféu, nem para o topo, nem para se livrar da culpa. Corria para uma Pessoa — o Jesus que morreu no nosso lugar, ressuscitou e vai voltar para transformar o nosso corpo abatido. O passado não decide mais o próximo passo de quem foi alcançado por Ele. Lembrem: o alvo não é uma conquista; é uma Pessoa. E Deus vai atrás de quem parou."
- Desafio: Abra mão, por sete dias, de um hábito com que você fica olhando para trás ou para os lados nesta corrida. Escolha um só e seja concreto: reler a conversa antiga que ainda te acusa, voltar ao perfil de quem você vive comparando com você, recontar o "no meu tempo eu orava muito" em vez de orar hoje. Cada vez que a vontade vier, troque esse minuto por Filipenses 3.13,14 lido devagar e uma frase de oração: "Senhor, eu quero Te conhecer mais." Domingo, volte com a história. (Ao cobrar no domingo, pergunte o que aconteceu quando a vontade apareceu — nunca qual era o hábito, se a pessoa não quiser dizer. Se alguém contar que o que ficou para trás é uma ferida séria, converse em particular depois da aula e leve à liderança pastoral.)
Kit do professor
- Antes: leia os três tópicos da revista, a "Interação", a "Orientação pedagógica" com as quatro perguntas de autoanálise (use-as como reflexão silenciosa, não como confissão em voz alta) e os quadros de apoio; leia Filipenses 3 inteiro na ACF, de uma vez, e João 21.1-17, para ter a restauração de Pedro fresca na memória. Assista à vídeo-aula quando estrear. Leia com atenção o quadro "Cuidado, professor". As perguntas da "Hora da revisão" servem bem para os últimos minutos.
- Leve: Bíblia ACF, quadro e caneta para a palavra PROSSIGO e para as duas colunas da dinâmica. Tenha anotado o telefone da liderança pastoral.
- Ore antes: pelos alunos que estão parados por culpa ou cansaço, para que ouçam a voz que chamou Pedro de volta; pelos que carregam feridas que não escolheram; e por você, para ensinar sem cobrança e sem medo, apontando para Cristo e não para o desempenho.
Lição de Casa
Sua missão da semana
Abra mão, por sete dias, de um hábito com que você fica olhando para trás ou para os lados nesta corrida. Escolha um só e seja concreto: reler a conversa antiga que ainda te acusa, voltar ao perfil de quem você vive comparando com você, recontar o "no meu tempo eu orava muito" em vez de orar hoje. Cada vez que a vontade vier, troque esse minuto por Filipenses 3.13,14 lido devagar e uma frase de oração: "Senhor, eu quero Te conhecer mais." Domingo, volte com a história.
Por quê
Paulo não apagou o passado; parou de deixar que ele decidisse o próximo passo: "esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3.13,14). O corredor que olha para trás ou para os lados perde a passada. Esta semana você vai treinar o olhar — não para provar nada a Deus, mas porque o alvo é uma Pessoa, e você quer conhecê-la.
Como saber que você fez
Você sabe dizer qual hábito largou, quantos dos sete dias conseguiu e o que fez com aquele minuto quando a vontade veio. Se o que ficou para trás é algo que fizeram com você, abrir mão não é calar: conte a alguém de confiança — o pastor, o seu professor, um profissional — ainda nesta semana.
Domingo, volte com a história
Não precisa dizer qual era o hábito, se não quiser. Conte o que aconteceu quando a vontade de olhar para trás apareceu — e o que mudou quando você olhou para a frente. A aula que vem começa com quem fez — não fique de fora.













