A Verdadeira Alegria

Lição 1 · 4º Trimestre 2026 · 20/09/2026 · 21 min de leitura

Por Equipe Marcas Editora

TEXTO ÁUREO

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. [...] Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. (Sl 1.1,3)

O primeiro salmo abre o hinário de Israel colocando dois caminhos diante do povo e diz que o homem feliz é como uma árvore plantada junto ao rio: a folha não cai e o fruto vem no tempo certo. A revista ilustra isso com Abraão, que saiu do meio de gente que não queria saber de Deus, acreditou na promessa e viu a casa encher de riso quando Isaque nasceu. Uma aula em ciclos curtos, com galho verde, galho seco, gesto de árvore e a certeza de que a alegria de verdade mora pertinho de Jesus.

Professora, esta lição tem uma imagem só, e é ela que a sua turma vai levar para casa: uma árvore plantada do ladinho do rio — verdinha, cheia de fruta, com a folha que não cai. Guarde essa imagem, porque a manhã inteira caminha para ela.

Hoje começa um trimestre novo, e o livro que a turma vai conhecer é o de Salmos — o livro das músicas para Deus. Antes de qualquer cântico de festa, o hinário de Israel abre com um poema que coloca dois caminhos diante do povo: o de quem escuta o conselho ruim e o de quem escuta a Palavra de Deus. É o Salmo 1, e ele diz onde mora a alegria de verdade.

Para a criança de 3 e 4 anos, isso cabe numa frase só. Repita a manhã inteira, sempre com as mesmas palavras: "Quem escuta o Papai do Céu fica alegre e forte, igual à arvorezinha do rio."

E tem um contraste que segura a atenção do Maternal do começo ao fim: o galho verde e o galho seco. Um bebeu água e está bonito, cheio de folha; o outro ficou longe da água e murchou. Nessa idade, o objeto na mão ensina o que a explicação não ensina.

Dois cuidados antes de começar, e os dois são de doutrina.

O primeiro é a frase final do versículo: "e tudo quanto fizer prosperará" (Sl 1.3). Ela está lá, é Palavra de Deus, e não é promessa de dinheiro, brinquedo ou pedido atendido na hora. O salmo fala de uma árvore que não seca porque a raiz alcança a água — uma vida enraizada em Deus, que dá fruto no tempo certo. Se a aula sair de casa com "obedeça e Deus te dá um presente", a criança aprendeu barganha, não fé. E no primeiro pedido não atendido, a fé racha.

O segundo é o moralismo. O Salmo 1 puxa fácil para "seja bonzinho que Deus te abençoa" — e não é isso. A felicidade do justo não é prêmio por bom comportamento: é estar perto de Deus. Quem cumpriu o Salmo 1 do começo ao fim, sem escorregar uma vez, foi Jesus — e é por estar pertinho dele que a gente fica verde e dá fruto. Guarde isso para o fim da história; o artigo volta ao assunto na seção sobre Cristo.

I — Chegada: a sala vira o cantinho de Salmos

Chegue cedo. Hoje é o primeiro domingo do trimestre, e a sala precisa estar pronta antes da primeira criança entrar — quem chega e encontra a professora ainda colando cartolina perde a surpresa.

Monte os cantinhos temáticos como a revista pede, com o tema "Vamos conhecer o livro de Salmos": cenas e figuras de louvor pelas paredes, e um mural grande em formato de harpa. Esse mural é do trimestre inteiro — a cada domingo, depois da história, você cola nele a figura da cena principal daquela lição. Em treze semanas a harpa estará cheia, e as crianças vão saber apontar cada história. Vale a fita crepe.

Reserve também um cantinho especial para a história, com almofadas no chão, que acomode todas as crianças sentadas. Capriche: é ali que a turma vai passar o pedaço mais importante da manhã.

Quando as crianças chegarem, receba cada uma pelo nome, agachada na altura dos olhinhos, e apresente os cantinhos com entusiasmo — leve a turma para ver a harpa, deixe encostar, deixe apontar. Depois, faça a oração inicial, bem curta, de mãozinhas juntas e olhinhos fechados, em eco: "Papai do Céu... obrigado pela aulinha... abre o meu coração... para escutar a tua voz... em nome de Jesus, amém." Pause de verdade em cada reticência; é o tempo de a criança repetir.

Em seguida, o louvor. A revista traz um corinho de comandos, todo feito de gesto, e ele é perfeito para abrir: "olhe para a esquerda e dê um sorriso — você é de Jesus; olhe para a direita e grite bem alto — eu sou de Jesus", com passo à frente e passo atrás. Faça grande, faça rindo, faça duas vezes. Nessa idade, o corpo aprende antes da cabeça.

Acrescente o gesto da árvore, que vai voltar a manhã inteira e serve para chamar a turma de volta a cada troca de bloco: pé bem firme no chão — "a raiz!"; braços para cima — "os galhos!"; dedinhos abertos — "as folhas!"; e balança com o vento, shhhh. Faça esse gesto na entrada de cada etapa nova.

❤ Para o coração da criança. O primeiro domingo do trimestre é o domingo em que a criança decide se aquela salinha é um lugar bom. Ela não vai lembrar do que você explicou — vai lembrar se foi recebida pelo nome, se pôde encostar na harpa e se a titia estava sorrindo na porta. Chegue cedo por causa disso.

II — O versículo: a árvore plantada junto ao rio

Aqui está o coração do ensino de hoje, e a revista resolve com uma ideia simples e ótima: um cartaz de duas faces.

Prepare antes. Numa cartolina, escreva o versículo com letras grandes e coloridas. Do outro lado, desenhe uma árvore bem grande, cheia de frutas. Cole o cartaz no quadro com a face da árvore para fora — o versículo fica escondido.

Comece pela árvore. Converse com a turma sobre o desenho, sem pressa: "Que desenho é esse? Muito bem, uma árvore! Olha quantas frutinhas ela tem! Quem gosta de fruta? Levanta a mão!" Espere de verdade — conte até cinco em silêncio. Vão levantar a mão, vão gritar o nome da fruta preferida, alguém vai contar da mangueira do vizinho. Acolha tudo.

Aí diga: "As frutas são muito importantes, elas servem de comidinha para a gente. E sabem de uma coisa? A Bíblia, a Palavra de Deus, usa uma árvore para ensinar uma lição muito importante. Vamos virar o cartaz para ver que lição é essa?" Vire o cartaz e leia o versículo.

Na sua Bíblia, em ACF, o texto é este:

"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores." (Sl 1.1)

"Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." (Sl 1.3)

"Bem-aventurado" é um jeito bonito de dizer feliz. Diga assim para a turma, com essas palavras: "Feliz é quem não escuta conselho de gente que fala coisa feia e ensina a desobedecer." Só isso. Não é hora de explicar ímpio, pecador nem escarnecedor.

E entre os dois versículos há um que a revista quase não toca, mas que muda o tom da aula inteira: "Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite" (Sl 1.2). Sem ele, a lição vira só uma lista de "não faça". Com ele, a criança entende que o feliz não é quem apenas se afasta do ruim — é quem gosta do que Deus fala e presta atenção nisso o dia todo. Para a turma, traduza assim: "meditar é prestar atenção no que o Papai do Céu fala e guardar aqui dentro, no coração" — mão no peito, de dia e de noite.

Agora a explicação da árvore, do jeito que a revista ensina e que funciona muito bem nessa idade. A árvore tem vida: quando não recebe água, ela seca, murcha e não dá mais fruta. Mas, se recebe água, fica bonita, de galho forte e fruta gostosa. E o Papai do Céu diz na Palavra dele que não devemos seguir conselho de gente ruim — devemos buscar bons conselhos. E onde é que a gente acha bom conselho? Na Bíblia. Quem escuta os conselhos do Papai do Céu é como a árvore plantada do ladinho do rio: sempre tem água pertinho, e por isso vive bem, com galho forte e fruta boa.

A lição objetiva que fixa tudo. Leve dois galhos: um verde, com folha de verdade, e um seco, sem nenhuma folha. Mostre o seco bem perto, com cara de dó: "coitadinha, essa arvorezinha ficou longe da água. Secou, murchou, perdeu a folhinha." Depois levante o verde: "e essa aqui ficou pertinho da água. Olha que verde, que forte!" Ponha um copo com água na mesa e faça o galho verde "beber": gluc, gluc, gluc. Então pergunte, com a mão no peito: "e a gente? A gente tem raiz? A gente tem o coração! Quando a gente escuta a Bíblia, ora e canta para o Papai do Céu, é o nosso coração bebendo água."

Os dois galhos ficam na sua mão — galho de verdade tem ponta e farpa, e não passa de mão em mão. O copo com água também é só seu.

🏛 Curiosidade — por que uma árvore, e não uma flor? No lugar onde esse salmo foi escrito, o verão queima e muitos riachos secam. Árvore verde no meio daquele calor não é paisagem comum: é uma árvore que alguém plantou de propósito junto de um canal de água. Por isso a imagem era tão forte para quem ouvia. Não é uma árvore sortuda — é uma árvore plantada no lugar certo, com a raiz alcançando água o ano inteiro. Guarde isso: ninguém fica alegre por acaso; fica alegre quem está plantado perto de Deus.

E um aviso sobre a última frase do versículo, "e tudo quanto fizer prosperará". Ela aparece por inteiro no cartaz, porque é o versículo inteiro — mas não comente essa parte com a turma e não prometa nada. Prosperar aqui é a vida que dá fruto no tempo certo, não a vida sem problema nem a vida com brinquedo novo. A criança de 3 anos não distingue as duas coisas; ela só ouve a promessa. Fique na água, na raiz e na fruta.

III — A história: Abraão esperou, e a casa encheu de riso

Leve a turma para o cantinho da história, sentadinha em roda, com as figuras da revista na mão. A revista começa a história pelo fim, e é um começo esperto: primeiro o bebê, depois o porquê.

(Mostre a figura do bebê, ou embale um bonequinho enrolado no paninho.)

Olha que bebê lindo! Está rindo! Está todo mundo contente com esse bebezinho. Vocês querem saber o nome dele? I-SA-QUE. Vamos falar junto, batendo palminha? I-SA-QUE! Ele é bonito, é forte, e a casa inteira está feliz porque ele chegou.

(Agora volte no tempo. Voz de segredo.)

Mas para entender por que todo mundo está tão feliz, a gente precisa voltar um pouquinho. O papai desse bebê se chama Abraão, e a mamãe se chama Sara. Eles moravam bem longe daqui, numa casa de pano, que a gente chama de tenda, com o ventinho batendo assim — shhhh.

E eles estavam tristes. Muito tristes. Sabem por quê? Porque eles queriam muito, muito, muito ter um bebezinho... e o bebê não chegava.

Aí um dia Abraão foi conversar com o Papai do Céu e pediu um filhinho. E Deus disse para ele: "Confia em mim. Eu vou te dar um filho. Pode demorar um montão de tempo... mas eu prometo."

E demorou! Abraão ficou velhinho, de barba branquinha, e Sara também. Mas Abraão acreditou. Todo dia ele olhava para o céu e pensava: "Deus prometeu. Deus vai cumprir." Vamos falar junto? "Deus prometeu, Deus vai cumprir!"

Abraão era amigo de Deus. Ele fazia o que Deus mandava, e Deus o amava. E quem ama e obedece ao Papai do Céu é alegre e feliz.

(Agora a mudança de lugar. Faça de conta que caminha.)

Só que tem mais uma coisa. Abraão morava num lugar onde as pessoas eram malvadas: gente que não queria saber de Deus, que falava coisa feia e ensinava a desobedecer. E Abraão não ficou lá, não! O Papai do Céu falou: "Sai daqui. Vai para a terra que eu vou te mostrar." E ele foi. Juntou as coisas, chamou a Sara, levou os bichinhos e andou, andou, andou...

(Marcha no lugar com a turma inteira. Um, dois, um, dois.)

...até chegar numa terra linda chamada Canaã. E olha o que tinha lá: plantas verdinhas, frutas grandonas, bichinhos de todo tipo — e água fresquinha correndo. Vocês gostariam de conhecer esse lugar?

Percebeu, professora? É aqui que a história encontra o versículo. Diga em voz alta para a turma: "Parece a árvore do salmo, né? A árvore que mora do ladinho do rio! Abraão saiu do meio da gente malvada, prestou atenção no que Deus falou — e ficou igual àquela árvore, com a raiz pertinho da água."

(Volte ao bebê. Sorria grande.)

E aí, depois de muito tempo esperando, aconteceu o que Deus tinha prometido: o bebê nasceu! Isaque! E sabem o que a mamãe Sara falou quando ele nasceu? Está escrito na Bíblia:

"E disse Sara: Deus me tem feito riso; todo aquele que o ouvir se rirá comigo." (Gn 21.6)

O nome Isaque quer dizer riso. Deus encheu a casa de Abraão de alegria — não porque Abraão foi o melhorzinho, não porque ele ganhou um prêmio, mas porque Deus prometeu e Deus cumpriu.

E é essa a lição da manhã: as pessoas que gostam de Deus e prestam atenção em tudo o que Ele diz são como aquela árvore plantada perto do rio, cheia de galho, de folha e de fruta. A água do rio molha a árvore, ela cresce bonita, e aparece um montão de frutinha — fruta tão gostosa que dá para alegrar até quem estava triste.

(Cuidados de condução. Leia antes de entrar no cantinho.)

Três coisas que ficam de fora hoje, e não é por descuido. Não nomeie o "lugar de gente malvada" nem descreva o que faziam lá: para a criança de 3 anos, isso vira medo, e medo apaga a história. Diga "gente que não queria saber de Deus" e siga. Não conte o que veio depois na vida de Isaque — não é desta lição e não é desta idade. E não avance para o fim do salmo: o texto continua falando da palha levada pelo vento e do caminho que perece (Sl 1.4-6), e isso é conversa para turma grande. Aqui o contraste fica só entre o galho com água e o galho sem água — coisa de planta, não de gente. Não se ensina alegria com ameaça.

IV — A árvore da turma: mãozinhas verdes no tronco

A revista fecha a manhã com uma atividade que é das melhores do trimestre, porque o resultado fica na parede e a criança se vê nele.

Desenhe e recorte antes da aula o tronco de uma árvore em cartolina marrom e prenda-o no quadro com fita adesiva. Na aula, contorne em cartolina verde uma das mãos de cada criança e escreva o nome ao lado, para ninguém se perder. Recorte as mãozinhas — o recorte é seu — e, com a ajuda das crianças, cole cada uma na parte de cima do tronco. As mãos viram as folhas, e a árvore da turma nasce na parede.

Enquanto a turma trabalha, converse: "Como fica uma árvore sem água? Isso mesmo, ela morre. E se a árvore for plantada perto do rio? Ela vive e dá fruta boa. O Papai do Céu disse que, se a gente ouvir e obedecer à Palavra dele, vai ser como essa árvore aqui."

Três ajustes de segurança e de alcance, e eles importam:

Tesoura e cola são suas. Sempre. Nenhuma criança de 3 anos recorta cartolina, e cola branca não é para ficar na mão de quem ainda leva tudo à boca. Você recorta, ela cola o pedacinho pronto.

Contorne sem segurar. Peça que a criança apoie a mãozinha aberta no papel sozinha, e contorne por fora, sem apertar nem puxar o braço. Criança pequena estranha ser segurada, e algumas se retraem muito. Quem não quiser pôr a mão no papel desenha a mão do jeito dela, ou escolhe uma folha verde que você já recortou — e cola com a mesma festa, as mesmas palmas e o mesmo elogio. Nenhuma criança fica de fora da árvore.

Material caro não é requisito. Se faltar cartolina verde, use qualquer papel: folha de revista velha, papel de pão pintado com giz de cera, papel de saco. A árvore não fica menos bonita, e a turma não fica esperando a semana em que houver verba.

Depois da colagem, tire uma foto da árvore pronta com as crianças em volta, para o mural da harpa crescer junto. E termine com o versículo em eco, com os três gestos sempre iguais: em "como a árvore", bracinhos para cima; em "plantada", pé firme no chão; em "junto a ribeiros de águas", mãozinhas fazendo a onda da água. Três vezes, do devagar ao alegre.

🕊 A nossa leitura. Meditar na Palavra, no Salmo 1, não é esvaziar a cabeça nem repetir uma palavra até perder o sentido. A ideia por trás do texto é a de alguém que fica murmurando o que leu, remoendo, voltando ao mesmo trecho — como quem chupa uma fruta até o fim. É por isso que a nossa leitura da Bíblia é em voz alta, com oração no meio, sem pressa. E é por isso que a revista insiste com a professora: quando estiver ensinando a Bíblia às crianças, nunca leia correndo. Leia devagar, com atitude de oração. A criança copia o jeito com que você trata o Livro muito antes de entender o que está escrito nele.

Cristo na lição

Comece pelo problema que o Salmo 1 cria, porque é dele que sai o evangelho.

O salmo descreve um homem perfeitamente feliz, e o descreve por três recusas seguidas: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores" (Sl 1.1). Repare no movimento: primeiro anda, depois para, depois senta. É uma descida lenta, e ninguém desce de uma vez. Agora faça a pergunta honesta: quem, nesta sala, nunca andou, nunca parou e nunca se sentou nessa roda? Nem a professora, nem o pastor, nem Abraão. Abraão foi amigo de Deus e homem de fé — e mesmo ele escorregou algumas vezes. Se o Salmo 1 fosse só um espelho, ele nos condenaria a todos.

Só que existe Um a quem essa descrição serve inteira: "O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" (1 Pe 2.22). Jesus é o homem bem-aventurado do Salmo 1. Ele nunca andou no conselho dos ímpios, nunca parou no caminho dos pecadores, nunca se assentou na roda dos escarnecedores. Teve prazer na lei do Senhor e meditou nela de dia e de noite. O salmo não é a nossa foto: é a foto dele. E a nossa alegria começa quando a gente para de tentar posar para essa foto e passa a estar com aquele que já está nela.

Daí vem a segunda ponte, e ela é a própria imagem da aula. A árvore do salmo dá fruto porque está ligada à água; e Jesus usou exatamente essa figura para explicar de onde vem o fruto da nossa vida: "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5). Videira é a árvore que dá uva; a vara é o galho. Ou seja: a árvore do rio, no fundo, é Cristo, e nós somos os galhinhos. Fruto não é resultado de esforço apertado — é resultado de estar grudado. E repare no fim do versículo, que é a frase mais antimoralista da Bíblia: sem mim nada podeis fazer. Nada. Nem a criança, nem a professora.

Isso muda o tom da conversa sobre obediência. A revista tem razão quando liga obediência e alegria — Abraão obedeceu e foi feliz, e é verdade. Mas a ordem importa. Abraão não comprou Isaque com bom comportamento: Deus prometeu primeiro, Abraão creu, e a promessa se cumpriu. O riso da casa dele foi presente de Deus, não pagamento por serviço prestado. Por isso Sara pôde dizer, e a frase é de graça pura: "Deus me tem feito riso; todo aquele que o ouvir se rirá comigo" (Gn 21.6).

E há uma última ponte, que o Maternal não vai entender hoje mas que você precisa saber para não pousar a aula no lugar errado. O Salmo 1 termina dividindo dois caminhos: "Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá" (Sl 1.6). "Conhecer", ali, não é apenas ter informação — é o cuidado de quem toma conta. Nós estávamos no caminho errado, e foi o Justo que veio para o nosso lugar, para que o nosso caminho fosse trocado. Não fugimos do caminho que perece porque somos melhores; fugimos porque Jesus nos chamou — e Ele continua chamando, sem arrastar ninguém. A escolha é real, e a graça é dele do começo ao fim.

Para a criança, tudo isso cabe em três frases, e é assim que você diz, depois da história e antes da oração:

"Abraão era amigo de Deus, mas até ele errou algumas vezes. Sabe quem nunca errou nenhuma vezinha? Jesus. Ele é a árvore de verdade — e quem fica grudadinho nele fica alegre e forte, igual à arvorezinha do rio."

Uma frase só sobre o erro de Abraão, sem contar nenhum episódio. A criança não precisa de exemplo; precisa entender que o lugar mais alto é de Jesus.

Aplicação Prática

Leiam a Bíblia devagar dentro de casa. Não precisa ser muito: um versículo por dia, em voz alta, com a criança no colo. O que forma a criança nessa idade não é a quantidade — é ver que na casa dela o Livro de Deus é aberto com carinho e sem pressa. Ela vai tratar a Bíblia do jeito que viu vocês tratando.

Contem para a criança quando Deus cumpre alguma coisa. A história de hoje é de uma promessa que demorou. Quando algo que a família pediu em oração acontecer, digam em voz alta na frente dela: "lembra que a gente pediu? O Papai do Céu cuidou." É assim que a criança pequena aprende que Deus é fiel — por episódio contado, não por doutrina explicada.

Cuidado com a troca de alegria por presente. É fácil dizer "se você obedecer, Deus te dá". Troquem a frase: "quando a gente escuta o Papai do Céu, a gente fica alegre por dentro." A primeira ensina barganha; a segunda ensina fé. A diferença aparece anos depois, na primeira oração não respondida do jeito que ela queria.

Escolham juntos de que roda sair. O salmo começa com um "não" bem simples: não ir junto quando o outro fala coisa feia. Na idade do Maternal, isso é concreto — a criança repete a palavra que ouviu, do jeito que ouviu. Em vez de brigar, ofereçam a troca: "essa palavra machuca. Na nossa casa a gente fala assim." E olhem para o que toca na casa e para o que a criança assiste: é o conselho que ela está escutando todo dia.

Molhem a raiz da casa, não só a da criança. A árvore do salmo é aquela cuja raiz alcança a água o ano inteiro. Se a Bíblia só é aberta no domingo, é o domingo que rega. Comecem pequeno e fixo: um versículo no jantar, uma oração de uma frase antes de dormir. Fixo vale mais que longo.

Oração Final

Papai do Céu, obrigado por abrir este trimestre com estas crianças. Obrigado pelo teu Livro, que a gente pode abrir sem pressa e ler em voz alta dentro de casa. Obrigado por Abraão, que escutou o Senhor, saiu de onde estava e esperou confiando — e obrigado porque o Senhor cumpriu o que prometeu e encheu aquela casa de risada. Senhor, guarda o coração destas crianças pertinho da tua água, como a árvore plantada junto ao rio. Ensina cada uma delas, desde agora, que a alegria de verdade não é prêmio nem presente: é estar com o Senhor. E que elas cresçam grudadinhas em Jesus, que é a videira verdadeira e o único que andou no teu caminho sem escorregar nenhuma vez. Abençoa cada família desta salinha e cada professora. Em nome de Jesus, amém.

Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.

Perguntas Frequentes

O que a lição 1 do Maternal ensina sobre a verdadeira alegria?+

Que a alegria de verdade não vem de ganhar coisas nem de ser o melhorzinho da turma: vem de andar no caminho de Deus, ouvindo o que Ele diz. O Salmo 1 desenha isso com uma árvore: 'Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão' (Sl 1.3). A criança de 3 e 4 anos não guarda a explicação, guarda a imagem e a frase — e a frase da aula é esta: quem escuta o Papai do Céu fica alegre e forte, igual à arvorezinha do rio.

Qual é o texto áureo da lição 1 do Maternal e como ensinar a crianças de 3 e 4 anos?+

É Salmos 1.1,3, e a leitura bíblica da classe é Salmos 1.1-6. Em ACF o versículo inteiro é comprido demais para essa idade, então ensine só um pedacinho, sempre com as mesmas palavras e os mesmos gestos: 'como a árvore plantada junto a ribeiros de águas' (Sl 1.3). Três gestos fixos: em 'como a árvore', os bracinhos sobem; em 'plantada', os pés batem firme no chão; em 'junto a ribeiros de águas', as mãozinhas fazem a onda da água. Repita três vezes, do bem devagar ao bem alegre. A revista traz o versículo numa redação mais simples, feita para a criança repetir — use a da sua Bíblia quando for ler, e a da revista quando for repetir junto com a turma.

O que significa tudo quanto fizer prosperará no Salmo 1?+

Significa vida enraizada na Palavra de Deus, e não dinheiro garantido. O salmo está falando de uma árvore que não seca porque a raiz alcança a água — uma vida que dá fruto no tempo certo, inclusive nos anos difíceis. Não prometa à criança que, se ela obedecer, Deus vai dar brinquedo, presente ou pedido atendido: isso ensina barganha, e no primeiro pedido não atendido a fé racha. Diga o que o texto diz: quem fica pertinho de Deus fica forte, alegre e cheio de coisa boa para dar aos outros.

Por que a revista conta a história de Abraão e Isaque numa lição sobre o Salmo 1?+

Porque o salmo é um poema, não uma biografia — e a revista escolheu um exemplo concreto de alguém que viveu o que o poema descreve. Abraão saiu do meio de gente que não queria saber de Deus, acreditou na promessa mesmo demorando um montão de tempo, e quando Isaque nasceu a casa encheu de riso: 'E disse Sara: Deus me tem feito riso; todo aquele que o ouvir se rirá comigo' (Gn 21.6). Conte assim, do jeito que a revista conta. Só não diga que o Salmo 1 é a história de Abraão, e não transforme Isaque em prêmio por bom comportamento: foi promessa de Deus cumprida.

Como fazer a árvore de mãozinhas do Espaço das Artes com segurança?+

Tesoura e cola são sempre suas, nunca da criança — o recorte do tronco e das mãozinhas é trabalho da professora. Na hora de contornar a mão, deixe a criança apoiar a mãozinha sozinha no papel e contorne sem segurar nem apertar; quem não quiser, desenha a mão do jeito dela ou escolhe uma folha que você já recortou, e cola do mesmo jeito, com a mesma festa. Se faltar cartolina verde, qualquer papel serve — folha de revista, papel de pão pintado com giz de cera. A árvore da turma não precisa de material caro para ficar linda.

Maternal

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