O Espírito Santo Atuando no Crente

Lição 7 · 4º Trimestre 2026 · 01/11/2026 · 21 min de leitura

Por Equipe Marcas Editora

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Domingo, 1 de novembro

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TEXTO ÁUREO

“E não vos embriagueis com vinho, em que há dissolução, mas enchei-vos do Espírito.” (Ef 5.18)

A lição acompanha a promessa de Jesus na última noite, outro Consolador para ficar para sempre, e mostra o que o Espírito Santo faz na vida de quem crê: habita na salvação, reveste de poder, convence o pecador e, no cristão, ensina, faz lembrar, dá dons e dirige. Termina na escolha de Efésios 5.18 entre dois enchimentos e em Cristo, a quem o Espírito glorifica.

Existe uma solidão que não tem nada a ver com estar sozinho. É estar no meio de gente, numa festa, no intervalo, no grupo de conversa, e ser o único ali que precisa decidir diferente. Todo mundo vai, você não vai. Todo mundo ri, você não ri. Essa solidão não melhora com mais gente em volta; piora. E foi para gente nessa situação que Jesus disse uma das frases mais consoladoras da Bíblia: "Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós" (Jo 14.18).

Repare onde essa frase foi dita. Jesus está no cenáculo, na última noite, e sabe que em poucas horas vai ser preso. Ninguém gasta as últimas horas com assunto secundário. O que está em João 14 é o que Ele considerou essencial. E a lição de hoje responde a uma pergunta prática: o que exatamente o Espírito Santo faz na vida de quem crê, hoje, num dia comum?

A leitura em classe é João 14.16-20,26-31. O texto áureo é de Paulo, numa carta a uma igreja: "E não vos embriagueis com vinho, em que há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). A primeira passagem é uma promessa; a segunda, uma ordem. Jesus promete que o Espírito vem para ficar. Paulo diz o que fazer com isso: deixar-se encher dEle, todo dia.

O caminho tem três passos, na ordem da revista: quem é esse Consolador prometido, os dois aspectos da atuação dEle no crente (na salvação e no revestimento de poder) e o que Ele faz no pecador e no cristão. Uma frase vai voltar até o fim: você não foi deixado sozinho na decisão.

I — Ele é o Consolador prometido

Olhe a sequência de João 14. Primeiro, Jesus manda não se preocuparem: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim" (Jo 14.1). Depois, fala das moradas na casa do Pai (Jo 14.2). Depois, autoriza pedirem em nome dEle: "E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho" (Jo 14.13). E por último vem a maior de todas: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (Jo 14.16).

Não é um consolo qualquer, nem uma lembrança para guardar na gaveta. É outro Consolador. E repare no tempo do verbo: o Pai "vos dará". Não é talvez, não é possibilidade. É promessa com data, e a data chegou no Pentecostes. Joel já tinha anunciado: "derramarei o meu Espírito sobre toda a carne" (Jl 2.28). E Pedro, cheio do Espírito naquele dia, disse até onde a promessa ia: "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (At 2.39). Vós, filhos, os que estão longe. Você está nessa lista.

אב No original — grego. "Consolador" traduz paráklētos, formado de pará ("ao lado") e de um verbo que quer dizer "chamar". Ao pé da letra: alguém chamado para ficar ao lado. A palavra descreve uma posição, não um sentimento: ao lado, não em cima, não à distância. E o "outro" de João 14.16 é állos, palavra que costuma indicar outro do mesmo tipo. Jesus não promete uma coisa diferente dEle; promete Alguém como Ele.

O Espírito de verdade vem para fazer pelos discípulos o que Jesus fazia enquanto estava com eles. A revista lista quatro coisas, e todas continuam valendo hoje.

Ajudar. Lembra de Pedro afundando no mar? "E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o" (Mt 14.31). O Espírito continua estendendo a mão. Mas ajudar não é fazer no seu lugar; é estar junto enquanto você faz. Isso muda a expectativa. Quem espera que Ele resolva tudo por você vai achar que Ele falhou toda vez que a coisa der trabalho. Se você orou e a prova continuou difícil, isso não quer dizer que Ele não estava lá.

Dar a direção certa. E o texto diz como: "esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (Jo 14.26). Voltaremos a esse versículo no fim da lição, porque ele é o coração do assunto.

Consolar nos momentos difíceis. "Não vos deixarei órfãos" (Jo 14.18). Órfão é quem perdeu quem cuidava. Jesus usa essa palavra de propósito, porque era assim que aqueles homens iam se sentir dali a algumas horas. Eles não iam ficar sem instrução; iam ficar sem presença. E repare: Jesus não diz "não se sintam órfãos". Ele diz que não vai deixar órfãos. A diferença é entre controlar o sentimento e mudar o fato.

Interceder em oração. "E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Rm 8.26). Tem hora que você não sabe nem o que pedir, e isso não é defeito seu: está previsto no texto. A sua oração atrapalhada, curta, cheia de silêncio, não chega ao Pai sozinha.

🔬 A nossa leitura — o Filho pede, o Pai dá, o Espírito é outro. João 14.16 é uma das frases mais claras da Bíblia contra o unicismo, a doutrina que ensina que Pai, Filho e Espírito Santo são uma só Pessoa que aparece de três modos. Leia devagar: o Filho roga, o Pai dá, e o Espírito é "outro Consolador". Uma pessoa só não roga a si mesma nem promete a si mesma como "outro". Por isso as comparações da água que vira gelo e vapor, ou do homem que é pai, filho e marido, não servem: as duas descrevem uma coisa só mudando de forma ou de papel, que é exatamente o unicismo. A Bíblia mostra três Pessoas que se relacionam e um só Deus. Nenhuma comparação tirada da criação dá conta do Criador.

E tudo isso fecha com o "para sempre". No Antigo Testamento, o Espírito vinha sobre pessoas escolhidas, para tarefas específicas, e podia se retirar. Davi tinha visto isso acontecer com Saul: "E o Espírito do Senhor se retirou de Saul" (1 Sm 16.14). Por isso orou: "não retires de mim o teu Espírito Santo" (Sl 51.11). Com a promessa de Jesus, muda o jeito: da parte de Deus, o Espírito vem para ficar, não para uma visita. Da nossa parte, a Bíblia continua pedindo cuidado: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus" (Ef 4.30). Ele é Pessoa, e relação com pessoa se cuida.

II — O Espírito Santo operando no crente

O Espírito age de muitos jeitos na vida do cristão: guia, livra do perigo, fala ao coração, ajuda a tomar decisão. Mas a revista destaca dois aspectos como os mais importantes, e eles são coisas diferentes: a salvação e o revestimento de poder. Muita gente confunde os dois a vida inteira.

Na salvação

Quando uma pessoa ainda sem Cristo dá ao Espírito uma oportunidade, por pequena que seja, Ele começa a obra: convence do pecado e da necessidade de se arrepender. E quando a pessoa se decide por Jesus, o Espírito passa a habitar nela. Paulo escreve: "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.9).

Repare no peso disso. Não existe cristão sem o Espírito Santo. Se a pessoa é de Cristo, Ele habita nela. Isso não é uma experiência extra para quem é mais espiritual; é o começo. E resolve uma angústia muito comum: se você é de Cristo, Ele já está em você, inclusive nos dias em que você não sente nada. "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16).

E tem uma coisa que acontece no instante em que a pessoa crê: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). Repare no tempo do verbo: já passaram. Não é promessa para quando você melhorar. Sem o Espírito, diz a revista, a pessoa não teria forças para resistir ao mal e procurar o bem. Com Ele, tem.

No revestimento de poder

O segundo aspecto é o batismo no Espírito Santo, que a revista chama de revestimento de poder. No dia de Pentecostes, "todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem" (At 2.4). O falar em outras línguas é o sinal evidente desse batismo. A lição de hoje só apresenta esse assunto; a doutrina inteira é a próxima aula.

Mas um detalhe precisa ficar claro hoje, porque ele explica por que são duas coisas. Os discípulos já tinham o Espírito antes do Pentecostes. Na noite da ressurreição, Jesus "assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo" (Jo 20.22). E mesmo assim mandou que esperassem: "ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lc 24.49). Se fossem a mesma coisa, não haveria o que esperar. O próprio Jesus disse para que servia esse poder: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas" (At 1.8). O Espírito em você é a salvação (Jo 14.17); o Espírito sobre você é o revestimento para o testemunho.

🕊 A nossa leitura — sem segunda categoria. Vale dizer com cuidado, para ninguém sair daqui triste: quem ainda não recebeu o batismo no Espírito Santo não é cristão de segunda categoria. É cristão que ainda não recebeu, e a promessa também é para ele (At 2.39). E quem já recebeu não é melhor do que ninguém: recebeu para servir, não para se comparar. A Bíblia nunca usa o batismo no Espírito como medida de espiritualidade; usa como capacitação para o testemunho. Um aspecto te faz filho, o outro te faz testemunha, e nenhum dos dois existe para você se sentir especial. Ninguém precisa ser pressionado, levado à frente ou ensinado a repetir palavras: quem concede a fala é o Espírito (At 2.4).

III — A atuação do Espírito Santo

A terceira parte da lição separa duas atuações: o que o Espírito faz em quem ainda não creu e o que Ele faz em quem já é de Cristo.

No pecador

Jesus disse: "E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo" (Jo 16.8). A revista mostra que essa atuação acontece em três esferas.

A primeira é a mente. O Espírito usa a Palavra de Deus explicada para mostrar à pessoa o estado em que ela está: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes [...] e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hb 4.12). A pessoa entende que aquilo está errado e não consegue mais fingir que não sabe. E repare: a convicção do Espírito é específica. Ela aponta uma coisa concreta que precisa mudar. A acusação genérica, do tipo "você não presta", só afunda e não vem dEle.

A segunda são os sentimentos. A pessoa se sente culpada e percebe que precisa de perdão. Isso não é o mesmo que vergonha de ser pego. A vergonha some quando ninguém descobre; essa outra não some. Paulo explica a diferença: "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte" (2 Co 7.10).

A terceira é a vontade. E aqui muita gente para. Dá para entender que está errado, sentir o peso disso e mesmo assim não mudar nada. A revista diz com todas as letras: o Espírito age para que a pessoa não fique só no desejo de ser perdoada, mas se arrependa e mude o rumo da vida. Paulo descreve essa mudança: "vos despojeis do velho homem [...] E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade" (Ef 4.22-24).

אב No original — grego. A palavra do Novo Testamento para arrependimento é metánoia, "mudança de mente". Arrependimento, na Bíblia, não é só sentir muito; é virar o caminho. E mudar de mente muda o pé: quem virou a cabeça e continuou andando para o mesmo lugar não se arrependeu de nada.

🕊 A nossa leitura — Ele convence, não arrasta. Deus convence a mente e toca o sentimento, mas a vontade Ele respeita. A graça vem primeiro, e é ela que torna a pessoa capaz de responder; mas a resposta é dela. Estêvão disse aos líderes de Jerusalém: "vós sempre resistis ao Espírito Santo" (At 7.51). Se fosse impossível resistir, a frase não faria sentido. É por isso que a revista fala de dar uma oportunidade ao Espírito: Ele bate, chama, insiste, e a porta se abre por dentro.

No cristão

Nos salvos, a ação do Espírito começa no novo nascimento, e a lista muda: Ele produz crescimento, dá entendimento, ministra dons e dá direção. Repare que nenhuma das quatro é sentimento. São todas verificáveis: você cresce, entende, serve e é dirigido. "Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus" (Rm 8.14).

O crescimento não acontece de uma vez. Paulo diz que somos "transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2 Co 3.18). E é um trabalho em que o crente coopera: "operai a vossa salvação com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.12,13). Deus dá o querer e a força; você obedece. Os dons também não são troféu de uma elite: "Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil" (1 Co 12.7), e é o Espírito quem reparte "particularmente a cada um como quer" (1 Co 12.11).

Paulo diz ainda onde o Espírito mora: "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Co 6.19). Templo era a palavra para o lugar mais sagrado que aquele povo conhecia. Templo não é enfeite; é lugar onde alguém habita. Por isso o que se faz com o corpo passa a ser assunto de quem mora nele: "Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo" (1 Co 6.20).

O professor que faz lembrar

E agora o versículo que a lição guardou para o fim. Jesus disse quem faz esse trabalho em você: "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (Jo 14.26). Ele é professor. A revista diz que o Espírito tem uma missão intelectual nos discípulos de Cristo: ensinar e fazer lembrar. É Ele quem nos capacita a entender as verdades da Escritura, porque "o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus" (1 Co 2.14). E isso não é privilégio de alguns iluminados: "nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus" (1 Co 2.12). Nós, todos os que creem.

Repare em duas coisas nesse "fazer lembrar". A primeira: o Espírito não inventa uma revelação nova para você; Ele traz de volta o que Jesus já disse. Isso é uma proteção enorme. Quem diz que recebeu do Espírito uma coisa que contraria a Bíblia não recebeu do Espírito. A segunda: se não entrou, não tem o que lembrar. Ele faz lembrar do que você leu, do que ouviu na aula, do que decorou. Quem nunca leu não tem de onde ser lembrado.

Por isso a revista faz um apelo: frequente a Escola Dominical. Não porque é obrigação, mas porque é ali que entra o que Ele vai te fazer lembrar na hora da necessidade, na prova, na festa, no grupo de conversa, no dia em que você for o único a decidir diferente. Professor bom não decora a matéria por você; torna o seu estudo proveitoso.

🕊 A nossa leitura — a mensagem da Igreja. Se o Espírito faz lembrar "tudo quanto vos tenho dito", então a mensagem que Ele sustenta na Igreja tem dono: é a palavra de Jesus. Jesus disse: "ele testificará de mim" (Jo 15.26). Uma pregação, um louvor ou uma experiência que deixa Jesus em segundo plano pode até ter barulho, mas não tem a assinatura do Espírito. E o mesmo Espírito que foi derramado em Jerusalém continua agindo na Igreja hoje, com poder, dons e direção. Ele não foi embora com os apóstolos; veio "para sempre" (Jo 14.16).

O que enche o templo?

Se o corpo é templo, sobra uma pergunta: o que enche esse templo? E é aqui que entra o texto áureo. Paulo põe duas coisas lado a lado: "E não vos embriagueis com vinho, em que há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). Repare na construção: não... mas. Não é só uma proibição; é uma troca. Todo mundo se enche de alguma coisa. A pergunta não é se você vai se encher, mas do que você vai se encher.

אב No original — grego. "Dissolução" traduz asōtía: vida sem freio, que desperdiça tudo. É da mesma família da palavra que Lucas usa para o filho pródigo gastando a herança (Lc 15.13). E "enchei-vos" está num tempo que indica ação contínua e numa forma que indica algo que acontece com você: "ide sendo cheios", "deixai-vos encher". É uma ordem, então você participa; mas quem enche é Deus.

A embriaguez é o retrato de alguém controlado por outra coisa. O vinho toma o comando: muda a fala, o andar, as escolhas, e leva a uma vida que se desperdiça. A plenitude do Espírito é o contrário: alguém que deixa o comando com Deus. E o que sai dessa pessoa aparece nos versículos seguintes: "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais [...] Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Ef 5.19,20). E no fruto: "Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gl 5.22). Repare na última palavra: temperança, domínio próprio. Quem é cheio do Espírito não perde o controle de si; ganha.

Repare também que Paulo escreve isso para a igreja de Éfeso, para cristãos. Gente que já tinha o Espírito precisava ouvir "enchei-vos". Isso quer dizer que encher não é acontecimento único. Os mesmos discípulos que foram cheios no Pentecostes foram cheios de novo pouco depois: "e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus" (At 4.31). Não existe reserva espiritual. O que você buscou no ano passado não sustenta os próximos dias. "Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito" (Gl 5.25).

❤ Para a sua vida — sobre bebida, sem rodeio e sem humilhar ninguém. A Bíblia condena a embriaguez com clareza (Ef 5.18) e avisa: "O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora" (Pv 20.1). A Assembleia de Deus ensina a abstinência total: o crente não bebe. Não é para se achar mais santo que o colega; é prudência, cuidado com o templo e testemunho. Para quem tem menos de 18 anos, a lei brasileira também proíbe vender ou dar bebida alcoólica. Agora, se alguém da sua casa bebe demais, ouça isto com atenção: a culpa não é sua, a vergonha não é sua e consertar essa pessoa não é tarefa sua. Você não precisa esconder nem aguentar sozinho. Converse com um adulto de confiança, com o seu professor ou com o pastor; a igreja pode ajudar a sua família a encontrar apoio. E se em casa houver agressão ou ameaça, conte no mesmo dia. O adulto resolve; você avisa.

Ser cheio do Espírito também não é virar uma pessoa que nunca sofre e nunca erra. O Espírito "ajuda as nossas fraquezas" (Rm 8.26), e isso quer dizer que elas continuam lá. Quem erra confessa: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1 Jo 1.9). E volta a se deixar encher. A revista fecha assim: é o Espírito Santo quem dá poder e graça para a Igreja de Cristo, e só por meio dEle conseguimos vencer as adversidades e fazer a diferença nos lugares para onde formos enviados.

Cristo na lição

Volte à mesa do cenáculo. Por que o Espírito viria? Porque Jesus estava indo, e estava indo para a cruz. Ele mesmo explicou: "Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei" (Jo 16.7). Naquela mesma noite, Ele disse que o príncipe deste mundo se aproximava, "e nada tem em mim" (Jo 14.30), e terminou com "Levantai-vos, vamo-nos daqui" (Jo 14.31). Foi dali que Ele saiu para o Getsêmani. O Consolador foi prometido a caminho da cruz.

Tudo o que você leu hoje só é possível porque Jesus morreu na cruz no seu lugar e ressuscitou. Foi por isso que Ele pôde rogar ao Pai e enviar o Consolador. Repare na frase de Jesus no meio da leitura: "porque eu vivo, e vós vivereis" (Jo 14.19). A vida nova que o Espírito gera no crente é a vida do Cristo ressuscitado. Sem a sexta-feira e sem o domingo, não haveria Pentecostes.

E o Espírito não veio para chamar atenção para Si. Jesus disse: "Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar" (Jo 16.14). Ele é enviado "em meu nome" (Jo 14.26), ensina o que Jesus disse e faz lembrar o que Jesus disse. Quando você é cheio do Espírito, quem aparece não é você, nem o seu dom, nem a sua experiência. É Jesus.

✝ Cristo na lição. Não saia desta aula pensando que precisa se esforçar para "ficar cheio" e assim merecer alguma coisa de Deus. O Espírito é presente de quem já pagou tudo: Jesus roga ao Pai, o Pai dá, e o Consolador vem porque a cruz abriu o caminho. Você não foi deixado sozinho na decisão porque Jesus não te deixou órfão.

Aplicação Prática

Quando for o único a decidir diferente, lembre quem está ao seu lado. Na festa, no grupo de conversa, na escola: o Consolador é Aquele que foi chamado para ficar ao lado. Você pode até ser o único ali, mas não está sozinho. Não precisa enfrentar ninguém nem dar sermão em ninguém; precisa só não ir junto, e sair com respeito quando for o caso.

Coloque para dentro o que Ele vai te fazer lembrar. O Espírito faz lembrar do que entrou. Leia a Bíblia de verdade, venha à Escola Dominical, guarde versículos. Na hora do aperto, Ele vai buscar lá dentro o que você guardou.

Pergunte do que você tem se enchido. Não só de bebida. Do que você assiste, ouve e lê no fim do dia; das conversas que só terminam em briga; do deboche que vira hábito. "Não... mas": tire uma coisa e ponha outra no lugar. E faça isso hoje, porque o enchimento de ontem não serve para amanhã.

Se a sua casa sofre com o álcool, não carregue isso sozinho. A culpa não é sua. Fale com um adulto de confiança ou com o pastor. Pedir ajuda não é trair a sua família; é cuidar dela.

Oração Final

Espírito Santo, obrigado porque Jesus não me deixou órfão. Obrigado porque o Senhor não é força nem sensação, mas Alguém que foi chamado para ficar ao meu lado. Perdoa as vezes em que eu me enchi de coisas que me esvaziaram e depois culpei a Deus pelo que saiu de mim. Ensina-me e faz-me lembrar do que Jesus disse, na hora da prova, na festa, no grupo, no dia em que eu for o único a decidir diferente. Enche-me de novo hoje, e amanhã outra vez. Cuida das famílias que sofrem com a bebida e dá coragem a quem precisa pedir ajuda. E glorifica a Jesus em mim, o Senhor que morreu na cruz no meu lugar, ressuscitou e pediu ao Pai que me desse o Consolador. Em nome de Jesus, amém.

Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.

Perguntas Frequentes

O que significa ser cheio do Espírito Santo, segundo Efésios 5.18?+

Paulo escreve a cristãos: 'E não vos embriagueis com vinho, em que há dissolução, mas enchei-vos do Espírito' (Ef 5.18). É uma ordem, então depende de você também; e o verbo, no original, indica algo contínuo, como 'ide sendo cheios'. Não é um evento que acontece uma vez e acabou, nem um arrepio no culto. É deixar o Espírito ocupar o lugar de comando todos os dias. O resultado aparece na vida comum: cântico e gratidão (Ef 5.19,20) e o fruto do Espírito: 'amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança' (Gl 5.22).

Crente pode beber bebida alcoólica? O que a Assembleia de Deus ensina?+

A Bíblia condena a embriaguez com todas as letras (Ef 5.18) e avisa: 'O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora' (Pv 20.1). A Assembleia de Deus ensina a abstinência total: o crente não bebe. Não é para se achar melhor que ninguém; é prudência, cuidado com o corpo, que é templo do Espírito (1 Co 6.19), e amor a quem está em volta. Para quem tem menos de 18 anos, a lei brasileira também proíbe vender ou dar bebida alcoólica. E se alguém da sua casa tem problema com álcool, isso não é culpa sua nem vergonha sua: converse com um adulto de confiança ou com o pastor.

Qual a diferença entre ter o Espírito Santo e ser batizado no Espírito Santo?+

Todo crente em Jesus tem o Espírito: 'se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele' (Rm 8.9). Isso acontece na salvação. O batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder para testemunhar: 'Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós' (At 1.8). Os discípulos já tinham recebido o Espírito quando Jesus soprou sobre eles (Jo 20.22) e, mesmo assim, Ele mandou esperar até serem 'revestidos de poder' (Lc 24.49). A evidência inicial é falar em outras línguas (At 2.4). Quem ainda não foi batizado no Espírito não é crente de segunda categoria.

O que quer dizer Paracleto, ou Consolador?+

É a palavra que João usa para o Espírito Santo em João 14.16. No grego, 'paráklētos' quer dizer alguém chamado para ficar ao lado: quem ajuda, defende, consola. A ACF traduz por Consolador. E Jesus diz 'outro Consolador': outro como Ele, Pessoa, e não uma força ou uma sensação. Jesus estava indo para o Pai, e o Espírito viria para ficar 'para sempre' (Jo 14.16).

Como o Espírito Santo convence alguém do pecado?+

Jesus disse que o Espírito 'convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo' (Jo 16.8). Ele age na mente, mostrando com clareza o que está errado; nos sentimentos, trazendo a tristeza de quem sabe que precisa de perdão, que é diferente da vergonha de ter sido pego; e na vontade, chamando a pessoa a mudar de rumo. Ele convence, mas não arrasta: a pessoa pode resistir (At 7.51). Por isso a Bíblia distingue a tristeza que leva ao arrependimento da tristeza que só afunda (2 Co 7.10).

Quem é cheio do Espírito Santo nunca sofre nem erra?+

Não. O Espírito ajuda as nossas fraquezas (Rm 8.26), o que quer dizer que elas continuam existindo. Quem está em Cristo é nova criatura (2 Co 5.17), e mesmo assim é transformado aos poucos, 'de glória em glória' (2 Co 3.18), e é chamado a cooperar: 'operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar' (Fp 2.12,13). Quando erra, o crente confessa e encontra perdão (1 Jo 1.9). Ser cheio do Espírito não é ser perfeito; é não estar sozinho.

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