TEXTO ÁUREO
“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.” (At 2.39)
A lição acompanha o Espírito Santo pelo Novo Testamento: derramado por Jesus exaltado no Pentecostes, dirigindo os passos da Igreja de Jerusalém até Éfeso e inspirando quem escreveu o Novo Testamento. Mostra o batismo no Espírito Santo como promessa distinta da conversão e vigente hoje, responde ao unicismo com a própria leitura bíblica e termina em Cristo, a quem o Espírito glorifica.
Você decide o curso, a cidade, o estágio, o namoro e o grupo com o celular na mão, comparando várias abas em poucos minutos. E de vez em quando aparece a frase: "eu senti que era a vontade de Deus". Agora seja honesto consigo mesmo: quantas vezes "vontade de Deus" foi só o nome que você deu ao seu próprio plano depois de já ter decidido? A lição de hoje é sobre Alguém que mudava rotas, fechava portas que pareciam boas, mandava um apóstolo entrar na casa de um oficial romano e tirava um evangelista do meio de um avivamento para conversar com um homem só numa estrada deserta. E que, antes de tudo isso, encheu uma casa em Jerusalém.
Na lição passada vimos o Espírito Santo no Antigo Testamento, vindo sobre gente escolhida, por um tempo e para uma tarefa: Josué, Gideão, Bezalel, Davi. Hoje a pergunta é: o que mudou? E a resposta é: quase tudo. Não mudou a Pessoa, que é a mesma, com o mesmo poder. Mudou o alcance. Antes eram alguns, por um tempo. Agora são todos os que creem, para ficar. Jesus prometeu isso antes de morrer, e escolheu bem a palavra: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (Jo 14.16). Para sempre não é visita, nem temporada, nem depende de como você acordou hoje.
A leitura em classe são duas passagens, e a revista manda ler as duas: Atos 2.1-4,16-18, o Pentecostes em Jerusalém, e Atos 19.1-6, um grupo de discípulos em Éfeso que nunca tinha ouvido falar do Espírito Santo. O texto áureo sai do sermão de Pedro naquele mesmo dia: "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (At 2.39). Guarde a palavra "longe". Éfeso estava longe. E talvez você também esteja.
O caminho tem três passos, na ordem da revista: o Espírito Santo presente na Igreja Primitiva, a Igreja sob a direção do Espírito Santo e o Espírito Santo na mensagem do Novo Testamento. A frase da aula vai voltar várias vezes: o sinal serve; a Pessoa fica. E a verdade que amarra tudo: a promessa não parou em Jerusalém, nem no último apóstolo. Ela diz respeito a você.
I — O Espírito Santo presente na Igreja Primitiva
Jesus tinha prometido edificar a sua Igreja (Mt 16.18) e, antes de subir ao céu, mandou os discípulos ficarem em Jerusalém até receberem a promessa do Pai (At 1.4). Eles só entenderam o tamanho daquilo depois. Mas a primeira coisa que fizeram foi obedecer: ficaram. Nada de cada um voltar para a sua Galileia. E repare em como Lucas abre a cena: "E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar" (At 2.1). Concordemente. Antes do vento e antes do fogo, havia gente que resolveu esperar junta, em unidade.
🏛 Curiosidade — Pentecostes era uma conta. "Pentecostes" é o nome grego de uma festa de Israel, a Festa das Semanas, e quer dizer "quinquagésimo". Era celebrada cerca de cinquenta dias depois da Páscoa, contando as semanas desde a festa (Lv 23.15,16). Naquele ano, a Páscoa tinha sido a semana em que Jesus foi crucificado e ressuscitou. E Jerusalém estava lotada de judeus vindos de muitas nações para a festa (At 2.5-11). O Deus da Bíblia não age no improviso: Ele marcou a data, encheu a cidade e cumpriu. Pentecostes não é emoção de domingo; é promessa com dia marcado.
Então veio o que ninguém esperava: "E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles" (At 2.2,3). Pare na palavrinha que aparece duas vezes: como. Como de um vento. Como que de fogo. Lucas não está fazendo laudo de laboratório; está dizendo que aquilo era parecido com vento e parecido com fogo. E o sujeito da história não é o vento nem o fogo. É o Espírito. O vento passou, o fogo não ficou queimando na cabeça de ninguém. O sinal serve; a Pessoa fica.
O versículo seguinte diz o que realmente aconteceu: "E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem" (At 2.4). Repare em duas coisas. Primeiro, todos: não só Pedro, não só os doze. Segundo, conforme o Espírito lhes concedia: ninguém ali foi treinado a repetir sílabas, ninguém copiou o vizinho. Quem dava a fala era o Espírito. Essa é a experiência que a nossa igreja chama de batismo no Espírito Santo, e voltaremos a ela em Éfeso.
A lista de Joel
O povo de fora ouviu o barulho, ouviu os galileus falando nas línguas de outras nações, e uns acharam que os discípulos estavam bêbados (At 2.13). Pedro se levanta e não responde com o que sentiu. Responde com a Bíblia: "Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel" (At 2.16). Ele explicou a experiência com a Escritura, e não a Escritura com a experiência. Segure esse método, porque ele vale para a sua vida inteira.
E então Pedro lê a lista de Joel: "E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e sobre as minhas servas naqueles dias, e profetizarão" (At 2.17,18). Compare com a aula passada. No Antigo Testamento a lista era curta: rei, profeta, sacerdote, um juiz aqui e outro ali. Agora é filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas. Gente que antes ficava de fora da lista agora está dentro dela.
Leia de novo: os vossos jovens. A sua faixa de idade está escrita no texto. Esta turma não está na plateia do Pentecostes; está na lista. Quem diz que unção é coisa de gente grande discorda de Joel, de Pedro e de Deus.
🕊 A nossa leitura. "Terão visões" não é licença para misticismo. Quando Deus usou visão no livro de Atos, ela sempre serviu ao evangelho, nunca contradisse a Escritura e nunca colocou alguém acima da correção dos irmãos. Pedro, em Jope, teve uma visão que o levou a pregar Jesus a um gentio (At 10.9-20); Paulo, em Trôade, teve uma visão que o levou a pregar na Macedônia (At 16.9,10). Nenhuma visão acrescentou um capítulo à Bíblia. Se alguém disser "Deus me mostrou" e o que ele viu bate de frente com a Palavra, não veio do Espírito que inspirou a Palavra. E repare que o Pentecostes começa com Pedro abrindo um profeta antigo: experiência verdadeira com o Espírito Santo sempre cabe dentro da Escritura.
O Espírito atuando na Igreja
A revista descreve o que veio depois daquele dia: a plenitude do Espírito inundou os corações daquele grupo, e os sinais ficaram visíveis em conversões, curas e milagres. Todos louvavam ao Senhor e permaneciam unidos (At 2.44-47). Lucas resume a igreja que nasceu assim: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (At 2.42). Repare no primeiro item. Uma igreja cheia do Espírito não tinha como primeira marca a emoção nem o barulho. Tinha a doutrina dos apóstolos. Gente cheia do Espírito estuda.
O poder também não ficou dentro da casa. Pouco depois, na porta do templo chamada Formosa, um homem coxo de nascença, que era carregado todo dia para pedir esmola, saiu andando, saltando e louvando a Deus (At 3.1-10). A revista chama esse milagre de mais um testemunho do poder que operava na Igreja Primitiva. Ele aconteceu na rua, na porta por onde todo mundo passava, e virou ocasião para Pedro pregar Jesus.
E Lucas fecha o capítulo 2 dizendo quem fazia a igreja crescer: "Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" (At 2.47). Quem acrescentava era o Senhor. Não era estratégia de marketing, não era campanha financeira, não era promessa de vida fácil. Era Deus somando gente a uma igreja que perseverava.
II — Sob a direção do Espírito Santo
A revista diz que, depois do batismo no Espírito Santo, os crentes da Igreja Primitiva sentiram mais temor e nada faziam sem a direção divina. Reuniam-se, oravam, repartiam o que tinham e viviam unidos num só propósito (At 2.43-45; At 4.32). E acrescenta uma frase que vale ouro: uma das grandes provas da presença do Espírito Santo na Igreja é a união dos crentes. Antes de pedir sinal, olhe para isso. Onde o Espírito governa, irmão não vive em guerra com irmão.
Ananias e Safira: mentiram a Alguém
Foi justamente nesse clima de repartir que aconteceu a história mais séria do começo de Atos. Barnabé tinha vendido um campo e levado todo o valor aos apóstolos (At 4.36,37). Ananias, junto com a esposa Safira, vendeu uma propriedade, guardou parte do dinheiro e levou o resto como se fosse tudo. Pedro olhou para ele e disse: "Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?" (At 5.3).
Repare no verbo: mentir. Você não mente para uma corrente elétrica. Não mente para uma energia, para uma vibração, para um campo de força. Ninguém engana a gravidade. Mentira exige alguém do outro lado que escuta, entende e confia. E Pedro fecha a conta no versículo seguinte: "Não mentiste aos homens, mas a Deus" (At 5.4b). Em dois versículos, a Bíblia diz que o Espírito Santo é Pessoa, porque se pode mentir a Ele, e é Deus, porque mentir a Ele é mentir a Deus.
Com Safira, Pedro usa outro verbo: "Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor?" (At 5.9a). Tentar. Você só testa quem pode reagir. Mentir e tentar são dois verbos que não funcionam com força nenhuma do universo; funcionam com pessoas.
Esse capítulo assusta, e é preciso lê-lo com sobriedade. A Bíblia registra que os dois morreram e que veio grande temor sobre toda a igreja (At 5.5,10,11). Mas o ponto do texto não é dar pavor em adolescente, nem dizer que Deus está esperando você errar para te derrubar. O pecado deles não foi ofertar pouco: o próprio Pedro diz que a propriedade era deles e que podiam ficar com ela (At 5.4). O pecado foi fingir diante de Deus, querer parecer mais consagrado do que eram. O temor que caiu sobre a igreja não era medo de um Deus imprevisível; era a consciência de que o Espírito que estava no meio deles era o próprio Deus, santo e real. E para quem já mentiu, e todos nós já mentimos, a porta está aberta: quem confessa encontra um Deus fiel e justo para perdoar (1 Jo 1.9).
❤ Para a sua vida. Faça a pergunta honesta: quando você ora, está falando com Alguém ou tentando acertar a palavra certa, na ordem certa, para "funcionar"? Se o Espírito Santo é uma Pessoa que alguém pode tentar enganar, Ele também é uma Pessoa com quem você conversa. Não precisa fingir nem fazer frase bonita. Ele já sabe. Ore como quem fala com Alguém que está ouvindo, e não como quem digita uma senha.
Mudando os rumos
Os apóstolos, orientados pelo Espírito Santo, começaram a levar a mensagem a outros povos, e a revista mostra três casos em que Ele mudou a rota de alguém que já tinha plano. Pedro foi levado à casa de Cornélio, um centurião do exército romano, homem piedoso e temente a Deus, que orava e dava esmolas (At 10.1,2), uma casa onde, por conta própria, um judeu como Pedro nunca teria entrado (At 10.28). Filipe estava em Samaria, com a cidade inteira ouvindo a pregação, e foi mandado para uma estrada deserta para falar com um homem só, um etíope (At 8.5-8,26-29). E Paulo, com Silas e Timóteo, quis pregar numa região importante e foi impedido.
Este terceiro caso merece ir para a tela: "E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu" (At 16.6,7). Repare: o plano de Paulo era bom. Era pregar, era missão. E o Espírito disse não, duas vezes. Depois disso veio a visão de um homem da Macedônia pedindo ajuda, e o texto diz o que eles fizeram com ela: "E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho" (At 16.10).
Concluindo. Não diz "sentindo um arrepio". Eles juntaram a porta fechada, a visão e a missão que já conheciam, e tiraram uma conclusão. A direção do Espírito, na Bíblia, tem raciocínio dentro. Ele dirige a Igreja, mas não é um GPS místico que substitui a Escritura, e nunca contradiz o que Ele mesmo inspirou. Quem diz que o Espírito mandou fazer o que a Bíblia proíbe não ouviu o Espírito. A revista conclui: a partir do cumprimento da promessa, temos o Espírito Santo conduzindo os rumos da Igreja, e cada crente passa a ser morada dEle, com a vida guiada por Ele.
❤ Para a sua vida. Imagine a cena: aprovação numa faculdade longe, bolsa encaminhada, vaga na república, e a frase pronta, "isso só pode ser Deus". Aí a bolsa muda de critério e a vaga some. Paulo também teve portas boas fechadas. A pergunta que a mãe faz nessa cena é a certa: você orou antes de decidir, ou só orou depois, para Deus assinar embaixo? Não é para orar pedindo que Deus faça a sua vontade; é para orar pedindo a vontade dEle. E direção não se busca sozinho, nem como barganha de "me dá um sinal": ore, abra a Bíblia, observe as portas que abrem e fecham e ouça os seus pais e pessoas mais maduras na fé. Impressão que te leva a esconder coisas dos pais ou a se achar acima de qualquer conselho não veio dEle.
Éfeso: a promessa que eles ainda não tinham ouvido
A segunda leitura também é direção, só que de outro tipo. Anos depois do Pentecostes, Paulo chega a uma cidade grande, porto da Ásia, conhecida pelo templo da deusa Diana e pela magia (At 19.27; At 19.19): "E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos" (At 19.1). Eram uns doze homens (At 19.7). E Paulo faz uma pergunta que ainda incomoda: "Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo" (At 19.2).
Paulo continua: "Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João" (At 19.3). Eles tinham uma placa certa na mão. João Batista pregou arrependimento e apontou para Alguém que vinha depois dele. Só que eles ficaram olhando para a placa, e não para quem a placa apontava. O próprio Apolo, pregador fervoroso que tinha passado por Éfeso pouco antes, só conhecia o batismo de João até que Priscila e Áquila lhe explicaram o caminho de Deus com mais precisão (At 18.24-26). Então Paulo não oferece um curso avançado de poder. Ele aponta para Jesus: "Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo" (At 19.4).
E a ordem do que vem depois importa: "E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam" (At 19.5,6). Primeiro Jesus. Depois o batismo em nome dEle. Depois a imposição de mãos e a oração. E então o Espírito vem, com línguas e profecia, exatamente como em Jerusalém. O Espírito Santo não é atalho que pula o Filho de Deus. Ele vem por causa de Jesus e leva a Jesus.
🕊 A nossa leitura — três coisas que não se misturam. Aqui a nossa doutrina precisa de três palavras separadas, sem confundir nenhuma. Novo nascimento: o Espírito gera e habita quem crê em Jesus. Todo crente tem o Espírito Santo: "Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.9b). Batismo nas águas: o testemunho público de quem creu, que Jesus mandou fazer (Mt 28.19). Batismo no Espírito Santo: um revestimento de poder para testemunhar, como Jesus prometeu: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós" (At 1.8a). Ele é uma experiência distinta e posterior à conversão. Em Samaria, por exemplo, as pessoas creram e foram batizadas nas águas, e só depois, com a oração dos apóstolos, receberam o Espírito Santo (At 8.12-17). E a evidência inicial é falar em outras línguas, como em Jerusalém (At 2.4), na casa de Cornélio, onde "os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus" (At 10.46), e em Éfeso (At 19.6). Os três são reais, os três são para hoje, e nenhum é o outro.
Agora, uma palavra para quem está lendo isto e ainda não foi batizado no Espírito Santo. Éfeso não é um texto para humilhar ninguém. Você não é crente de segunda classe, nem "menos salvo" que o colega que já fala em línguas. Se você crê em Jesus, o Espírito já habita em você, e é Ele mesmo quem dá esse testemunho por dentro: "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16). O batismo no Espírito não é medalha de crente melhor; é poder para servir e testemunhar. E a promessa também é sua. Busque com oração, em casa e na igreja, sem fórmula, sem pressa imposta por ninguém e sem ninguém mandando você repetir palavra. Quem dá a fala é o Espírito (At 2.4). E Jesus garantiu o que o Pai faz com quem pede: "Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" (Lc 11.13).
Um cuidado para não tirar de Éfeso o que o texto não ensina. Aqueles doze tinham recebido só o batismo de João, que era anterior ao batismo cristão; Paulo os batizou porque eles nunca tinham sido batizados em nome de Jesus. Quem já creu em Jesus e foi batizado nas águas na igreja, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não precisa ser batizado de novo por causa de Atos 19. Esse texto não autoriza ninguém a desfazer o batismo de um irmão, nem a dizer que o batismo da sua igreja "não valeu".
🔬 A nossa leitura — "em nome do Senhor Jesus" não é outra fórmula. Atos 19.5 é o versículo preferido do unicismo, a doutrina que ensina que Pai, Filho e Espírito Santo são uma só Pessoa que aparece de três modos, e que por isso batiza só "em nome de Jesus". A resposta está na própria Bíblia. Primeiro: em Atos, "em nome de Jesus" separa o batismo cristão do batismo de João, e é exatamente esse o assunto em Éfeso; a expressão diz por autoridade de quem a pessoa é batizada e a quem ela passa a pertencer. Lucas está narrando, não ditando uma fórmula nova. Segundo: o próprio Jesus deu a ordem, e ela continua de pé: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19). Um só nome, três Pessoas. Atos não revoga a ordem do Senhor; obedece a ela. Terceiro: a leitura de hoje mostra as três Pessoas agindo ao mesmo tempo, uma em relação com a outra: "De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2.33). O Filho é exaltado, o Pai dá a promessa, o Espírito é derramado. E Jesus disse: "eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador" (Jo 14.16). O Filho pede, o Pai dá, o Espírito é outro.
Por isso duas comparações muito repetidas em sala de aula precisam ser aposentadas. A primeira é a da água, gelo e vapor: a mesma água que ora é líquida, ora congela, ora evapora. Parece útil, mas ensina exatamente o unicismo: uma coisa só, mudando de estado conforme o momento. Na Bíblia, o Pai não "vira" Filho e o Filho não "vira" Espírito; os três estão presentes ao mesmo tempo e se relacionam, como em Atos 2.33. A segunda é a do homem que é pai, filho e marido: um homem só, com três papéis. Também falha, e pelo mesmo motivo. Um homem não ora a si mesmo, não manda a si mesmo como "outro" e não se exalta à sua própria direita. Jesus orou ao Pai e prometeu outro Consolador. As duas comparações, por mais simpáticas que soem, descrevem a heresia, e não a Trindade. É mais honesto dizer o que a Bíblia diz: há um só Deus, que existe eternamente em três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e nenhuma comparação tirada da criação dá conta do Criador.
III — O Espírito Santo e a mensagem do Novo Testamento
A revista abre a lição lembrando um fato que muita gente esquece: a Bíblia é um conjunto de livros muito antigos, escritos há milhares de anos em circunstâncias difíceis, que foi perseguido e até proibido em vários lugares, e mesmo assim chegou até a sua casa. Para a revista, isso só se explica por um motivo: o Espírito Santo inspirou os escritores e conduziu todos os envolvidos nas cópias, nas traduções e na preservação do texto. Deus tem interesse em que a sua Palavra seja conhecida.
E a mensagem central do Novo Testamento gira em torno do cumprimento da promessa de redenção de Deus por meio do seu Filho Unigênito (Jo 3.16). Quem viu a promessa se cumprir escreveu com exatidão como tudo aconteceu. O Espírito Santo inspirou os escritores dos Evangelhos, que mostraram Jesus cumprindo as promessas messiânicas, aquelas que O identificavam como o Ungido profetizado no Antigo Testamento. Depois da morte e da ressurreição de Jesus, o mesmo Espírito continuou agindo: inspirou Lucas a registrar em Atos o que os apóstolos fizeram e inspirou as cartas enviadas às igrejas que iam surgindo. E, para fechar o Novo Testamento, o apóstolo João escreveu o Apocalipse, que reforça a promessa mais esperada pela Igreja: a volta de Jesus para buscar a sua Noiva.
A revista chama a atenção para um detalhe do Apocalipse que mostra quem estava falando por trás de João. Nas sete cartas às igrejas, a mesma frase se repete sete vezes: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Ap 2.7a; ver também Ap 2.11,17,29; 3.6,13,22). Não é João dando opinião. É o Espírito falando. Paulo diz o mesmo da Escritura inteira: "Toda a Escritura é divinamente inspirada" (2 Tm 3.16a).
אב No original — grego. A expressão "divinamente inspirada" traduz uma palavra só no grego de 2 Timóteo 3.16, theópneustos, formada por theós ("Deus") e um verbo que quer dizer "soprar". Ao pé da letra: "soprada por Deus". A Escritura não é texto humano que Deus depois aprovou; é texto que saiu do sopro de Deus, por meio de homens reais, com o estilo e a língua de cada um.
E o mesmo Espírito que inspirou continua trabalhando quando você abre a Bíblia. Jesus prometeu: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" (Jo 16.13). A Bíblia é o único livro cujo Autor acompanha a sua leitura. Sabe quando você lê um texto que já leu dez vezes e, de repente, enxerga algo que sempre esteve ali, e aquilo te corrige numa área nova da vida? É o Espírito iluminando o que Ele mesmo escreveu. Isso não é revelação nova que acrescenta à Bíblia; é você vendo, finalmente, o que já estava escrito.
🕊 A nossa leitura. Por isso o teste é sempre o mesmo. O Espírito ilumina a Escritura; Ele nunca a desmente. Se alguém diz que está interpretando a Bíblia "pelo Espírito" e chega a uma conclusão que contradiz o resto da Bíblia, não foi o Espírito. Cremos na atualidade dos dons, dos sinais e da direção do Espírito Santo, e justamente por isso submetemos toda experiência ao crivo da Palavra que Ele mesmo inspirou.
Cristo na lição
Volte ao Pentecostes e pergunte: por que o Espírito veio naquele dia, e não antes? Pedro responde no mesmo sermão: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2.32,33). O Espírito foi derramado porque Jesus morreu na cruz no nosso lugar, ressuscitou e foi exaltado. Sem a cruz e o túmulo vazio, Atos 2 seria só vento e fogo. Quem derramou o Espírito sobre aquela casa em Jerusalém foi Jesus. Ele sabia que ia voltar ao Pai, e teve o cuidado de não nos deixar sozinhos.
Em Éfeso acontece a mesma coisa em escala menor. Os discípulos de João tinham a placa, mas faltava o destino da placa. E Paulo não começou pelo poder; começou por Jesus: "isto é, em Jesus Cristo" (At 19.4). Só depois veio o Espírito. E o próprio Jesus disse qual é a missão do Espírito: "Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar" (Jo 16.14). O Espírito Santo não chama atenção para Si, nem para o pregador, nem para quem fala em línguas. Ele aponta para Cristo. Uma "experiência espiritual" que deixa Jesus em segundo plano não é obra dEle.
Por isso a resposta de Pedro à multidão começa pela cruz e termina na promessa: "E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.38). Arrependimento, fé em Jesus, batismo, e a promessa: recebereis. Não é "queira muito", não é "faça um voto", não é "pague para receber". É a ordem do evangelho. E o texto áureo vem logo em seguida, aberto como um convite: "a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (At 2.39). Deus chama de verdade, chama muitos, chama os que estão longe; e quem ouve responde com fé em Jesus.
✝ Cristo na lição. Não saia desta aula querendo "ser como a igreja de Atos" à força de esforço, nem querendo "ser um Pedro" ou "um Paulo". Nenhum deles salvou ninguém. A Igreja Primitiva foi cheia do Espírito porque o Cristo crucificado e ressuscitado derramou o Espírito sobre ela. O vento passou, o fogo passou, as línguas de Jerusalém foram para outras cidades. Quem fica é a Pessoa do Espírito, e a obra dEle é uma só: glorificar a Jesus (Jo 16.14).
Aplicação Prática
Ore antes de decidir, não depois. Curso, cidade, namoro, grupo: leve a decisão a Deus antes de ela estar pronta, e não só para Ele assinar embaixo. Abra a Bíblia, observe as portas que abrem e fecham, como Paulo observou, e ouça os seus pais e pessoas maduras na fé. Direção do Espírito tem raciocínio dentro.
Trate o Espírito Santo como Pessoa, não como senha. Ananias mostrou o lado escuro dessa verdade: dá para mentir a Ele. O lado bom é o mesmo: dá para conversar com Ele. Pare de procurar a frase certa para "funcionar" e fale com Alguém que ouve. E não finja diante de Deus; Ele já sabe, e quem confessa encontra perdão.
Busque a promessa sem vergonha e sem pressão. Se você ainda não foi batizado no Espírito Santo, você não é menos crente. A promessa também é sua (At 2.39). Peça com oração, em casa e na igreja, sem fórmula e sem encenação. O Pai dá o Espírito Santo a quem pede (Lc 11.13), e quem dá a fala é o Espírito.
Leve a promessa a quem está longe. O poder que Jesus prometeu é para testemunhar (At 1.8a), e o texto áureo inclui "todos os que estão longe". Tem alguém na sua sala, na sua rua ou na sua família que está longe de Deus ou se afastou da igreja. Você não precisa de microfone: precisa contar o que Jesus fez por você.
Oração Final
Espírito Santo, obrigado porque o Senhor não é força, nem clima, nem senha, mas Alguém que me ouve e me conhece. Perdoa as vezes em que eu decidi tudo sozinho e só depois chamei de vontade de Deus, e as vezes em que eu fingi diante de Ti. Guia-me em toda a verdade, pela Palavra que o Senhor mesmo inspirou, e fecha as portas que eu não devo atravessar. Eu creio que a promessa também é para mim; enche-me e reveste-me do Teu poder, no Teu tempo, sem pressa minha e sem medo. Dá-me coragem para contar a quem está longe o que Jesus fez por mim. E glorifica a Jesus em mim, o Senhor que morreu na cruz no meu lugar, ressuscitou, foi exaltado e derramou o Espírito sobre a Sua Igreja. Em nome de Jesus, amém.
Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu no dia de Pentecostes, em Atos 2?+
Os discípulos obedeceram à ordem de Jesus, ficaram em Jerusalém e estavam 'todos concordemente no mesmo lugar' (At 2.1). Veio do céu um som como de um vento veemente, apareceram línguas repartidas como que de fogo, e 'todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem' (At 2.4). Pedro explicou o fato com a Escritura, não com sensação: era o cumprimento da profecia de Joel (At 2.16-18). E disse quem estava por trás: Jesus, exaltado à destra de Deus, derramou o Espírito prometido (At 2.33).
O batismo no Espírito Santo ainda é para hoje?+
Sim. Pedro disse no mesmo dia: 'Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar' (At 2.39). A promessa não parou no ano 30, nem no último apóstolo: alcançou Samaria, a casa de Cornélio e, anos depois do Pentecostes, Éfeso (At 8; At 10; At 19), e alcança quem crê hoje. A Assembleia de Deus não é cessacionista: cremos que o Espírito continua batizando, enchendo e distribuindo dons.
Qual a diferença entre receber o Espírito na conversão e ser batizado no Espírito Santo?+
Todo crente em Jesus tem o Espírito Santo: 'se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele' (Rm 8.9). Isso é o novo nascimento. O batismo no Espírito Santo é outra experiência, distinta e posterior à conversão: um revestimento de poder para testemunhar, como Jesus prometeu: 'Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós' (At 1.8a). A evidência inicial é falar em outras línguas, como em Jerusalém, na casa de Cornélio e em Éfeso (At 2.4; At 10.46; At 19.6). Quem ainda não foi batizado no Espírito não é crente de segunda classe; é alguém a quem a promessa também diz respeito.
Atos 19.5 diz 'em nome do Senhor Jesus'. Isso contradiz Mateus 28.19?+
Não. Em Atos, 'em nome de Jesus' separa o batismo cristão do batismo de João, que era exatamente o caso dos discípulos de Éfeso: diz por autoridade de quem a pessoa é batizada e a quem ela passa a pertencer. A ordem do próprio Jesus continua de pé: 'batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo' (Mt 28.19). O unicismo usa Atos 2.38 e 19.5 para dizer que Pai, Filho e Espírito são uma só Pessoa com três modos, mas a mesma leitura mostra as três Pessoas agindo ao mesmo tempo: o Filho exaltado recebe do Pai a promessa e derrama o Espírito (At 2.33).
Por que a história de Ananias e Safira mostra que o Espírito Santo é Pessoa e é Deus?+
Porque Pedro perguntou a Ananias por que ele quis 'que mentisses ao Espírito Santo' (At 5.3) e, logo depois, fechou: 'Não mentiste aos homens, mas a Deus' (At 5.4b). Ninguém mente para uma energia ou para a gravidade; mentira exige Alguém do outro lado que ouve e entende. E Pedro chama de Deus a quem Ananias mentiu. O pecado ali não foi dar pouco; foi fingir diante de Deus. O texto não foi escrito para dar pavor em ninguém, mas para mostrar com quem a Igreja anda.
O que significa 'os vossos jovens terão visões' em Atos 2.17?+
Significa que a promessa do Espírito alcança gente que antes ficava fora da lista: filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas (At 2.17,18). Não é licença para misticismo. Em Atos, quando Deus usou visão, ela serviu ao evangelho e nunca contradisse a Escritura; e Paulo, depois de uma visão, juntou o que tinha acontecido e tirou uma conclusão (At 16.10). O próprio Pedro explicou a experiência do Pentecostes com a Bíblia aberta (At 2.16). Ninguém recebe hoje revelação que acrescente à Bíblia ou passe por cima dela.
Guia do Professor
Essência da aula
O Espírito Santo que Jesus exaltado derramou no Pentecostes é Pessoa e é Deus: Ele encheu a Igreja, dirige os passos dela pela Palavra que Ele mesmo inspirou, e a promessa de ser revestido por Ele vale hoje para todo o que crê, inclusive para quem está longe.
Mapa da aula
| Tempo | Etapa |
|---|---|
| 0–5 min | Abertura (as abas do celular e o "senti que era de Deus") |
| 5–9 min | Leitura bíblica em classe (At 2.1-4,16-18; At 19.1-6) |
| 9–16 min | Ponto 1 — Pentecostes: o sinal serve, a Pessoa fica |
| 16–21 min | Dinâmica (A lista de Joel) |
| 21–28 min | Ponto 2 — Sob a direção: Ananias e as portas fechadas |
| 28–34 min | Ponto 3 — Éfeso: primeiro Jesus, depois a promessa |
| 34–38 min | Ponto 4 — O Espírito e a mensagem do Novo Testamento |
| 38–41 min | Cristo na lição + perguntas da turma |
| 41–45 min | Amarração + desafio + oração |
Comece assim
Não abra a Bíblia ainda. Pergunte: "Quem aqui já tomou uma decisão e, depois de tudo decidido, disse: 'acho que era de Deus'?" Vai ter riso e mão levantada, talvez a sua também. Pergunte de novo, devagar: "E quando foi que você orou: antes ou depois de decidir?" Deixe dois ou três responderem. Espere respostas como "depois", "eu nem orei", "orei para dar certo". Segure essas respostas e emende: "Hoje a Bíblia vai mostrar Alguém que mudava a rota de apóstolo, fechava porta boa e mandava gente falar com estranho. E que, antes disso, encheu uma casa em Jerusalém. A pergunta do dia é: esse Espírito de Atos ainda enche, dirige e fala hoje, ou ficou no ano 30?" Só então peça a leitura. Divida: um aluno lê Atos 2.1-4, outro Atos 2.16-18, outro Atos 19.1-6.
Ponto 1 — Pentecostes: o sinal serve, a Pessoa fica
- Na revista: quadro de abertura (a atuação esporádica no Antigo Testamento e a plenitude a partir do Pentecostes) e tópico 1 ("O Espírito Santo presente na Igreja Primitiva"), subitem 1.1.
- O que ensinar: os discípulos obedeceram e esperaram juntos, "concordemente" (At 2.1). O "como de vento" e o "como que de fogo" são comparações: o sinal passou, a Pessoa ficou. Todos foram cheios e falaram em outras línguas "conforme o Espírito lhes concedia" (At 2.4). Pedro explicou a experiência com a Escritura (At 2.16), e a lista de Joel incluiu quem antes ficava de fora: filhos, filhas, servos, servas e "os vossos jovens" (At 2.17). A igreja que nasceu perseverava primeiro na doutrina (At 2.42), e quem acrescentava gente era o Senhor (At 2.47).
- Versículo-âncora (ACF): "E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem" (At 2.4).
- Pergunta-chave: "Por que Pedro explicou o que aconteceu abrindo o profeta Joel, e não contando o que ele sentiu?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "porque a Bíblia confirma", "porque sentimento engana", "para o povo acreditar". Aprofunde: "Então, quando você tiver uma experiência forte com Deus, qual deve ser o primeiro lugar onde você vai conferir?"
- Se ninguém falar: leia em voz alta só o pedaço "os vossos jovens terão visões" e pergunte: "Quem nesta sala está nessa faixa de idade?" Deixe levantarem a mão e diga: "Então vocês estão no texto. Não na plateia."
Ponto 2 — Sob a direção: Ananias e as portas fechadas
- Na revista: tópico 2 ("Sob a direção do Espírito Santo") e subitem 2.1 ("Mudando os rumos").
- O que ensinar: a união dos crentes é uma das grandes provas da presença do Espírito. Ananias e Safira mostram com quem a Igreja anda: Pedro diz que Ananias mentiu "ao Espírito Santo" (At 5.3) e que não mentiu aos homens, "mas a Deus" (At 5.4b). Só se mente a Alguém, e esse Alguém é Deus. Conte com sobriedade, sem detalhar as mortes e sem usar a história para ameaçar: o pecado foi fingir, não ofertar pouco. Depois, os rumos: Pedro levado a Cornélio, Filipe à estrada deserta, Paulo impedido duas vezes (At 16.6,7) e a visão da Macedônia, depois da qual eles foram "concluindo que o Senhor nos chamava" (At 16.10). Direção do Espírito tem raciocínio dentro e nunca contradiz a Escritura.
- Versículo-âncora (ACF): "E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu" (At 16.7).
- Pergunta-chave: "Paulo queria pregar, e o Espírito disse não. O que isso ensina sobre os seus planos, mesmo os bons?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "que Deus sabe mais", "que nem todo plano bom é o plano de Deus", "que porta fechada também é resposta". Aprofunde: "E o que Paulo fez depois da porta fechada: desanimou, forçou a porta ou continuou andando e orando?"
- Se ninguém falar: conte uma porta que se fechou na sua vida, uma vaga, uma mudança, um plano, e o que você entendeu só depois. A turma solta quando o professor fala primeiro.
Ponto 3 — Éfeso: primeiro Jesus, depois a promessa
- Na revista: a segunda passagem da Leitura Bíblica em Classe (At 19.1-6) e o "Para concluir" (a promessa diz respeito a todos os salvos).
- O que ensinar: os doze de Éfeso só conheciam o batismo de João (At 19.3). Paulo aponta primeiro para Jesus (At 19.4); eles são batizados em nome dEle, Paulo impõe as mãos, e o Espírito vem com línguas e profecia (At 19.5,6). Separe as três palavras sem misturar: novo nascimento (todo crente tem o Espírito, Rm 8.9), batismo nas águas e batismo no Espírito Santo, experiência distinta e posterior à conversão, com a evidência inicial de falar em outras línguas. Diga com todas as letras que quem ainda não foi batizado no Espírito não é crente de segunda classe, e que ninguém precisa ser rebatizado nas águas por causa deste texto.
- Versículo-âncora (ACF): "E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam" (At 19.6).
- Pergunta-chave: "Dá para estar na igreja, crer em Jesus e ainda não ter desfrutado de toda a promessa?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "dá, como em Éfeso", "não sei", "então eu estou faltando alguma coisa?". Aprofunde com cuidado: "A promessa também é sua (At 2.39). Como é que se busca algo que Deus prometeu dar: com pressão ou com oração?"
- Se ninguém falar: leia Lucas 11.13 e pergunte: "Segundo Jesus, para quem o Pai dá o Espírito Santo?" A resposta está no versículo: "àqueles que lho pedirem".
Ponto 4 — O Espírito e a mensagem do Novo Testamento
- Na revista: tópico 3 ("O Espírito Santo e a mensagem do Novo Testamento") e o quadro de abertura sobre a preservação da Bíblia.
- O que ensinar: a mensagem central do Novo Testamento é a redenção pelo Filho (Jo 3.16). O Espírito inspirou os Evangelhos, Atos, as cartas e o Apocalipse, onde a frase "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" aparece sete vezes. O mesmo Espírito ilumina quem lê, guia "em toda a verdade" (Jo 16.13) e nunca contradiz o que escreveu. Iluminação não é revelação nova que acrescenta à Bíblia.
- Versículo-âncora (ACF): "Toda a Escritura é divinamente inspirada" (2 Tm 3.16a).
- Pergunta-chave: "Você já leu um texto pela décima vez e, de repente, viu algo que não tinha visto? Quem você acha que estava trabalhando ali?"
- Respostas prováveis (+ aprofundamento): "já aconteceu", "eu achei que era coincidência", "nunca leio dez vezes". Aprofunde: "E se alguém disser que o Espírito mostrou algo que contradiz a Bíblia, quem está errado: a Bíblia ou a pessoa?"
- Se ninguém falar: segure a Bíblia fechada e depois aberta: "Este livro foi proibido, perseguido e queimado em vários lugares, e chegou à sua mão. E o Autor ainda está aqui na sala enquanto você lê."
Dinâmica
- Objetivo: perceber, sem expor ninguém, que a promessa do Espírito alcança gente que antes ficava de fora da lista, inclusive eles, e preparar o desafio da semana.
- Materiais: quadro ou uma folha grande, pincel; papéis pequenos e canetas para todos.
- Passo a passo: divida o quadro em duas colunas. Na primeira, escreva "Antes: sobre quem o Espírito vinha" e peça que a turma lembre da aula passada: rei, profeta, sacerdote, juiz, Josué, Gideão, Davi. Na segunda, escreva "Joel em Atos 2.17,18". Peça que um voluntário leia os dois versículos devagar e que a turma inteira vá falando em voz alta cada grupo que aparece, enquanto você escreve: filhos, filhas, jovens, velhos, servos, servas. Pergunte: "Quantas pessoas desta sala cabem na primeira coluna? E na segunda?" A resposta é todas. Então leiam juntos o texto áureo (At 2.39). Entregue um papel a cada aluno e peça que escreva, só para si, duas linhas: "A promessa diz respeito a ______", com o próprio nome, e, embaixo, o primeiro nome de uma pessoa que ele conhece e que está "longe": alguém de fora da igreja ou que se afastou. Ninguém lê em voz alta. O papel vai dobrado para o bolso.
- Amarração (volta ao texto): "A primeira coluna era curta. A segunda tem a sala inteira. O que mudou não foi o Espírito; foi quem entra na conta. E Pedro não parou em 'vós e vossos filhos': ele disse 'todos os que estão longe'. O nome que você escreveu embaixo também está na lista. Guarde o papel; ele é o desafio da semana."
Se te perguntarem isso
- Pergunta: "Eu ainda não falei em línguas. Então eu sou menos crente que os outros?" Resposta curta: Não. Se você crê em Jesus, o Espírito Santo já habita em você: "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.9b), e é Ele quem testifica que você é filho de Deus (Rm 8.16). O batismo no Espírito Santo é outra experiência, distinta e posterior à conversão, um revestimento de poder para testemunhar (At 1.8a), com a evidência inicial de falar em outras línguas. Não é medalha de crente melhor, e não se recebe por pressão, imitação ou fórmula. A promessa também é sua (At 2.39): busque com oração, sem pressa e sem vergonha (Lc 11.13). Professor: nada de chamar o aluno à frente, impor as mãos sem ele querer ou mandá-lo repetir palavras.
- Pergunta: "Em Atos eles batizavam 'em nome de Jesus'. Então o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo está errado?" Resposta curta: Essa é a tese do unicismo, que ensina que Pai, Filho e Espírito são uma só Pessoa com três modos. Em Atos, "em nome de Jesus" distingue o batismo cristão do batismo de João, que é justamente o caso de Éfeso, e diz por autoridade de quem a pessoa é batizada; não revoga a ordem do próprio Jesus: "batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19). E a leitura de hoje mostra as três Pessoas ao mesmo tempo: o Filho exaltado recebe do Pai a promessa e derrama o Espírito (At 2.33). Se alguém usar água, gelo e vapor, ou "pai, filho e marido", explique que essas comparações descrevem uma Pessoa mudando de forma ou de papel, que é o unicismo, e não três Pessoas que se relacionam: um homem não ora a si mesmo, e Jesus orou ao Pai e prometeu "outro Consolador" (Jo 14.16).
- Pergunta: "Os de Éfeso foram batizados de novo. Eu preciso me batizar de novo também?" Resposta curta: Não. Aqueles doze tinham recebido só o batismo de João, anterior ao batismo cristão; eles nunca tinham sido batizados em nome de Jesus (At 19.3-5). Quem já creu em Jesus e foi batizado nas águas na igreja, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, recebeu o batismo cristão. Atos 19 não manda desfazer batismo de ninguém. Se o aluno tiver uma dúvida real sobre o próprio batismo (por exemplo, se foi batizado antes de crer, ou num grupo unicista), não resolva na classe: encaminhe ao pastor.
- Pergunta: "Deus matou Ananias e Safira só por uma mentira? Então se eu mentir, Ele vai me matar?" Resposta curta: O texto registra o que aconteceu, com sobriedade, num momento único do começo da Igreja, e o ponto dele é mostrar que o Espírito Santo é Pessoa e é Deus: Ananias mentiu "ao Espírito Santo" (At 5.3) e, por isso, mentiu "a Deus" (At 5.4b). O pecado não foi dar pouco, porque a propriedade era deles (At 5.4); foi fingir diante de Deus. Atos 5 não foi escrito para dar pavor, e Deus não está esperando você errar para te derrubar. Quem mentiu tem caminho: confessar a Deus, que é fiel e justo para perdoar (1 Jo 1.9), e consertar com quem foi enganado. Se o aluno ficar visivelmente angustiado, converse com ele depois da aula, sem expor na frente dos outros.
Amarração + desafio da semana
- Amarração: "Nós começamos com as abas do celular e com a frase 'senti que era de Deus'. E a Bíblia mostrou o Espírito Santo que encheu uma casa em Jerusalém, fechou portas boas para Paulo, mandou Pedro para a casa de um romano e foi buscar doze homens em Éfeso que nem tinham ouvido falar dEle. Ele não é força, não é clima e não é senha: é Pessoa, é Deus, e só se mente a Alguém. Ele veio porque Jesus morreu na cruz no nosso lugar, ressuscitou e foi exaltado, e a obra dEle é glorificar a Jesus. O sinal serve; a Pessoa fica. E a promessa não parou em Jerusalém: ela diz respeito a você e a todos os que estão longe."
- Desafio: pegue o papel da dinâmica (ou faça um agora) com o primeiro nome de uma pessoa que está "longe", alguém de fora da igreja ou que se afastou, com quem você já conversa normalmente. Esta semana, numa conversa comum, conte a ela uma coisa concreta que Jesus fez na sua vida, em poucas frases, e diga que a promessa de Deus também é para ela (At 2.39). Conversar, não discutir: se ela não quiser ouvir, agradeça e encerre com respeito. Antes da conversa, ore pedindo ao Espírito Santo as palavras e a coragem. Domingo, volte com a história.
- Como cobrar no domingo: abra a aula perguntando como foi a conversa, não quem era a pessoa. Quem quiser conta; ninguém é obrigado a dizer o nome nem a falar. Se alguém disser "travei" ou "ela não quis ouvir", agradeça a honestidade e lembre que quem convence o coração é o Espírito, não o aluno. Se aparecer uma situação pesada na vida da pessoa lembrada (risco, violência, crise séria), acolha e leve ao pastor: o adulto resolve; o aluno avisa e ora. Quem não fez, convide a começar nesta semana, sem constranger.
Kit do professor
- Antes: leia Atos 1.1-11, Atos 2 inteiro, Atos 5.1-11, Atos 16.6-10 e Atos 18.24 a 19.7. Sobre o texto áureo: a frase da revista é a mesma da ACF (At 2.39); muda só a pontuação, então ninguém vai estranhar a tela. Na leitura em classe há diferenças de redação entre a revista e a ACF: em Atos 2.1, "reunidos" na revista e "concordemente" na ACF; em Atos 2.4, "em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia" na revista e "noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia" na ACF; em Atos 2.18, "sobre os meus servos e minhas servas" na revista e "sobre os meus servos e sobre as minhas servas" na ACF; em Atos 19.4, "batismo do arrependimento" na revista e "batismo de arrependimento" na ACF. Mesmo sentido; avise a turma. Duas referências do corpo da revista merecem conferência: a unção de Jesus para o ministério está em Lucas 4.18 (o versículo 16 é a entrada dele na sinagoga), e a província onde o Espírito impediu Paulo de pregar é a Ásia (At 16.6).
- Cuidados de fala: nunca chame o Espírito de "força", "energia" ou "isso". Ao falar de línguas, não pressione, não encene e não chame ninguém à frente. Ao contar Ananias e Safira, não descreva as mortes nem use a história como ameaça. Ao falar de visões, diga sempre que nenhuma experiência passa por cima da Bíblia.
- Leve: Bíblia ACF, quadro ou folha grande, pincel, papéis pequenos e canetas para todos.
- Ore antes: peça que a turma saia sabendo que o Espírito Santo é Pessoa, e não recurso. Peça olhos para o aluno que se sente "menos crente" por ainda não ter sido batizado no Espírito, e para o que carrega uma mentira e tem medo de Deus: nenhum dos dois precisa de sermão; precisam de alguém que mostre Jesus com paciência.
Lição de Casa
Sua missão da semana
Pegue o papel da aula (ou faça um agora) com o primeiro nome de uma pessoa que está "longe", alguém de fora da igreja ou que se afastou, com quem você já conversa normalmente. Esta semana, numa conversa comum, conte a ela uma coisa concreta que Jesus fez na sua vida, em poucas frases, e diga que a promessa de Deus também é para ela (At 2.39). Conversar, não discutir: se ela não quiser ouvir, agradeça e encerre com respeito. Antes da conversa, ore pedindo ao Espírito Santo as palavras e a coragem.
Por quê
Porque o Espírito Santo não foi derramado para ficar trancado numa casa em Jerusalém. Jesus disse: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós" (At 1.8a), e esse poder é para testemunhar. Pedro disse que a promessa é também "a todos os que estão longe" (At 2.39). Você não precisa de microfone nem de saber pregar, e não precisa já ter sido batizado no Espírito Santo para fazer isto: se você crê em Jesus, o Espírito já está em você, e você já tem o que contar. Quem convence o coração é Ele, não você.
Como saber que você fez
Você consegue dizer em que dia foi a conversa e qual foi a coisa que você contou. A reação da pessoa não entra na conta.
Domingo, volte com a história
A próxima aula começa com as conversas de vocês. Ninguém precisa dizer o nome da pessoa; conte só como foi, se quiser. Domingo, volte com a história.













