O Batismo no Espírito Santo

Lição 8 · 4º Trimestre 2026 · 08/11/2026 · 21 min de leitura

Por Equipe Marcas Editora

Capa da aula: O Batismo no Espírito Santo
Estreia Domingo, 8 de novembro · 09:00

TEXTO ÁUREO

“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lc 24.49)

A lição segue a promessa do Pai da profecia de Joel ao Pentecostes, passando por João Batista, que apontou Jesus como Aquele que batiza com o Espírito Santo e com fogo. Separa ter o Espírito, batismo em águas e batismo no Espírito, explica as línguas como evidência inicial e afirma que a promessa continua de pé, sem pressão e sem crente de segunda categoria.

Esperar virou defeito de fábrica. Compra hoje, chega amanhã; o vídeo que leva três segundos para carregar já parece lento. Por isso a cena do começo de Atos soa quase estranha: perto de cento e vinte pessoas numa casa em Jerusalém, esperando uma coisa que nem sabiam descrever direito. Sem data marcada, sem saber o formato, só com a palavra de Jesus de que ela viria.

E foi Jesus mesmo quem mandou esperar. O texto áureo da lição é a ordem que Ele deu antes de subir ao céu: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lc 24.49). Repare em três coisas. A promessa é do Pai. Quem envia é Jesus. E o que ela faz é revestir. Ninguém se reveste de poder sozinho, do mesmo jeito que ninguém fabrica a roupa que recebeu de presente.

Muitos séculos depois, no primeiro dia de 1901, numa escola bíblica em Topeka, nos Estados Unidos, uma estudante chamada Agnes Ozman pediu ao professor dela, Charles Parham, que orasse por ela com imposição de mãos. Ela recebeu o batismo no Espírito Santo e falou em outras línguas, e é lembrada como a primeira pessoa batizada no Espírito no movimento pentecostal moderno. Não era pastora nem missionária; era aluna. Segundo ela contou, desejava a promessa do Pai mais do que comida ou descanso. Mas a história não começa nela. Começa séculos antes de Cristo, na boca de um profeta, e passa por um dia específico em Jerusalém.

A leitura em classe tem três passagens: Joel 2.28-32, Atos 1.7,8 e Atos 2.16-18. A primeira é a promessa, a segunda é a ordem, a terceira é o cumprimento. O caminho segue a revista em três passos: o cumprimento da profecia de Joel, o cumprimento da profecia de João Batista e a atualidade da promessa. Uma frase vai acompanhar a lição inteira: você não chegou tarde para a promessa.

I — O cumprimento da profecia de Joel

A promessa tinha data, mas ninguém sabia qual. Ela chegou numa festa: "E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar" (At 2.1). Lucas conta que o grupo "era de quase cento e vinte pessoas" (At 1.15) e que eles não esperaram de braços cruzados: "Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos" (At 1.14).

🏛 Curiosidade — por que justamente o Pentecostes? A festa não nasceu em Atos 2. Era uma festa judaica antiga, a festa das semanas, que celebrava a colheita do trigo. A Lei mandava contar a partir da oferta das primícias, na semana da Páscoa: "Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao Senhor" (Lv 23.16). Daí o nome grego, pentēkostḗ, "quinquagésimo". Era também uma das três festas em que todo homem de Israel devia subir a Jerusalém (Dt 16.16), e a cidade enchia de judeus que moravam longe. Lucas lista os povos presentes quase como um mapa, do oriente para o ocidente: partos, medos e elamitas, Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, Frígia e Panfília, Egito e Líbia, romanos, cretenses e árabes (At 2.9-11). Deus escolheu o dia em que Jerusalém estava mais cheia de gente que, depois, voltaria para casa contando o que viu.

E então aconteceu: "E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem" (At 2.2-4).

Repare em "sobre cada um deles" e em "todos". Ninguém ficou de fora por ser menos importante. Repare também em quem dirigia a fala: "conforme o Espírito lhes concedia". Ninguém ensinou ninguém a falar; o Espírito concedeu. E naquele dia as línguas eram idiomas que os visitantes reconheceram: "Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (At 2.11). O primeiro efeito do Pentecostes não foi um arrepio particular. Foi gente de fora ouvindo das grandezas de Deus na língua de casa.

Um acontecimento fundamentado

Uma cena dessas divide a plateia. "E todos se maravilhavam e estavam perplexos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto" (At 2.12,13). Admiração e deboche, olhando para a mesma coisa, no mesmo lugar. Dois mil anos depois, continua igual.

Pedro podia ter respondido com a própria experiência: "aconteceu comigo, eu sei o que senti". Não fez isso. Primeiro desmontou a acusação com um dado de relógio: "Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia" (At 2.15), isto é, umas nove da manhã. Depois abriu a Escritura: "Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel" (At 2.16). Isto é aquilo. O que vocês estão vendo é o que já estava escrito.

A revista tira daqui uma regra para a vida inteira: nenhuma manifestação espiritual se aceita sem respaldo bíblico. Nem a que emociona, nem a que vem de alguém que você admira, nem a que tem milhões de visualizações. Os judeus de Bereia ficaram conhecidos justamente por isso: "Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (At 17.11). E João escreve: "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (1 Jo 4.1). Ser pentecostal não é acreditar em tudo. É conferir tudo e crer no que está escrito.

O início de uma nova época

Agora compare com o Antigo Testamento. Lá o Espírito vinha sobre pessoas escolhidas para uma função: reis, profetas, sacerdotes, juízes, até os artesãos do tabernáculo. Vinha para a tarefa, e era para poucos. Joel anuncia o contrário: "E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito" (Jl 2.28,29).

Leia a lista devagar: filhos e filhas, velhos e jovens, servos e servas. Homem e mulher, idade e juventude, livre e escravo. Ninguém entra por currículo, por idade ou por cargo. E Pedro, citando Joel, diz em que tempo isso começa: "E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos" (At 2.17). Os "últimos dias" começaram ali. A revista chama esse período de tempo da Igreja e do Espírito Santo: começou no Pentecostes e vai até o Arrebatamento da Igreja. Você está dentro dele.

E veja onde a profecia de Joel termina, porque a leitura de hoje vai até o versículo 32: "E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar" (Jl 2.32). Pedro repete a primeira parte no mesmo sermão (At 2.21). O derramamento do Espírito e a salvação de quem invoca estão no mesmo parágrafo. O Espírito não foi derramado para dar espetáculo; foi derramado no meio de uma mensagem de salvação. Entre uma coisa e outra, Joel fala de sinais no céu e na terra antes do grande dia do Senhor (Jl 2.30,31). O começo da profecia já se cumpriu, o fim ainda vem, e o meio é agora.

II — O cumprimento da profecia de João Batista

Joel não foi o único a anunciar. Bem antes do Pentecostes, logo no começo do ministério de Jesus, um homem que vivia no deserto e batizava no rio Jordão disse a mesma coisa com outras palavras.

João Batista é o último profeta do Antigo Testamento. O próprio Jesus disse: "A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele" (Lc 16.16). Ele era parente de Jesus: a mãe dele, Isabel, aparece na ACF como prima de Maria (Lc 1.36). E a vinda dele já estava escrita em Isaías: "Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus" (Is 40.3). João é a dobradiça entre duas épocas: o último do tempo antigo, apontando o dedo para o novo.

A revista destaca três coisas que João anunciou sobre Jesus:

  • O reino chegou. "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mt 3.2). Um reino que não vinha com exército nem com trono, e por isso tanta gente não o reconheceu quando chegou.
  • Ele é o Cordeiro. "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Quem ouvia "cordeiro" pensava em sacrifício. João anunciou a cruz antes da cruz.
  • Ele é quem batiza com o Espírito. "E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo" (Mt 3.11).

Repare na ordem: primeiro o Cordeiro, depois o fogo. Sem a cruz, "poder" vira espetáculo. E repare no sujeito do verbo: ele vos batizará. Quem batiza no Espírito Santo é Jesus. Nenhum pastor, nenhum pregador, nenhum evento tem isso na mão. Antes de subir ao céu, Jesus confirmou a palavra de João: "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (At 1.5).

אב No original — grego. "Batizar" traduz baptízō, que quer dizer mergulhar, imergir. Por isso a mesma palavra serve para as águas e para o Espírito. No batismo em águas, a pessoa é mergulhada na água; no batismo no Espírito, Jesus envolve o crente no poder do Espírito. A imagem não é de uma gota; é de alguém coberto por inteiro, como quem é "revestido" (Lc 24.49).

Dois batismos, dois agentes

Aqui mora a maior confusão do assunto, e a revista resolve item por item.

O batismo em águas é exterior. Acontece no corpo, diante de testemunhas, e qualquer um na beira do tanque vê a hora em que aconteceu. Vem depois do arrependimento e da fé, e é o testemunho público de quem decidiu seguir Jesus. Quem desce às águas é a pessoa, obedecendo à ordem do Senhor: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19).

O batismo no Espírito Santo tem outro agente: quem batiza é Jesus. Ninguém o conquista por mérito, nem o produz por esforço, nem o recebe porque alguém "passou" para ele. É dom, recebido pela fé: "para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito" (Gl 3.14). Mas dom não quer dizer indiferença. Jesus ensinou a pedir: "Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" (Lc 11.13). A parte de Jesus é dar. A nossa é buscar.

Um não substitui o outro. Quem foi batizado nas águas não "já recebeu tudo", e quem foi batizado no Espírito não dispensa as águas. São duas obediências diferentes ao mesmo Senhor.

Ter o Espírito não é o mesmo que ser batizado no Espírito

A aula passada mostrou o primeiro lado: todo salvo tem o Espírito Santo. "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.9). Isso acontece na conversão. Não existe cristão sem o Espírito.

O batismo no Espírito é outra experiência, distinta e subsequente ao novo nascimento: vem depois, sobre quem já é de Cristo, com um propósito próprio. Os discípulos já tinham recebido o Espírito quando Jesus "assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo" (Jo 20.22). E, mesmo assim, Ele mandou esperar "até que do alto sejais revestidos de poder" (Lc 24.49). Em Samaria aconteceu algo parecido: o povo creu e foi batizado nas águas (At 8.12), e só depois, quando Pedro e João chegaram, "lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo" (At 8.17). Em Éfeso, Paulo perguntou a um grupo de discípulos: "Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?" (At 19.2). A pergunta só faz sentido se uma coisa pode vir depois da outra.

E para que serve? Jesus mesmo disse: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra" (At 1.8). É revestimento de poder para testemunhar. O Espírito em você é a salvação; o Espírito sobre você é o revestimento para a missão.

🕊 A nossa leitura — ninguém aqui é crente de segunda categoria. Leia isto com calma, principalmente se você ainda não foi batizado no Espírito Santo: você não é crente de segunda categoria, não é menos salvo e não é menos amado por Deus. A salvação é "pela graça [...] por meio da fé" (Ef 2.8), e o Espírito já habita em quem é de Cristo (Rm 8.9). O batismo no Espírito não é selo de quem é mais santo nem medalha para comparar; é ferramenta para servir. E a promessa também é sua (At 2.39). Quem já recebeu não está acima de ninguém: recebeu para testemunhar, não para se exibir.

A evidência: falar em outras línguas

Como se sabe que alguém foi batizado no Espírito Santo? A Assembleia de Deus ensina, com base no livro de Atos, que a evidência física inicial é falar em outras línguas, conforme o Espírito concede. O padrão aparece nas vezes em que Lucas descreve o momento com detalhe:

  • No Pentecostes, todos os que foram cheios "começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem" (At 2.4).
  • Na casa de Cornélio, com gentios, "caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra" (At 10.44), e os que vieram com Pedro souberam disso "porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus" (At 10.46).
  • Em Éfeso, "impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam" (At 19.6).

Na casa de Cornélio, as línguas foram justamente o sinal que convenceu os judeus de que o dom do Espírito tinha sido derramado "também sobre os gentios" (At 10.45). Era um sinal que se ouvia.

Aí vem a pergunta honesta, e ela é boa: Paulo não escreveu "Falam todos diversas línguas?" (1 Co 12.30), esperando a resposta "não"? Escreveu. E não há contradição, porque Paulo e Lucas estão falando de coisas diferentes.

Em 1 Coríntios 12, Paulo trata dos dons que o Espírito distribui para a edificação da igreja reunida. Um deles é a variedade de línguas (1 Co 12.10), que no culto vem acompanhada de interpretação (1 Co 14.27,28). Nem todos exercem esse dom na congregação, assim como nem todos têm o dom de curar, porque é o Espírito quem reparte "particularmente a cada um como quer" (1 Co 12.11). Em Atos, Lucas descreve outra coisa: o sinal inicial que acompanha o batismo no Espírito, na experiência de cada crente. O mesmo Paulo que pergunta se todos falam diz: "Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos" (1 Co 14.18). E manda: "não proibais falar línguas" (1 Co 14.39). Uma coisa é o dom ministrado à igreja; outra é a evidência do revestimento. O dom, nem todos exercem; a evidência acompanha quem foi batizado.

As línguas também não são confusão nem show. Paulo diz que "o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus" (1 Co 14.2), e põe o freio: "Mas faça-se tudo decentemente e com ordem" (1 Co 14.40), porque "Deus não é Deus de confusão, senão de paz" (1 Co 14.33).

🔬 A nossa leitura — Atos 2.38 e o unicismo. No fim do sermão, Pedro diz: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.38). O unicismo, o movimento conhecido como "só Jesus", usa esse versículo para ensinar que Pai, Filho e Espírito Santo são uma Pessoa só, que o único batismo válido é o que usa a frase "em nome de Jesus", e muitos grupos unicistas dizem ainda que, sem falar em línguas, ninguém é salvo. As três ideias estão erradas. "Em nome de Jesus Cristo", em Atos, quer dizer pela autoridade dEle e para pertencer a Ele; a forma que o próprio Jesus mandou usar está em Mateus 28.19: "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". E o mesmo sermão de Pedro mostra as três Pessoas agindo juntas: Jesus, "exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2.33). O Filho recebe, o Pai dá, o Espírito é derramado: um só Deus em três Pessoas. E a salvação é pela graça, por meio da fé (Ef 2.8), não pelo sinal. As línguas são evidência do revestimento, nunca condição para ser salvo.

III — A atualidade da promessa

A pergunta que sobra é simples: isso foi só para eles? Pedro responde no mesmo dia: "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (At 2.39).

São três grupos numa frase só: os que estavam ali, os filhos deles e todos os que estão longe. Longe no mapa e longe no tempo, o que inclui um adolescente lendo isto no celular dois mil anos depois. O texto não põe prazo de validade em lugar nenhum. A ideia de que o batismo no Espírito e os dons acabaram com o último apóstolo não sai da Bíblia. A revista é direta: a promessa foi cumprida no começo da Igreja e continua disponível hoje.

E repare no final do versículo: "a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar". Não é sorteio, nem prêmio por mérito, nem lista fechada de poucos escolhidos. É chamado, e o chamado continua sendo feito a quem ouve. Deus oferece de verdade, e quem ouve pode responder, buscar e receber.

Poder com destino

Logo antes do "recebereis o poder", Jesus respondeu a uma pergunta de calendário. Os discípulos queriam saber se era naquele momento que Ele restauraria o reino a Israel (At 1.6). A resposta: "E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder" (At 1.7). Eles queriam a data; Jesus deu a tarefa. E a tarefa tem mapa: Jerusalém, onde eles já estavam; Judeia e Samaria, os vizinhos, inclusive os malvistos; e os confins da terra.

Por isso o batismo no Espírito não é poder para ganhar dinheiro, conseguir emprego, vencer discussão ou ser admirado. É poder para falar de Jesus com ousadia. Pouco depois do Pentecostes, a igreja orou de novo: "E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus" (At 4.31). Ousadia para anunciar, não para humilhar ninguém.

E ser pentecostal de verdade inclui o freio. Nada de correr atrás de arrepio, nada de medir a espiritualidade de alguém pelo barulho, nada de aceitar como vindo do Espírito o que contraria a Escritura. A revista fecha pedindo que essa marca não esfrie no nosso meio. Ela não se mantém com encenação; mantém-se com gente que continua buscando e continua conferindo na Palavra.

E quem ainda não foi batizado?

Talvez você esteja lendo isto e pensando: "eu nunca falei em línguas". Ouça com atenção: você não está atrasado na fila da salvação. Se você é de Cristo, o Espírito já habita em você (Rm 8.9). E a promessa do revestimento também é sua (At 2.39).

Como se busca? Do jeito que os discípulos esperaram: orando juntos (At 1.14), crendo na Palavra e entregando a vida a Deus. Com oração, Palavra e consagração, sem ansiedade, dentro da igreja e acompanhado pelo pastor e pela liderança. Uma lição mais adiante neste trimestre vai tratar disso com calma. Por agora, guarde três avisos. Ninguém precisa de pressão, de plateia ou de alguém mandando repetir sílabas: quem concede a fala é o Espírito (At 2.4). Ninguém deve fingir o que não recebeu para não ficar de fora. E ninguém deve concluir que Deus o rejeitou porque ainda não aconteceu.

Agnes Ozman disse que desejava a promessa mais do que comida ou descanso. Desejo assim não é ansiedade nem competição; é fome de Deus. E Jesus garantiu que o Pai dá "o Espírito Santo àqueles que lho pedirem" (Lc 11.13).

❤ Para a sua vida. Se alguém já te fez sentir menor porque você ainda não foi batizado no Espírito Santo, ou se você já se sentiu empurrado a "receber agora" na frente dos outros, saiba: a pressão não faz parte da promessa. Converse com o seu professor ou com o pastor. Buscar é bom; ser empurrado, não. Você não chegou tarde para a promessa, e ela não vai fugir de você.

Cristo na lição

Volte ao texto áureo. Quem diz "sobre vós envio a promessa de meu Pai" é Jesus ressuscitado, prestes a subir ao céu (Lc 24.49). O Espírito Santo não é uma força solta que alguém aprende a controlar; é a promessa do Pai, enviada pelo Filho.

E por que Jesus pôde enviar? Pedro explica no mesmo sermão. Primeiro, a ressurreição: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas" (At 2.32). Depois, a exaltação: "De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2.33). Só existe Pentecostes porque antes houve cruz, sepulcro vazio e ascensão. O evangelho de João já tinha avisado: "o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado" (Jo 7.39). E João Batista, antes de falar do fogo, apontou o Cordeiro (Jo 1.29).

Por isso o batismo no Espírito sempre aponta para Jesus. Ele disse do Espírito: "Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar" (Jo 16.14). E o poder é para sermos testemunhas dEle (At 1.8), não de nós mesmos nem da nossa experiência.

✝ Cristo na lição. Quem foi crucificado por você é quem batiza você. O Batizador é o Cordeiro. Você não está atrás de uma experiência; está atrás dAquele que morreu na cruz no seu lugar, ressuscitou, subiu ao Pai e de lá derramou o Espírito, e ainda derrama.

Aplicação Prática

Confira antes de compartilhar. O vídeo do pregador famoso, a "revelação" que chegou no grupo, a profecia que viralizou: faça como Pedro e como os bereanos e abra a Bíblia antes de aceitar e antes de mandar adiante (At 17.11).

Não ache que chegou tarde nem que já tem tudo. Se você é de Cristo, o Espírito habita em você. E a promessa do revestimento continua de pé para você (At 2.39). Busque com oração e com a Bíblia aberta, sem ansiedade e sem se comparar com ninguém.

Trate bem quem está em outro ponto do caminho. Quem já foi batizado no Espírito não olha de cima para quem ainda não foi; quem ainda não foi não debocha de quem fala em línguas. Na sua classe, ninguém é crente de segunda.

Comece a testemunhar onde você já está. O poder é para testemunho, e o mapa de Atos 1.8 começa em Jerusalém: a sua casa, a sua rua, a sua sala. Contar o que Jesus fez por você não é discurso; é testemunho.

Oração Final

Senhor Jesus, obrigado porque a promessa do Pai não ficou presa em Jerusalém nem no primeiro século. Obrigado porque ela alcança quem está longe, e eu estou nessa lista. Perdoa as vezes em que eu aceitei qualquer coisa sem conferir na Tua Palavra, e as vezes em que eu me achei tarde demais, ou bom demais, para precisar de Ti. Tira de mim a pressa de ter uma experiência para mostrar e coloca no lugar a fome de Ti. Guarda os que ainda esperam: que ninguém se sinta menor nem seja empurrado. Reveste-nos de poder, do jeito que prometeste, para sermos Tuas testemunhas em casa, na rua e na escola. Tu morreste na cruz no nosso lugar, ressuscitaste e, exaltado à direita do Pai, derramaste o Espírito. Que tudo isso aponte para Ti. Em Teu nome, amém.

Soli Deo Gloria — a Escritura governa; todo o resto, de joelho.

Perguntas Frequentes

O que é o batismo no Espírito Santo?+

É a promessa do Pai que Jesus mandou os discípulos esperarem: 'ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder' (Lc 24.49). Quem batiza é Jesus (Mt 3.11), e o propósito é o testemunho: 'Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas' (At 1.8). A Assembleia de Deus ensina que ele é distinto e subsequente ao novo nascimento: vem sobre quem já é de Cristo, como revestimento de poder, e tem como evidência física inicial o falar em outras línguas (At 2.4).

Qual a diferença entre o batismo nas águas e o batismo no Espírito Santo?+

No batismo nas águas, quem desce é a pessoa: depois de crer e se arrepender, ela obedece à ordem de Jesus e dá testemunho público da fé, 'em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo' (Mt 28.19). No batismo no Espírito Santo, quem batiza é Jesus: 'ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo' (Mt 3.11). O primeiro é exterior e visível na hora; o segundo é revestimento de poder para testemunhar (At 1.8). Um não substitui o outro.

Por que a Assembleia de Deus ensina que falar em línguas é a evidência do batismo no Espírito Santo?+

Porque é o padrão que o livro de Atos mostra nas vezes em que descreve o momento com detalhe. No Pentecostes, 'todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem' (At 2.4). Na casa de Cornélio, os que estavam com Pedro souberam que o Espírito tinha vindo 'porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus' (At 10.46). Em Éfeso, 'veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam' (At 19.6). As línguas são a evidência inicial do revestimento, não condição para ser salvo.

Se Paulo pergunta 'falam todos diversas línguas?', por que se ensina que todo batizado no Espírito fala em línguas?+

Porque Paulo e Lucas falam de coisas diferentes. Em 1 Coríntios 12.30, Paulo trata do dom de variedade de línguas, um dos dons que o Espírito reparte 'particularmente a cada um como quer' (1 Co 12.11) para a edificação da igreja reunida, e que no culto vem com interpretação; esse dom nem todos exercem. Em Atos, Lucas descreve o sinal inicial que acompanha o batismo no Espírito na experiência de cada crente (At 2.4; 10.46; 19.6). O próprio Paulo disse: 'falo mais línguas do que vós todos' (1 Co 14.18), e mandou: 'não proibais falar línguas' (1 Co 14.39).

O batismo no Espírito Santo acabou com os apóstolos?+

Não. No dia do Pentecostes, Pedro disse até onde a promessa ia: 'Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar' (At 2.39). Os que estão longe, no lugar e no tempo, incluem a Igreja de hoje. O texto não põe prazo de validade em lugar nenhum, e Paulo ainda escreveu 'não proibais falar línguas' (1 Co 14.39). A promessa foi cumprida no começo da Igreja e continua disponível.

Quem ainda não foi batizado no Espírito Santo é menos salvo?+

Não. A salvação é pela graça: 'Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus' (Ef 2.8). E todo salvo tem o Espírito: 'se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele' (Rm 8.9). Quem ainda não recebeu o batismo no Espírito não é crente de segunda categoria; a promessa também é para ele (At 2.39). A busca é com oração, com a Palavra e com consagração, sem pressão e sem imitar ninguém, acompanhada pelo pastor e pela liderança da igreja.

Juvenis

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